A Escravatura

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GUERRAS: COLONIAL E CIVIL - INDEPENDÊNCIA - ETNIAS HISTÓRIA - O 25 DE ABRIL E A DESCOLONIZAÇÃO

Re: A Escravatura

Mensagempor joana gonçalves em Segunda Mar 22, 2010 9:55 pm

Crenças Religiosas

Cultos às divindades de origem africana (Oxalá, Iemanjá, Oxã, etc.), identificados por força das circunstâncias aos santos da religião católica.

Música e Dança

A música característica, onde sobressaem
o batuque, o samba, ao lado de instrumentos típicos, sobretudo os de percussão, na dança é de realçar o samba, axê, etc. e a capoeira (“luta”).

A alimentação especial, muito condimentada,
com destaque especial para as delícias da
cozinha baiana:
vatapá, acarajé, cururu, quindim, etc.,
assim como as bebidas e os temperos.

Nos restantes países americanos (principalmente latinos), verificam-se tradições similares às brasileiras, sendo que as que mais sobressaem como reminiscência do povo africano, são as danças ritmadas características de todo o povo latino-americano.
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Re: A Escravatura

Mensagempor joana gonçalves em Segunda Mar 22, 2010 9:55 pm

Conclusão

Após uma análise deste fenómeno social é possível tirarmos algumas elações acerca do mesmo, tais como o facto da escravatura não ter “começado” com os Descobrimentos; as diferentes conotações humanas que estas prática teve, sendo foi sempre um fenómeno mutável em termos de perspectivas; os tipos de escravatura que houve; a sua motivação fundamentalmente económica e não racial; mas principalmente, que este fenómeno não acabou e que pode ter muitas “caras”, mas está essencialmente nas “nossas” mãos, como pessoas informadas e plenas de direito que somos, batalharmos e agirmos em solidariedade, para com todos os que ainda são afectados por este mal.

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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:16 am

O tráfico de escravos para o Brasil e Américas não era exclusivo de comerciantes brancos europeus , portugueses ee brasileiros, mas era uma actividade em que os pumbeiros, que eram mestiços, negros livres e também ex-escravos, não só se dedicavam ao tráfico de escravos como participavam do comércio costeiro , no caso de Angola, também parte do comércio interior para além de fazerem o papel de de mediadores culturais no comércio de escravos da África Atlântica.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:17 am

Os comerciantes europeus, portugueses e brasileiros com o crescer da procura por mão-de-obra escrava, associaram-se militarmente e financeiramente com sobas e régulos africanos, que viviam nas costas marítimas e no interior, dando-lhes armas, pólvora e cavalos para que afirmassem sua autoridade numa extensão a maior possível. Os prisioneiros das guerras tribais eram encarcerados em “barracões”, em armazéns costeiros, onde ficavam a espera da chegada dos navios tumbeiros ou negreiros que os levariam como carga humana pelas rotas transatlânticas.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:18 am

Em Luanda e Benguela existia, pelo menos até meados do século XIX, um importante grupo de mestiços e negros europeizados, cujos estratos superiores formavam uma burguesia local engajada no tráfico de escravos e noutras actividades comerciais, porém desligada cultivo e exploração da terra . O comércio era na maior parte feito com o Brasil, sendo numerosos os navios que nessa altura aportavam nas baías de Luanda e de Benguela.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:19 am

Nas décadas de 1880 e 1890, com a abolição definitiva do tráfico de escravos, houve uma importanterecuperação por parte desta burguesia, com base do comércio de produtos recolhidos ou cultivados pela população do interior: cêra, marfim, café, borracha, porém com os novos impostos e a concorrência dos europeus que, paulatinamente, após a nova política de ocupação territorial no âmbito da Conferência de Berlim, começaram a emigrar para Angola, acabou por entrar em decadência e perder o anterior estatuto que os tempos aureos do tráfico lhes proporcionava. Ainda em 1881 várias populações do interior reclamavam contra o poder dessa «oligarquia», sobretudo mestiça, na máquina produção das duas cidades, de Luanda e Benguela.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:19 am

O comércio de escravos estava solidamente implantado no continente Africano e existiu durante milhares de anos. Nações Africanas como os Ashanti do Gana e os Yoruba da Nigéria tinham as suas economias assentes no comércio de escravos. O tráfico e comércio de escravos era intercontinental, registando-se um grande comércio de escravos europeus nos mercados Africanos já durante o Império Romano. Mais tarde com o tráfico de eslavos, os saqaliba, que eram levados para o Al-Andaluz o comércio passou da Europa para África, e continuou com os raids dos Piratas da Barbária que duraram até ao fim do século XIX.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:20 am

