A Vida é uma roleta russa?

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A Vida é uma roleta russa?

Mensagempor em Terça Out 27, 2009 4:36 am


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Novembro de 1975: O êxodo final da maioria dos portugueses de Angola. Um avião a abarrotar de pessoas e excesso de carga aproxima-se de São Tomé atravessando o Golfo da Guiné. Lá dentro, silencioso no meio da multidão, um casal jovem de mãos dadas, finge que dorme. José, engenheiro agrícola, especialista em plantações de café, preocupado com o futuro. Luísa, professora, desta vez não pensa em alunos: só se preocupa com a criança que transporta e que começa a dar sinais de querer nascer. O médico, em Luanda, bem tinha desaconselhado a viagem. A bordo, tinham-se informado, não havia médicos. Só as hospedeiras, a sua simpatia e os seus conhecimentos de primeiros socorros.
No meio dos pensamentos, José sente ao longe um aperto na mão.
– Luisa? Estás bem?
– Acho que isto vai começar... Quanto tempo falta para São Tomé?
– Uma hora ou mais. Vou saber. Por favor, mantém-te calma. – Levantou-se. Mas uma das hospedeiras estava atenta. Sabia e sentia o que se passava. Fez-lhe sinal para se sentar e aproximou-se.
– Tenho estado a observar a senhora. Mantenha-se calma. Vamos reclinar mais essa cadeira. Respire pausadamente, como quem se prepara para dormir. Falta menos de uma hora para a escala em São Tomé, mas eu vou confirmar à cabine. Já volto.
Demorou poucos minutos para informar, sorridente, que ventos favoráveis tinham encurtado o tempo de viagem e que, dentro de 45 minutos estariam nas ilhas. O comandante já tinha informado o aeroporto e já estavam a providenciar a assistência à grávida.
Nasci em plena pista de aterragem! Isabel, a hospedeira-parteira e minha madrinha de baptismo, foi de uma eficiência notável, pelo que me contaram, sim, porque eu, nessa altura, só sabia berrar como um cabrito...
Em São Tomé foi espectacular como as pessoas, recentemente envolvidas no processo de independência, que seria suficiente para justificar algum alheamento, senão mesmo hostilidade, dedicaram tanto carinho àquela família desamparada – diria abandonada – em terras desconhecidas.
Ah! Quase esquecia o principal:
O funcionário consular pergunta ao meu pai que nome ia dar ao recém-nascido.
E o meu pai, com um enorme sorriso: TOMÉ! Que outro nome poderia dar-lhe?

O carinho e o apoio foram de tal ordem que por lá ficámos! Continuamos a ser portugueses mas, em tudo o mais, somos de São Tomé! Com muito orgulho!

Minha mãe tem seus alunos. Meu pai, além dos cafezais, diverte-se com o cacau.
Eu, depois de estudos em Lisboa, trabalho na informática de que este país tanto precisa.
Mas do que gosto mesmo é deste mar fabuloso! Só vendo: não dá para contar!...

Tomé
(Português nascido por acaso em S. Tomé, sua terra adoptiva)

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Conheci o Tomé, por mero acaso, numa esplanada à beira Tejo, com um grupo de amigos.
Na altura comentámos como aquilo que parece um azar se pode transformar no oposto...
Houve até quem citasse Einstein, que terá afirmado que "Deus joga aos dados"...
Linda discussão, que não leva a lado nenhum... Nem os matemáticos das teorias do caos se atrevem a confirmar ou desmentir...
E vale a pena? Sei lá eu...
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Re: A Vida é uma roleta russa?

Mensagempor em Terça Out 27, 2009 4:40 am

AMIGO ARMANDO

ESSA HISTORIA LINDA POSSIVELMENTE DAVA PARA UM LIVRO.
ABRAÇOS.

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