AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:11 pm


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Séclo XVII
A liberdade de interpretação

Imagem Capela de Santo Amaro,
Lisboa, 1670 · 1680
Em Portugal os pintores de azulejos serviam-se de gravuras de ornamentos que lhes chegavam da Europa para criarem revestimentos cerâmicos destinados a grandes superfícies parietais, trabalho que obrigava a uma imaginativa transposição de escala.
Entre estes destacam-se no séclo XVII os chamados ?grotescos", motivos profanos da antiga Roma recuperados pelo pintor Rafael, no séclo XVI, para decorações do Vaticano. Divulgadas na Europa, em Portugal foram usados no revestimento de igrejas, embora envolvendo temas religiosos.
Pelo seu carácter fantástico, eram os ?grotescos" do agrado de um povo que contactava culturas distantes. Daí que os pintores de azulejos se inspirassem igualmente nas ?chitas", exóticos tecidos estampados provenientes da Índia que em Portugal se usaram como frontais de altar, transpondo-os para cerâmica, aliando-se por vezes a temas ocidentais e ajustando-se a uma simbologia católica, no que é uma das mais interessantes evidências de transculturação nas artes decorativas portuguesas.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:14 pm

Séc. XVII
A diversidade da figuração

Imagem
«Galeria das Artes»,
Palácio Fronteira, Lisboa, c. 1670


Sendo os azulejos figurativos concebidos em sintonia com o espaço, sagrado ou civil, a que se destinavam, constituíram-se nas oficinas verdadeiros repertórios de gravuras, utilizadas em diferentes encomendas.
Cenas religiosas, de caça, guerreiras, mitológicas e satíricas, eram transpostas para azulejo, interpretadas em colorido livre por artífices sem formação académica, aplicadas em grandes superfícies arquitectónicas ou, em escala mais reduzida, substituindo a pintura a óleo de tradição europeia.
A Igreja encomendou pequenos painéis avulsos com figuras de santos, emblemas e cenas narrativas religiosas, ainda em pintura ingénua se comparada com os grandes ciclos religiosos do séc. seguinte.
A Nobreza era o encomendante do azulejo profano, que destinava à decoração dos novos espaços palacianos que construiu em Lisboa e no campo após a Restauração da Independência de Portugal da coroa espanhola em 1640.
O palácio dos Marqueses de Fronteira em Lisboa, é um dos mais significativos núcleos da época e nele surgem, a par dos temas mitológicos e de batalhas, as cenas satíricas designadas por ?macacarias", carregadas de ironia e sentido de ?disparate".


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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:16 pm

Imagem
Igreja da «Madre de Deus»,
Lisboa, c. 1700.


Séculos XVII · XVIII
As obras encomendadas na Holanda


A partir do último quartel do séc. XVII e durante quase cinquenta anos, importaram-se dos Países Baixos conjuntos monumentais de azulejos.
Concebidos por pintores qualificados como Willem van der Kloet e Jan van Oort, a superioridade técnica dos azulejos holandeses bem como a sua pintura a azul, citando a porcelana da China, foram do agrado do público português. Para este sucesso contribuíu o esforço de aproximação ao nosso gosto, na realização de conjuntos monumentais.
Estas importações obrigaram à reacção das oficinas nacionais, que chamam a si pintores com formação na pintura académica, respondendo assim a uma clientela agora mais exigente, e perante os novos azulejos portugueses assistiu-se ao abandono natural das importações, datando a última grande encomenda de 1715.
Para além dos grandes painéis figurativos, chegaram-nos também dos Países Baixos azulejos comuns, chamados de ?figura avulsa", cada um representando uma cena autónoma, produção intimista própria ao gosto holandês, mas aplicados em Portugal de acordo com a nossa tradição, com molduras pintadas no azulejo.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:20 pm

Imagem Cena Mitológica, Gabriel del Barco,
c. 1695, MNA inv. 900.Imagem «Conquista de Lisboa»,
Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa,
Manuel dos Santos, c. 1710.