Angola nas Vésperas da Abolição (1820-1845)
O tráfico em geral: os africanos obtinham pelo tráfico têxteis e armas de fogo, estas e a pólvora em 3º lugar de preferência, (9) ou seja 10% do valor exportado, seg. Miller (1980). O número de pessoas exportadas legalmente para a América, de que há registos, entre meados do século XVI e 1850, totalizou aproximadamente 2 milhões. A partir de 1780 o tráfico de Luanda e Benguela escalou-se seg. Miller (1980) de 168.000 na década de 1791-1800, 188.400 (1801-1810), 246.000 (1811-1820) a 248.900 (1821-1830), (10) com um impacto demográfico incerto (11) mas que geralmente se considera coberto pela fertilidade natural das mulheres, já que, maioritariamente, eram homens o que se exportava
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:20 am

Luanda e Benguela tornaram-se centros de tertúlia e através da actividade jornalística e literária eram defendidos, em finais do século XIX, os ideais da Revolução Francesa e manifestava-se o desejo de obtenção de uma autonomia política.

Segundo Mário de Andrade, foi “a génese do escrito protestatário” com correntes de formação de uma consciência nativista – a dos “filhos do País”. Os escritores “angolenses” consideravam que a portugalização significava uma ameaça à sua identidade e ao seu desenvolvimento económico e sócio-cultural. O nativismo exprimia o sentimento colectivo de ser portador de valores próprios, como um referente de identificação e confluência das suas aspirações em prol de uma autonomia e futura independência.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:22 am

Haviam passado 60 anos após a data da independência do Brasil, a 7 de Setembro de 1822, quando José de Fontes Pereira, um dos mais esclarecidos jornalistas angolenses, noticiou, num artigo intitulado “A república a crear raízes em Angola”, publicado no nº 36 do jornal Pharol do Povo, de 27 de Outubro de 1883, o primeiro grito de independência dado em Benguela por um oficial do exército, que era um nativo “Filho do País”. José de Fontes Pereira relatou do seguinte modo esta acção política: “Benguela abraçou com grande entusiasmo aquella ideia, e quando se proclamou a independência do Brazil, o grande povo d’aquella cidade secundou aquele estado de coisas, tendo hasteado a bandeira do café e tabaco na fortaleza de S. Filipe. Dirigiu esse movimento o tenente-coronel Francisco Pereira Diniz, homem preto, natural de Benguela que comandava as companhias de linha d’aquela capitania”.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:23 am

Também, “A Voz de Angola Clamando no Deserto”, uma colectânea de vários autores publicada em Lisboa, em 1901, passava a constituir a afirmação de uma consciência “nativista”, que criticava a chamada Acção Civilizadora de Portugal em África e que, no princípio do século XX, reclamava por uma participação na condução do poder político nas colónias. De acordo com o sociólogo e escritor Pepetela, é, no fundo, esta elite, surgida da camada social urbana de finais de século XIX, que passou a ser considerada como estando na génese do moderno nacionalismo angolano. Contudo, a mesma tinha uma posição algo equívoca, que, por vezes, deixava transparecer nos seus escritos: denunciava com veemência as discriminações e o racismo coloniais e defendia as mesmas oportunidades para todas as “raças”; acusava a administração colonial de pouco fazer pelo desenvolvimento da colónia e pela educação das populações; batia-se pela “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”; censurava violentamente a corrupção existente nas altas esferas do poder e colocava-se em posição de quase advogar a independência da colónia... Porém, essa mesma elite chegava a aplaudir as campanhas do exército colonial contra os chefes tradicionais, que se iam revoltando; encorajava a ocupação militar dos reinos do interior, que, Portugal, no quadro da Conferência de Berlim para a partilha de África, deveria submeter pela força para legitimar a sua posse…
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:24 am

Para a elite urbana dos finais do século XIX, as populações do interior eram consideradas bárbaras e ignorantes. Assim sendo, aquela elite não sentia qualquer repugnância pela submissão e integração das populações do interior através da força das armas, já que tal era entendido como uma forma das mesmas poderem “receber as luzes da civilização e da Fé católica”.
Como republicanos e democratas virados para si próprios, não tinham ainda conseguido estender os valores republicanos e democráticos para benefício de todos os angolanos. Na essência, estas grandes famílias guardavam na memória os sinais de esplendor da sua origem, provenientes, essencialmente, do tráfico de escravos, que era feito em detrimento das populações do interior e que envolvia brancos, negros e mestiços pertencentes àquela camada social urbana ou classe média africana.
Após a abolição do tráfico de escravos e com a vaga de novos colonos inseridos na chamada política de povoamento, surgiram novos impostos. Estes, para além de muito pesados e injustos, recaíam, sobretudo, sobre a população local. A classe média urbana africana passou então a enfrentar um violento processo de concorrência, chegando a haver, em 1881, uma Petição de 70 chefes de família de Luanda à Fazenda Pública, protestando contra o aumento dos impostos. Consequentemente, as populações do interior passaram a reclamar contra o poder despótico das oligarquias biológica e culturalmente mestiças mais poderosas de Luanda e Benguela. Talvez, este facto possa ser um indicador de estudo para a explicação das posteriores divisões no seio do moderno nacionalismo angolano.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:24 am

