BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Dez 04, 2010 7:24 pm

Bigamia Burguesa Angolana

Numa viajem para um país europeu, embarcou no avião um dirigente já bastante doente, que ao chegar perto do destino, marchou, check-in só de ida.Depois das complicações burocrática no aeroporto, o corpo ficou em câmara ardente numa das salas da embaixada. E aí começou a maka (confusão).
O homem estava casado com uma e vivia amigado com outra, com filhos de ambos os lados. Uma dizia que era ela quem lhe aquecia a cama e por isso tinha o direito de ficar para as condolências sentada no sofá preparado para o efeito. A outra, dizia, que nem pensar, ela era a primeira e papel passado, mãe dos seus filhos legítimos e se agora não lhe aquecia a cama era porque essa kitata da tuji (prostituta de m....) o tinha seduzido, gritando em pleno gabinete do embaixador que a tipa abria a dibanga ("abria as pernas) para todo o mundo. O embaixador viu-se aflito para resolver tão delicado assunto, tanto mais que estavam para chegar altas individualidades para homenagear o corpo do falecido.
Depois de muitos gritos e xinguilamentos à mistura, estiveram quase a chegar a vias de facto, ainda voaram umas estenções de cabelos brasileiros, conseguiu o diplomata parar o escândalo, prpondo e foi finalmente aceite, que uma ficaria a velar o morto das nove às doze e a outra das quatorze às dezassete horas. Já viram a complicação que dá ser adepto da bigamia para os que cá ficam a aguardar a sua vez?

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Cena bíblica: Jacó e suas duas mulheres
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Re: BIGAMIA e ALAMBAMENTO

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Dez 04, 2010 9:11 pm

Alambamento: Casamento tradicional é abençoado com dólares

Até aos anos 80,o alembamento resumia-se a uma celebração para as famílias dos futuros casais e as coisas impostas pela família da noiva resumiam-se a uma pequena “cesta básica”. Uma muda de pano para a mãe ou tia da rapariga, um garrafão de vinho para os pais e os tios. Mas no Norte de Angola, o alembamento sempre teve um dote mais pesado.
Nos dias de hoje, o alembamento é uma “fortuna”. Algumas famílias exigem ao noivo valores exorbitantes. Zambrotta dos Santos sabia de antemão que tinha de pagar uma multa, pelo facto da rapariga com quem pretendia casar se encontrar grávida: “como namorámos dez anos, achei que a multa não seria exigida”, disse, considerando-se felizardo pelo facto da família da mulher não ter feito grandes exigências no alembamento: “foi uma cerimónia informal, porque as famílias já se conheciam. Mas como eu engravidei a moça antes do pedido e na região do pai dela se exigia este ritual, então só tive de ***prir o que já estava estabelecido para não quebrar as regras”, explicou.

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Entrada da noiva com dançarinas

O alembamento é a oficialização do casamento tradicional entre duas pessoas. O antropólogo Afonso Teca disse que a sua concretização só é possível depois da resposta dos familiares da noiva, após uma carta do rapaz. A carta, por exemplo, na região da Damba, província do Uíge, deve fazer-se acompanhar de uma garrafa de whisky e 250 dólares. O whisky é uma bebida importada e o dólar uma moeda estrangeira, mas há quem chame a isto “tradicional”.
Afonso Teca diz que “só depois da resposta é que o rapaz e a família se apresentam em casa da moça com os bens exigidos para a realização do acto”, disse.
Na Damba são exigidos 450 a 500 dólares para o dote, dois fatos, duas peças de pano do Congo, dois garrafões de vinho, dez grades de cerveja (importada) igual número de grades de gasosas, dois pares de sapatos, dois pares de chinelas, duas garrafas de whisky. Tudo muito tradicional.
O dote também pode incluir um garrafão de maruvu, cola e gengibre, duas galinhas, um petromax e dois lenços de cabeça e de bolso. Este alembamento pode também variar de família para família. Neste caso particular as galinhas simbolizam a fertilidade da mulher.
Na região de Sanza Pombo, província do Uíge, na lista podem constar caixas de fósforos, armas de caça, porcos, cabritos e outros bens. Neste município, diz o antropólogo, as famílias são mais exigentes.