Séc. XVIII
O Ciclo dos Mestres


Imagem Quinta da Capela,
Sintra, António de Oliveira Bernardes,
primeiro quartel do séc. XVIII

No início de setecentos, o pintor de azulejo volta a assumir o estatuto de artista assinando, com frequência, os seus painéis.
O percursor desta situação foi o espanhol Gabriel del Barco, activo em Portugal em finais do séc. XVII, introduzindo um gosto por envolvimento decorativo mais exuberante, e uma pintura liberta do contorno rigoroso do desenho.
Estas inovações abriram caminho a outros artistas, dando início a um período áureo da azulejaria portuguesa — o Ciclo dos Mestres — reacção às importações holandesas, tendo os pintores aplicado às suas obras uma original espontaniedade na utilização mais livre e pictórica das gravuras, e na criatividade das composições de azulejos ajustadas aos espaços arquitectónicos.
António Pereira, Manuel dos Santos e o monogramista PMP, são os pintores mais importantes, devendo-se, no entanto, destacar António de Oliveira Bernardes e o seu filho Policarpo de Oliveira Bernardes.
Exímio na composição, António foi o Mestre por excelência na modelação das figuras e tratamento dos espaços envolventes, e com a sua grande capacidade técnica e artística, o principal responsável pelas mais sofisticadas criações da azulejaria figurativa portuguesa deste período.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:23 pm

Séc. XVIII
A Grande Produção Joanina


Imagem «Albarradas», Paço dos Arcebispos,
igreja, Santo Antão do Tojal,
primeira metade do séc. XVIII.

Imagem Figuras de convite, Paço dos Arcebispos,
escadaria, Santo Antão do Tojal, c. 1730.

No segundo quartel do séc. XVIII assistiu-se a um aumento sem precedentes do fabrico de azulejos, o que se ficou, também, a dever a grandes encomendas chegadas do Brasil.
É o período da Grande Produção, em parte
coincidente com o reinado de D. João V (1706-1750), a que correspondeu o uso dos maiores ciclos de painéis historiados jamais executados em Portugal.
O aumento da produção conduziu à repetição das figurações, ao recurso a motivos seriados como albarradas e à simplificação da pintura das cenas, ganhando as molduras grande importância cenográfica.
Num prolongamento do Ciclo dos Mestres, evidenciam-se, ainda, pela qualidade da obra, alguns pintores como Nicolau de Freitas, Teotónio dos Santos ou Valentim de Almeida.
A par dos temas religiosos encomendados pela Igreja, utilizam-se agora para os palácios mais cenas bucólicas, mitológicas, de caça e guerreiras, ou relacionadas com um dia a dia cortesão, bem patente nas chamadas figuras de convite colocadas nas entradas.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:25 pm

Séc. XVIII
O Rocócó


Imagem Quinta dos Azulejos,
Lisboa, terceiro quartel do séc. XVIII.

Em meados do séc. dão-se mudanças no gosto da sociedade portuguesa com a adopção de uma gramática decorativa influenciada pelo estilo Regência francês, mas sobretudo pelo Rocócó, através de gravuras provenientes da Europa central.
A preferência por formas orgânicas cujo exemplo típico é o concheado irregular, verifica-se em composições delicadas onde os efeitos decorativos são alcançados pelo emprego de dois tons contrastantes de azul, e depois pelo uso de várias cores.
Os painéis figurativos da época mostram, maioritariamente, cenas galantes e bucólicas, vindas de gravuras de Watteau.
O Terramoto que destruiu Lisboa em 1755 obrigou à reconstrução da cidade sendo para esse efeito recuperada a padronagem como meio capaz de animar uma Arquitectura que, pela urgência da reedificação, se tornara muito depurada e funcional. Este tipo de azulejo ficou conhecido como pombalino, designação proveniente do nome do ministro do rei D. José I (r. 1750-1777), responsável pela reconstrução de Lisboa, o Marquês de Pombal.
A par dos temas religiosos nas igrejas, tiveram grande divulgação pequenos painéis de devoção ou registos, colocados nas fachadas dos edifícios como protecção contra as grandes catástrofes.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:27 pm

Séculos XVIII · XIX
O Neoclássico


Imagem Igreja de São Julião,
Mafra,
1807 · 1808.

No final do século XVIII e com origem, em grande parte, na Real Fábrica de Louça do Rato, de Lisboa, a azulejaria assimila o neoclassicismo, estilo internacional divulgado através das gravuras de Robert e James Adam, e associado no azulejo português com paisagens executadas por Jean Pillement.
Os painéis cerâmicos são agora silhares baixos e articulam-se com a pintura a fresco, de que citam os fundos brancos, desadornados, dotando-se de uma leveza e de uma profusa variedade de temas e composições que tornam esta produção uma das mais surpreendentes.
Os painéis são preenchidos com ornatos leves, de requintada policromia e sem expressão de volume, marcando-se os centros com medalhões monocromáticos de execução caligráfica, correspondendo ao gosto da nova burguesia que surge também como importante encomendante de azulejos.
Estes narram histórias de ascensões sociais, representam figuras elegantes da época, enquanto a Igreja não abandona os tradicionais ciclos religiosos e a nobreza os temas anteriormente preferidos.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:29 pm

Século XIX
As fachadas de azulejo


Imagem Fachada de azulejos,
Largo Rafael Bordalo Pinheiro,
Lisboa, Ferreira das Tabuletas, 1864.

