A Escravatura

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GUERRAS: COLONIAL E CIVIL - INDEPENDÊNCIA - ETNIAS HISTÓRIA - O 25 DE ABRIL E A DESCOLONIZAÇÃO

Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:02 am

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1680 – Outra obra crítica da prática da escravatura é a do clérigo anglicano Morgan Goodwin, que retrata em 1680 os horrores do tratamento dos escravos na colónia britânica de Barbados.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:04 am

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1688-1690 – Na novela Oroonoko (1688) o escritor Aphra Behn descreve o tráfico nas Antilhas britânicas; o Tratado Sobre o Governo Civil (1690), do filósofo escocês John Locke, condena a escravatura.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:05 am

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1700 – Na França, o nobre Carlos Luís de Secondat, barão de La Brède e respeitadíssimo marquês de Montesquieu, pondera no seu Espírito das Leis, que “a escravatura é tão contrária à lei civil como está em oposição à lei natural: que espécie de estado civil poderia impedir um escravo de fugir?” O célebre jurista havia passado um tempo na Inglaterra e sem dúvida mantinha contactos com anti-esclavagistas ingleses.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:08 am

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1766 – Os devotos e circunspectos agricultores da feitoria independente da Pensilvânia libertam todos os seus escravos: pouco depois começam a aparecer grupos abolicionistas na Europa
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:10 am

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1772 – Os colonos da Virgínia debalde peticionam à Coroa britânica a libertação dos seus escravos: é tristemente irónico que os seus descendentes viessem a ser, menos de cem anos mais tarde e quando já americanos independentes, o esteio da política esclavagista dos estados meridionais da América do norte.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:12 am

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1778 – Um pedido dos comerciantes de Bristol e Liverpool – chocados com o mau nome que o transbordo dos escravos para as Antilhas dava aos dois grandes portos ingleses – para que Coroa proibisse as escalas nas Ilhas britânicas do descomunal tráfico da Slave Coast 1 , é indeferido pelo governo
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:16 am

O Abolicionismo
Moçâmedes
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1784 – A resistência dos colonos norte americanos de Jorge Washington sobre o exército expedicionário inglês tem um desfecho inesperado a norte da foz do rio Zaire: numa pausa nas operações contra a marinha britânica, uma frota francesa sob o comando do almirante Bernado de Marigny vem a Molembo – hoje Cabinda – e bombardeia o forte que o Capitão-general de Angola ali mandara o major de engenharia Furtado construir.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:19 am

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1785 – Em consequência do bombardeamento do forte de Molembo, o Capitão-general, receoso de que os Franceses planeassem apoderar-se da rota atlântica do Brasil – que, sob os ventos predominantes, trazia os veleiros directamente à angra do cabo Negro, assim chamado por Diogo Cão – dá ao major Luis Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado o comando de uma expedição por mar e terra à estratégica angra, onde tencionaria fundar um presídio. O major, a quem o capitão-mor de Benguela não parece ter dado o auxílio que devia, beneficia porém do apoio do abastado comerciante e sertanejo da vila, Gregório José Mendes, habilmente aliciado pelo Capitão-general, e os dois levam a bom termo uma das expedições mais interessantes da história ultramarina portuguesa: Furtado por mar, a remos, em grande parte do reconhecimento pormenorisado da costa, e Mendes a pé, com cerca de mil empregados seus, através das terras áriadas a norte do deserto do Namib. Reúnem-se os dois comandantes a 03.08 na angra, que Furtado crisma com o nome de Moçâmedes – uma vila do distrito de Viseu, Portugal, de que o Capitão-general era barão – mais mnemónico que o nome próprio do precavido governador, D. José de Almeida e Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares de Albergaria.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:22 am

A oposição militante ao tráfico
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1786 – Neste ano em que só as colónias britânicas no Atlântico importam 38.000 almas – seguia-se-lhe o Brasil com umas 14.000 pessoas por ano – o pastor inglês James Clarkson publica a primeira “sondagem” moderna sobre o tráfico: o Ensaio sobre a Escravidão e Comércio da Espécie Humana, baseado nos depoimentos de muitas testemunhas contemporâneas. Nenhum filósofo contemporâneo – para não dizer empresário – saberia nesse ano que outra fonte de energia usar para inverter o aumento no tráfico, dada a necessidade de mão-de-obra para as minas e plantações americanas; e no entanto, neste mesmo ano o vapor faz funcionar um moinho na Inglaterra. Já noventa anos antes Montesquieu, ao definir como coisas “intrinsecamente más” na sociedade humana, “a intolerância, o despotismo e a escravatura”, profetizara que a máquina substituiria o escravo.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:24 am

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1788 – Figuras importantes de Paris juntam-se para exigir à Coroa a abolição imediata da escravatura: o presidente da Sociedade dos Amigos dos Negros é o matemático, membro da Academia das Ciências e inspector geral da Casa da Moeda, João António Nicolau Caritat, marquês de Condorcet.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:31 am

1789 – No ano da Revolução francesa, Condorcet é secretário da Assembleia Legislativa revolucionária: tenta obliterar algumas coisas “intrinsecamente más” que iam pelo mundo, conseguindo que a Assembleia adopte algo que havia redigido: a Declaração dos Direitos do Homem.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:32 am

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1790 – A Assembleia constituinte ainda não está decidida quanto à legislação competente à Declaração, excepto num aspecto: pelo decreto de 08.03 os direitos definem-se só para os habitantes da França, não os das colónias essencialmente agrárias, muito menos à população escrava.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:34 am

1794 – A esquerda revolucionária toma poderes ditatoriais e passa a Lei abolicionista. Logo se nota, porém, que existe apenas em teoria e as medidas que se tomam contra o tráfico são tímidas: no Haiti são contestadas pela própria administração colonial e na ilha de Reunião são mesmo repudiadas.