Exagero na cerveja

Algumas famílias muitas das vezes exageram na formalização da lista dos bens para o alembamento. Afonso Teca disse que muitas famílias optaram em juntar os costumes da região da rapariga ou do rapaz, o que torna a lista maior. “Recentemente acompanhei um pedido em que ao rapaz foram exigidas 30 grades de cerveja. Isso é um exagero”. Esta família, argumentou o rapaz, é Bakongo e na sua região as exigências são mais pesadas do que noutras zonas: “neste caso particular, a família da moça juntou o essencial da sua cultura e adicionou alguns bens da cultura do homem. Isso nunca aconteceu em localidade nenhum”, afirmou.
Quanto ao dote, cada família estipula o que lhe interessa: “existem famílias que chegam a pedir mil dólares e o valor pode estar relacionado com as qualidades da noiva”. Este negócio das listas faz pensar que os pais estão a vender a filha. Mas Afonso Teca descansa os mais preocupados com o negócio: “o alembamento é uma simbologia que exprime respeito e admiração e quando o homem não oficializa a sua relação com o alembamento nem sempre a mulher é respeitada dentro de sua casa”.
Afonso Teca revela uma boa notícia: “Hoje muitas famílias já não pedem nada ao moço, o que não quer dizer que o rapaz perca admiração diante da família da mulher”.

O dólar na carta

A exigência do dólar na carta do alembamento deve-se à desvalorização da moeda nacional, que pelos vistos prejudica a tradição. O antropólogo Afonso Teca disse que em muitos pedidos, nem sempre o rapaz paga o dote por completo para permitir que a família da rapariga se desloque à casa do rapaz para analisar as condições sociais em que vive a sua filha.
Dado o tempo que pode levar até à gravidez, se a moeda for o kwanza pode nessa altura ser um valor baixo. Daí a opção pelo dólar, que até à era Mardoff tinha sempre muito valor. “Tradicionalmente o dote não era pago por completo, isto para permitir que a família da moça se deslocasse à casa do rapaz e visse as condições em que a filha vivia e a recepção que lhe era oferecida”, disse. Afonso Teca afirmou ainda que os bens exigidos ao noivo são “símbolos culturais”.

Alembamento em Luanda

Na província de Luanda o pedido depende exclusivamente da rapariga. Para a composição da lista ela também participa na discussão da família. Francisca Pinha tem 69 anos, é natural de Luanda e contou ao Jornal de Angola, que a tradição de Luanda é mais simples do que nas outras províncias.
Francisca Pinha conta que antigamente apesar do pedido ser um acto de valorização da mulher, muitas famílias acabavam por rejeitar o acto. “Havia homens que desrespeitavam e batiam na mulher. E quando a mulher reivindicava ele obrigava os pais da moça a devolver as coisas”, disse.
Esta situação fez com que muitas famílias deixassem de realizar o acto de pedido com bens: “na minha família durante muito tempo nós não realizávamos pedido devido a estes abusos”, explicou.
Na tradição de Luanda, ao homem são exigidos três pares de panos, dez grades de cerveja e gasosa, um garrafão de vinho, um fato para o pai da moça, um par de sapatos, uma camisa branca com gravata, whisky, amarula, aguardente, martini, chinelas ou sandálias para a mãe, dois lenços, o anel de noivado e um dote no valor de 500 dólares.
Francisca Pinha disse que a não realização do pedido nunca representou maldição para o casal, uma vez que o acto em si depende exclusivamente do futuro casal. “Embora seja tradição, se os jovens não quiserem não podem ser obrigados, nós desejamos a felicidade dos nossos filhos”, concluiu
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Re: BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Dez 04, 2010 9:25 pm

Poligamia, do grego muitos matrimônios, é a união reprodutiva entre mais de dois indivíduos de uma espécie.

No reino animal, a poligamia se refere à relação onde os animais mantém mais de um vínculo sexual no período de reprodução. Nos humanos, a poligamia é o casamento entre mais de duas pessoas. Os casos mais típicos são a poliginia, em que um homem é casado com várias mulheres, e a poliandria, em que uma mulher vive casada com vários homens. Não deve confundir-se com o amantismo, que é também comum nas sociedades humanas, mas em que o laço com um parceiro sexual para além do casamento não é, nem aceite pela lei, nem na maior parte das vezes, de conhecimento público. [1].