Com a afirmação definitiva de uma burguesia ligada ao comércio e à indústria, (re)nascida do caos económico em que Portugal ficou mergulhado após as invasões francesas (1807-1811) e a guerra civil entre absolutistas e liberais (1832-1834), existe um novo uso do azulejo.
Na segunda metade do século XIX o azulejo de padrão, de menor custo, cobre milhares de fachadas, produzido por fábricas de Lisboa — Viúva Lamego, Sacavém, Constância, Roseira — do Porto e Gaia — Massarelos, Devezas.
Utilizando técnicas semi-industriais ou industriais, permitindo uma maior rapidez e rigor de produção, as fachadas com azulejo de padrão e cercaduras delimitando as portas e janelas, são elementos fundamentais, através da cor e variações de luz, da identidade urbana em Portugal.
Concentrando-se principalmente as unidades fabris no Porto e Lisboa, definiram-se duas sensibilidades. No norte é característico o recurso a relevos pronunciados, num gosto pelo volume e pelo contraste de luz e sombra; no sul
mantêm-se as padronagens lisas de memória antiga, transpondo-as dos espaços interiores, para uma quase ostensiva aplicação exterior nas fachadas.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:30 pm

Séculos XIX · XX
Os ecletismos


Imagem «Adamastor», Palace Hotel de Buçaco,
Jorge Colaço, Fábrica de Sacavém, 1907.

A arquitectura assume através das fachadas austeras a função de suporte de figurações diversas.
O preenchimento das paredes de simples prédios de aluguer, associado à produção fabril de motivos repetitivos, não impediu a realização de composições ?de autor", destacando-se Luís Ferreira (1807-?), conhecido como Ferreira das Tabuletas, com os seus exuberantes painéis com vasos de flores, árvores e figuras alegóricas, tratadas em ?trompe l?oeil", obras verdadeiramente originais, directamente pintadas pelo autor, reflexo da cultura eclética do Romantismo que marcou a sociedade portuguesa na segunda metade do século XIX.
Prolongando este gosto deve lembrar-se Jorge Colaço (1868-1942), pintor com trabalho na pintura a óleo, que ficou notável como autor de grandes composições de azulejo, na Fábrica de Sacavém e depois na Fábrica Lusitânia, ambas em Lisboa. A sua obra cerâmica fez permanecer, já em pleno século XX, um gosto assumidamente historicista, de concepção tardo-romântica que visava enaltecer figuras e episódios relevantes da identidade pátria.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Domingo Set 12, 2010 7:33 pm

Século XX
De Rafael Bordalo Pinheiro
a Jorge Barradas


Imagem «Lisbonne aux mille couleurs»,
Paolo Ferreira, 1937

Os Revivalismos eclécticos e as fachadas de azulejo, prolongar-se-ão nas três primeiras décadas do século XX.
Rafael Bordalo Pinheiro (1847-1905) tentará uma experiência de produção de Cerâmica Artística na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha onde serão produzidos azulejos Arte Nova.
Em 1937, no Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Paris, é apresentado o painel ?Lisbonne aux Mille Couleurs" do pintor Paolo Ferreira (1911-1999), integrado numa arquitectura moderna e numa linguagem francamente modernista.
Caberá contudo a Jorge Barradas (1894-1971) a grande revitalização da Cerâmica Artística em Portugal, moderna na realização e aplicação arquitectónica.
A sua actividade, muito centrada numa estilização figurativa e numa sofisticada procura de efeitos cerâmicos, iniciou-se em 1945 e, trabalhando na Fábrica Viúva Lamego, tornou-se um Mestre da Cerâmica para jovens artistas que se revelariam no pós-guerra.


Imagem Nossa Senhora com o Menino,
Jorge Barradas, meados do século XX,
Museu da Cidade, Lisboa.
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Segunda Set 13, 2010 7:10 am

Vida de S. Paulo Eremita III
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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Segunda Set 13, 2010 7:13 am

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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Segunda Set 13, 2010 7:14 am

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Re: AZULEJARIA - IMAGENS DE AZULEJOS PORTUGUESES

Mensagempor em Segunda Set 13, 2010 7:15 am

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