1798 – Os princípios contidos nos Direitos são adoptados no Código de Escravidão das colónias espanholas e as melhorias assim introduzidas no tráfico nas Antilhas são logo exigidas pela mão-de-obra das plantações francesas e britânicas.

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1799 – No Haiti, que já cem anos antes era uma das possessões coloniais mais ricas do mundo, havia nas vésperas da Revolução francesa uma população de 42.500 brancos, 27.500 libertos mulâtre e 450.000 escravos negros; mas a nova Constituição francesa, promulgada em Paris em 25.12.1799 com o apoio do competentíssimo general corso Buonaparte, não menciona egalité e fraternité, nem liberté, nem se refere aos Direitos.

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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:37 am

1800 – O plebiscito de Fevereiro de 1800 aprova a Constituição napoleónica – por três milhões de votos contra mil e quinhentos – e, com ela, o governo militar que vem restabelecer a boa ordem na França e a legalidade da escravatura: o general Bonaparte refere-se a esta como o estatuto “sob o qual as colónias tinham atingido a prosperidade.” A mão-de-obra escrava mantém-se como elemento importante da economia francesa, dependente então da produção de açúcar e seus derivados no ultramar: e enquanto a França produzisse o açúcar que ajudava a manter os seu poderio naval, na Inglaterra a câmara dos Lordes não tinha o mínimo interesse na abolição advogada pelo orador Guilherme Wilberforce, deputado por Hull, o porto por onde se exportavam as máquinas a vapor que estavam a tornar famosa a indústria britânica. Outro deputado famoso, o mestiço Aléxandre Sabès Pètion que representara o Haiti na defunta Assembleia Nacional francesa, encontra-se na frota enviada por Bonaparte ao Haiti, sob o comando de seu cunhado o general Leclerc: o governador negro da ilha, Toussaint l’Ouverture, pensando que vai assinar um tratado de paz, é detido e embarcado para a França. Quando Bonaparte reinstitui a escravatura nas ilhas de Guadalupe e Martinica, Pètion, desiludido, incorpora-se na guerrilha de Jean-Jacques Dèssalines, outro caudilho haitiano negro que sucede a l’Ouverture.

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1803 – L’Ouverture morre no cárcere em Paris. Entretanto no Haiti a guerrilha, a febre amarela e a Armada britânica cobram aos Franceses: Leclerc morre da febre em Novembro e pouco depois o general Rochambeau rende-se aos Ingleses.


1804 – Dèssalines nomeia-se governador geral do Haiti, declara a ilha independente, massacra todos os colonos que haviam ficado na ilha – naturais brancos que se consideravam benquistos dos negros – e trata brutalmente todos os que, entre estes, o opunham. Em Setembro proclama-se imperador, como Jacques I, e, já não sendo legal a escravatura mas apercebendo-se da vantagem continuar a produzir açucar para o mercado francês, institui o trabalho forçado.
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Re: A Escravatura

Mensagempor tozé em Segunda Set 13, 2010 10:41 am

Reacção na Europa
1805 – Na segunda-feira dia 21.10.1805 uma armada franco-espanhola de 33 navios que saía de Cádiz com rumo a Nápoles, onde Bonaparte necessitava de tropas para invadir a Áustria, é atacada e destruida ao largo do cabo Trafalgar; embora o mais jovem almirante britânico, Horácio Nelson, morra durante a famosa batalha, pelas 17 horas o poderio naval da França atinge o seu ocaso. Quando a Inglaterra proíbe imediatamente as nações neutras de comerciarem por mar com a França sem uma licença a obter nos portos ingleses, o imperador Bonaparte decreta um bloqueio geral dos portos europeus.

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1806 – Encorajada pelo domínio britânico do mar das Caraíbas, a população mestiça de Port-au-Prince, encabeçada por Pètion, revolta-se e o imperador Jacques I morre ao tentar dominá-la. No lado sul da ilha Pètion alforria os escravos e persuade-os a que, em vez de cultivarem a cana, plantem café: é esta cultura livre e imecanizável, encorajada pelo comércio americano, que põe fim à economia ultramarina francesa.

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1807 – Na Europa, a nação portuguesa encontra-se na difícil situação de aliada centenária da Inglaterra, com uma economia dominada por investimentos britânicos e sob um governo forçado a fingir que respeita o bloqueio francês; a 12.08 sabe-se da nota do embaixador francês, em que este exige, entre outras medidas, a declaração de guerra à Inglaterra. De facto o rei português chega a assinar os decretos respectivos entre Outubro e Novembro mas, mesmo assim, a Casa de Bragança é banida por decreto de Bonaparte e, na noite de 19.11, o general Junot invade Portugal com 25.000 soldados que vão saquear a vila de Castelo Branco. Dez dias depois a família real e muitos nobres deixam a praia da Ericeira rumo ao Brasil, sob escolta duma flotilha britânica. Com o domínio do comércio do Atlântico garantido pela presença do rei português D. João VI na América, os Lordes britânicos aprovam, finalmente, a proposta de Wilberforce: a abolição da escravatura em todos os domínios da coroa britânica.


1810 – O tratado de Aliança de 19.02.1810, negociado com a Grã-Bretanha pela corte do Rio de Janeiro, contém uma proposta de Abolição gradual em todos os territórios portugueses.

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1811 – O governo britânico institui a pena de morte para os transportadores ingleses, agora conhecidos por ‘negreiros’.


1813 – A lei de 13.11 reduz à metade o tráfico de Angola, mas na prática os negreiros mantêm-no em alta.
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