É permitida por algumas religiões e pela legislação de alguns países.


A poligamia já foi regra nos grupos humanos em estado natural[carece de fontes?]. Durante a história, a poligamia foi amplamente usada, tendo como principal causa a grande diferença numérica entre homens e mulheres ocasionada pelas guerras. Atualmente mesmo em países onde esta é uma pratica legal esta caindo em desuso, sendo amplamente usada somente em áreas de conflito[carece de fontes?].

A questão sempre esteve também no centro do debate religioso. O Velho Testamento fala de um personagem como Jacó, que teve duas mulheres e doze filhos (vários deles com servas). Essa prole viria a dar origem às doze tribos de Israel.

No Islão, por outro lado, ela tem sido praticada desde sempre (o próprio profeta Maomé teve 16 casamentos simultâneos). Hoje, continua a ser adotado em alguns países muçulmanos e em processo de adoção em outros, o costume é regulamentado pelo Alcorão que tolera a poligamia e permite um máximo de 4 esposas.



A poligamia faz parte da cultura de várias sociedades humanas, mas tem geralmente causas económicas. Como consequência das guerras, em que muitos povos estiveram envolvidos e em que participavam principalmente os homens, muitas mulheres (e seus filhos) ficavam viúvas (e órfãos) e uma forma de prestar assistência a essas pessoas sem meios de subsistência, era o casamento. Outras causas incluem o êxodo rural, em que muitos homens trocam o campo pela cidade, ou migram para outros países, em busca de emprego, deixando um "excesso" de mulheres nas aldeias.

Uma das doutrinas adotadas pelos Santos dos Últimos Dias, fundada por Joseph Smith Jr., foi a lei da poligamia, ou casamento plural, pivô de muitos transtornos e perseguições contra os membros da Igreja naquela época. Os Santos dos Últimos dias acreditam que Joseph Smith Jr. foi inspirado por Deus a instituir esta lei, além do embasamento doutrinário citando exemplos do Antigo Testamento, onde Abraão e outros personagens tiveram muitas esposas por mandamento de Deus.

Em razão da forte pressão por parte das autoridades norte-americanas e da perseguição sofrida, esta prática foi abolida pela Igreja na presidência de Wilford Woodruff em 6 de outubro de 1890, através do Manifesto de 1890. A mudança doutrinária deu-se na época em que o território de Utah, onde se concentrava a grande maioria dos membros da Igreja, se candidatava à condição de estado americano e a manutenção de um hábito contrário à opinião pública poderia impedir a pretensão de se estabalecer um "estado mórmon".

Hoje em dia, a prática persiste apenas em grupos dissidentes isolados e não filiados à igreja majoritária, denominados de "mórmons fundamentalistas". Os mesmos vivem em comunidades isoladas nos Estados Unidos e foram excomungados da Igreja majoritária.
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Re: BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Dez 04, 2010 9:33 pm

Poligamia em África

A poligamia é uma prática frequente em África, fazendo parte de muitas culturas. Embora a poliginia seja mais comum, a poliandria também existe. Estas práticas não estão associadas ao patriarcado ou à sociedade matriarcal, ainda existentes em África, mas às condições de vida na zona rural, embora possam verificar-se casos isolados na zona urbana. [1]
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Re: BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Dez 04, 2010 9:40 pm

"Poligamia não deve constituir preocupação social em Angola" P. Carvalho

Há poligamia quando estamos diante de casamentos múltiplos, ou seja, quando uma pessoa possui vários cônjuges. A poligamia é, portanto, um tipo de relacionamento que envolve matrimónio simultâneo com mais de uma pessoa. A poligamia difere da monogamia, que consiste no matrimónio com uma só pessoa.

A opção pela poligamia depende do contexto cultural. Há nomeadamente culturas que aceitam, promovem e incentivam a poligamia. Há, normalmente, razões que determinam a opção social pela poligamia. Dentre elas podem citar-se razões de natureza demográfica, relacionadas com a reprodução e a sobrevivência do grupo ou da comunidade. Há ainda razões de natureza social ou económica que incentivam laços poligâmicos, sendo estes causa de equilíbrio ou de promoção social.