Enquanto beneficiaram de uma política de liberdade cambial e de crédito, os comerciantes tinham sucesso nos seus negócios, conseguindo levar as caravanas ao interior através da utilização dos antigos circuitos de captura e transporte de escravos para o litoral. Mas, a rentabilidade desse comércio dependia da importação de bens industriais (tecidos, armas, etc.), que seriam posteriormente trocados por outros produtos, tais como a borracha, o café, ou a ginguba. Porém, os interesses da indústria metropolitana forçaram uma revisão pautal em sentido contrário. Nesta conformidade, o ministro Oliveira Martins promulgou, em Janeiro de 1892, uma pauta aduaneira, que, para proteger a indústria têxtil algodoeira, agravava fortemente os impostos sobre os têxteis ingleses. Os comerciantes estabelecidos em Luanda e Benguela sentiram-se fortemente lesados porque os têxteis, em muitas regiões, constituíam uma moeda de troca por produtos locais.
A partir de 1900, os conflitos com a administração colonial agudizaram-se devido à crise do comércio da borracha, que fez diminuir grande parte da procura de têxteis metropolitanos em Angola. Os conflitos comerciais e o bloqueio metropolitano aos capitais industriais em Angola começaram por opor facções da burguesia da metrópole às burguesias do litoral e do sertão angolano. Com o estabelecimento de grandes investimentos estrangeiros que criaram refinarias, conservas de peixe e outros estabelecimentos industriais em Angola – como foram os casos da CUF e da DIAMANG – os conflitos agudizaram-se.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:25 am

Ligado a esses investimentos estava o Ministério das Colónias, criado em 1911. O princípio da descentralização na administração das províncias ultramarinas foi consagrado no artigo 67º da Constituição de 1911. Mas só em 1914 foi submetido ao Congresso um projecto-lei, que estabeleceu as regras básicas de um novo paradigma de política ultramarina, estabelecendo que a estrutura financeira das colónias deveria passar a assentar nas suas próprias receitas fiscais. Apesar da suspensão do Código de Trabalho Indígena de 1911 e malogradas as tentativas para limitar estas formas de trabalho por parte de Norton de Matos – quer enquanto governador-geral (entre 1912 e 1914), ou alto-comissário (entre 1921 e 1924) – o general acabou por promover a colonização branca à custa das terras e trabalho dos chamados “indígenas”. Luísa de Almeida informa-nos, através de um texto por si apresentado na III Reunião Internacional de História de África, o seguinte: “Se numa primeira fase Norton de Matos procurou estabelecer uma aliança com os assimilados ou ditos ‘civilizados’ através de manifestações de tolerância ou de apoio às suas associações, em breve passou do paternalismo ao controlo e à repressão”.
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Re: A Escravatura

Mensagempor anabela em Quarta Set 01, 2010 8:25 am

Em resposta, surgiram manifestações contra o trabalho forçado (o chamado “contrato”), com destaque para a Insurreição dos Bakongo (1913-1915), a Revolta de Catete (1922) e diversas outras no corredor Luanda-Malange (1922-1925). Ao final da I República em Portugal, são ainda de considerar as rebeliões em Amboim, Seles e Libolo provocadas pelo aumento do “Imposto de Palhota” e que levaram à proibição da venda de pólvora e armas aos chamados “indígenas”. Para que este imposto fosse pago regularmente, foram criadas circunscrições civis. Tais medidas conduziam a difíceis situações de sobrevivência das populações, a um recrudescimento da agitação nativista e ao encarceramento de algumas figuras da intelectualidade angolana.
No primeiro quartel do século XX, assiste-se à incapacidade colonial para administrar eficazmente o vasto território angolano, à subjugação das identidades culturais às leis do mercado colonial e à profunda alteração do paradigma tradicional de divisão social do trabalho. O investimento económico colonial, ao não se ajustar às estruturas socioeconómicas tradicionais, acabou por provocar rupturas com consequências nefastas para as populações rurais. A expropriação das melhores terras para o cultivo do café e a perda progressiva da sua posição na administração e no comércio a favor dos metropolitanos, fez com que as famílias cultural e biologicamente mestiças da cidade de Luanda tivessem que enfrentar um empobrecimento forçado e fossem marginalizadas para as zonas suburbanas, enquanto o novo grupo de colonos passava a ocupar o centro da cidade.
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