Também há religiões que aceitam e, até, incentivam a poligamia. Pode citar-se o caso do Islão, que permite a poligamia com algumas restrições. Um muçulmano pode casar com até quatro mulheres (nunca o contrário!), pois considera-se o homem ser poligâmico e a mulher, ser monogâmico. A opção islâmica por várias mulheres é justificada pela convicção de que é mais correcto e mais honesto ter várias esposas do que ter amantes. Por outro lado, existe neste caso a imposição de igual tratamento às várias esposas.

Existem dois tipos de poligamia, nomeadamente a poliginia e a poliandria. O tipo de poligamia mais divulgado na literatura antropológica e sociológica é a poliginia, que consiste em um homem possuir várias esposas. Já a poliandria consiste em uma mulher possuir vários maridos.

Os dois tipos de poligamia estão presentes em várias regiões do mundo, havendo inclusivamente casos de legalização de laços poligâmicos. No Ocidente opta-se normalmente pela monogamia, havendo punição em caso de poligamia. Mas isso não significa que não haja excepções a essa regra.

Nos Estados Unidos da América, mais propriamente nos estados de Utah e Arizona, as autoridades judiciais reconhecem a existência de 40 mil pessoas a viverem em famílias poligâmicas, por razões de natureza religiosa. No Reino Unido, muçulmanos com famílias poligâmicas recebem autorização de permanência e têm acesso à assistência social.

Na província russa da Chechénia foi legalizada a poligamia, devido à existência de muito mais mulheres que homens. A medida visa, portanto, fins de natureza socio-demográfica e a estabilidade social, para além de permitir a legalização de perto de meio milhão de crianças anteriormente nascidas fora dos matrimónios.

Pelo que acaba de ser dito, pode concluir-se que a poligamia não apenas não existe somente em África, como existem regiões e países no Hemisfério Norte onde se permite e se incentiva a poligamia (mais particularmente, a poliginia).

EXEMPLOS DE POLIANDRIA

Não há apenas casos de poliginia, motivados por razões de natureza cultural, social, demográfica, económica ou religiosa. Há, também, comunidades onde se incentiva e se promove a poliandria (uma mulher com vários maridos).

Nos Himalaias (norte da Índia), junto à fronteira com o Tibete, existem comunidades que sobrevivem graças à poliandria. Aí, o mais comum é encontrar-se uma mulher com vários maridos – normalmente, irmãos. Também há casos de duas ou três irmãs que partilham meia dúzia de irmãos, garantindo assim que os bens das duas famílias se juntem e solidifiquem a posição social e económica da nova família. Os filhos são partilhados por todos os pais.

Também no Uzbequistão existem comunidades onde se pratica a poliandria. Aqui, as causas evocadas são de natureza psicológica e económica. Há também razões de natureza cultural que justificam essa opção, pois não é bem visto o homem que é abandonado pela esposa.

POLIGAMIA EM ANGOLA

Em Angola, existem até hoje comunidades poligâmicas, podendo avançar-se razões de natureza demográfica, económica e cultural para tal opção. O mais comum é a poliginia, mas existem também casos de poliandria.

Desde já, é preciso esclarecer que (contrariamente ao que se afirma na comunicação social) a poliginia não ocorre somente em comunidades patriarcais. Inclusivamente por Angola, existe poliginia em sociedades matriarcais. A matrilinearidade tem a ver com direitos de sucessão e de herança, não implicando necessariamente, pela mesma lógica, o género de casamento.

O que temos de admitir é que, em Angola, a poligamia existe em comunidades do meio rural, onde está legalizada no quadro do direito costumeiro. Ali onde existe poligamia, há razão de ser para a sua existência. O costume e a ideia de que sempre foi assim assentam em razões objectivas várias, que já enumerámos acima. E continua a haver vantagens que daí resultam para a família e para a comunidade.

Com o êxodo para aglomerados urbanos, particularmente em consequência da guerra, foram sendo levados costumes rurais para as cidades e vilas angolanas. Porém, pode dizer-se que não existe poligamia em meio urbano angolano, em proporção que aconselharia preocupação social. Os casos que existem não passam de casos isolados, sem qualquer reflexo do ponto de vista estatístico ou sociológico.

Contudo, é preciso mencionar que para que se fale em poligamia, a relação entre mais de duas pessoas tem necessariamente de ser uma relação matrimonial. Se para além do cônjuge, alguém tem um (ou uma) amante, não estamos em presença de relação poligâmica. Mesmo que a relação com o (ou a) amante seja duradoira, não há com ele (ou ela) matrimónio, portanto, trata-se de uma relação sem conhecimento e sem aceitação social.

Apesar de ser mais comum este tipo de relação, a partir do momento em que não estamos diante de matrimónio entre mais de duas pessoas, trata-se de opções pessoais de vida, que não têm de constituir problema social.

Em conclusão, pode dizer-se que existe poligamia em meio rural angolano, justificada por razões de diversa natureza – desde demográfica a cultural, passando por razões de natureza económica e social. Em meio urbano angolano, a poligamia é um fenóme*****ja dimensão sociológica é inexpressiva, razão pela qual não deve constituir preocupação social.


Fonte:Semanário Angolense
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Re: BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor Diana Silva em Sábado Dez 04, 2010 9:50 pm

Poligamia ou a lei do mais forte - Welwitschea dos Santos [color=#FF80BF]"Tchizé" [/color]

Luanda - Vivemos numa sociedade onde assistimos, em várias famílias, ao domínio dos mais fortes sobre os mais fracos, como se vivêssemos numa selva. O homem é o mais forte, logo pode subjugar a esposa, os filhos, os idosos e, em alguns casos, os vizinhos. A esposa é a segunda mais forte, então pode subjugar os filhos e os idosos. Quando os filhos crescem e ganham força e tamanho, são eles a subjugar os pais e os avós, chegando inclusive a agredir e saquear os seus progenitores, porque, segundo a lei da selva, os mais fortes é que estipulam as regras e não o bom senso e a ética.


Num lar onde o pai aparece uma vez por semana, que moral tem para repor a ordem? Assistimos a inúmeros casos de pais ausentes que se dividem entre dois e três lares, indiferentes aos problemas das famílias que constituíram ou incapazes de dar a devida atenção às companheiras. Como consequência dessa dispersão, as mulheres ficam frustradas e ao fim do dia despejam toda a sua raiva sobre as crianças. Fruto desta situação, há mulheres que têm de deixar os filhos bebés ao abandono para se dedicarem a longas e duras jornadas de trabalho e garantirem o pão da família. Quando chegam a casa, de noite, não contam com o apoio do pai das crianças, muito menos com a sua presença ou algum aconchego.

Nenhum pai quer uma vida assim para a sua filha. Nenhum filho quer ver a sua mãe nesta situação. Os homens e a sociedade, em geral, têm de pensar e reflectir sobre o sofrimento e subdesenvolvimento que este comportamento está a causar. Em muitos casos, a mulher só se submete a esta situação por questões financeiras ou por razões de estatuto social. Há casos em que a submissão tem origem no analfabetismo ou na baixa formação académica. Ambas contribuem para que a mulher desconheça os seus direitos e viva uma vida de subjugação e desgraça. Este caminho leva a que muitas vezes ponha a sua saúde e a sua segurança em risco por causa da violência doméstica física ou psicológica, que é uma realidade em grande parte dos lares “polígamos”.

Há quem justifique a poligamia com a tradição, mas não podemos renegar a nossa História e a evolução da nossa sociedade e do mundo. Vou citar um exemplo para melhor me explicar. A Espanha sofreu uma ocupação árabe que durou vários séculos. Quando se vai a Espanha é inevitável perceber a herança da ocupação. Famílias e cidades com nomes provenientes do árabe, como “Almodovar”, “Benalmádena”, “Alicante”, “Núria”, cidades no Sul de Espanha que mais se assemelham a Marrocos do que a qualquer outro país europeu pela sua arquitectura mourisca, milhões de homens e mulheres espanhóis que pela sua fisionomia passariam por árabes em qualquer parte do Mundo e, inclusive, arrisco dizer que o conceito de “macho latino” tem uma influência da cultura e dos hábitos mouros.

Ora, Angola sofreu igualmente uma ocupação portuguesa que durou quase cinco séculos. O nosso país jamais será o mesmo depois deste facto histórico. Vários dos nossos reis e rainhas foram baptizados. A maioria dos angolanos tem pelo menos um nome português. Aprendemos a falar uma nova língua para além das nossas línguas nacionais e a expansão da fé cristã no nosso país contribuiu para fazer proliferar e prevalecer princípios com base na doutrina da Igreja Católica, que estão muito enraizados na nossa sociedade. Estas mudanças são irreversíveis. A nossa tradição já não é a mesma. E se evoluiu no passado “contaminada” por essas influências, hoje deve reajustar-se à globalização, à Convenção dos Direitos Humanos e ao desenvolvimento, que todos almejamos para o nosso país.
Há homens que declaram que as suas esposas oficiais “aceitam” o facto de eles terem uma segunda família. Neste caso, é um “direito” da esposa oficial optar pela sujeição àquela situação, na maioria das vezes para proteger a estabilidade emocional e económica dos seus filhos e a sua própria “imagem social”. Usei a expressão “sujeição”, porque mais de 90% das mulheres angolanas que constituem família, sonham ter um marido só para si, que as respeite e se dedique integralmente a um projecto comum.

Podemos até admitir que existem casais que entendam de mútuo acordo viver um estilo de vida alternativo, à semelhança de algumas comunidades rurais nas quais o homem vive com várias companheiras na mesma casa, ou que à semelhança do que se passa no Ocidente, existam casais que se dedicam ao swing, trocando a sua esposa ou esposo com a esposa ou esposo do vizinho. São opções que têm as suas consequências e não podemos torná-las numa conduta legal e recomendável.

Há quem defenda que a guerra fez com que houvesse um maior número de mulheres do que homens e que 50 a 60% dos homens angolanos têm mais de uma mulher. Um estudo, elaborado pela Marktest na cidade de Luanda, a cuja apresentação assisti, estima que Luanda tem aproximadamente cinco milhões e quinhentos mil habitantes, dos quais aproximadamente 49% são homens (2.695.000) e 51% são mulheres (2.805.000). Se 50% dos homens (1.347.500) tiverem duas mulheres, então seriam necessárias 2.695.000 mulheres para satisfazer 50% dos homens luandenses, sendo que os restantes 50% dos homens (1.347.500) teria apenas cento e dez mil mulheres (110.000 mulheres) para “disputar”.
Se supusermos que 60% dos homens de Luanda (1.617.000 homens) têm duas mulheres, então seriam necessárias 3.234.000 mulheres para satisfazer as “necessidades” bígamas destes luandenses. Mas Luanda tem apenas 2.805.000 mulheres, o que significa que 429.000 das mulheres dos bígamos estariam a “enfeitar a cabeça” dos maridos, mantendo uma segunda relação com outro homem que se julgaria igualmente seu esposo.

Isto sem falar nos restantes 40% dos homens, que viveriam uma vida inteira sem ter uma mulher a quem chamar sua esposa. Nessa realidade tinham de satisfazer as suas necessidades afectivas e “biológicas” com as esposas dos outros 60% (homens bígamos). Esse quadro hipotético aumentava ainda mais o adultério, dava lugar à poliandria, às violações sexuais e ao aumento de casos de ....

Cheguei a colocar a hipótese do diferencial estar nos ...mas, feitas as contas, a .... existe tanto no feminino como no masculino. Tive de concluir que em termos percentuais, os cálculos não mudariam nada, excluiríamos apenas 20% dos homens e 20% das mulheres por se estimar que 20% da população mundial é ....
Gostaria de analisar um célebre argumento sobre as consequências da guerra na poligamia. Um angolano de 25 anos (nascido em 1984), que se recenseou em 2002, em plena paz, já não tem a “sorte” de escolher entre duas ou três namoradas, com o argumento que “a guerra fez com que existam poucos homens”, pelo simples facto de que as jovens desta geração já não aceitarem, de ânimo leve, este argumento, sendo que na sua geração já não existe a tal “falta de homens” que tanto se falava nos anos noventa. A guerra já acabou há praticamente sete anos. Está na hora de curar as feridas profundas que ela deixou na nossa sociedade. Está na hora de resgatar as famílias angolanas e desenvolver valores humanos e éticos no seu seio.

As mulheres de hoje querem estudar, trabalhar, lutam para ter a sua independência financeira. Para além disso, através da televisão, literatura e Internet sabem o que se passa nos países mais desenvolvidos e exigem respeito pelos seus direitos. Por esta razão, há cada vez mais mulheres que não se sujeitam a um marido polígamo ou a serem vítimas de violência doméstica, porque neste momento, todos nós temos consciência de que a poligamia só contribui para aumentar os índices de HIV/SIDA e para empobrecer as famílias angolanas e consequentemente empobrecer o país. Porque com o custo de vida actual, onde come um já não comem dois…


Fonte: Jornal de Angola
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Re: BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor LILI em Domingo Dez 05, 2010 4:59 pm

OS ANGOLANOS, COMO TODOS OS HOMENS, SÃO SERES POLIGAMOS E PULAM A CERCA,...

Fonte: Semanário Angonotícias

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Re: BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor Vitor Oliveira em Terça Dez 07, 2010 6:59 pm

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No Sul de Angola, lá para as bandas da Huíla, existem estas personagens simpáticas. A poligamia é um direito histórico respeitado. Assim um homem tem tantas esposas, conforme a fortuna o permitir. Normalmente a mulher mais velha é a administradora do património conjugal. Esse pecúlio revela-se através do número de vacas e bois que a família possui; essa revelação é notada na quantidade de argolas que ornamentam os braços e pernas das mulheres. Assim, quanto mais argolas usarem, maior a fortuna familiar.
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Re: BIGAMIA - ALAMBAMENTO - POLIGAMIA

Mensagempor paulo gonçalves em Quinta Jun 02, 2011 9:13 pm

Desigualdade na Europa permite bigamia

A possibilidade da bigamia “legal” é só um dos imbróglios jurídicos suscitados pela desigualdade na UE quanto ao reconhecimento dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em teoria, nos países em que esse tipo de união não é re- conhecida juridicamente – caso de Portugal – um nacional casado com uma pessoa do mesmo sexo numa nação que a permite poderá celebrar novo casamento com uma pessoa de outro sexo.
Por outro lado, se dentro do espaço da UE o cônjuge estrangeiro de um nacional de um determinado país tem direito de residência, essa prerrogativa só se aplica, nos Estados membros que não reconhecem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aos cônjuges de sexo diferente. Em 2003, o Parlamento Europeu propôs que este direito fosse alargado a todos os cônjuges mas a Comissão Europeia recusou, apesar de assegurar aos cônjuges dos seus funcionários, independentemente da diferença de sexo, os mesmos direitos.
Desunião europeia. A confusão já existente tenderá a adensar-se à medida que as alterações legislativas no sentido do reconhecimento do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo “alastra” na UE – desde que a Holanda inaugurou a tendência, em 2001, mais três países (Bélgica, Espanha e Reino Unido) seguiram-lhe o exemplo e dois mais (Suécia e Noruega) deverão fazê-lo em breve, o que equivalerá a um quarto da União, aumentando a pressão sobre os outros países.
É o caso de Portugal quatro anos após ganharem a batalha pela aprovação de uma lei da união de facto que inclui casais do mesmo sexo, as organizações LGBT (de defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgénero) colocaram o casamento na agenda, fazendo circular uma petição que, invocando o princípio constitucional de não discriminação com base na orientação sexual (consignado na revisão de 2004), considera nula a norma do Código Civil que estabelece que o casamento só pode celebrar-se entre pessoas de sexo diferente e requer a discussão da matéria no Parlamento.
A ILGA-Portugal assegura que as quatro mil assinaturas necessárias foram já recolhidas. Entretanto, vários dirigentes partidários – incluindo agora um membro do governo (ver entrevista de Jorge Lacão) – reconheceram já a inconstitucionalidade da dita norma. É o caso de Odete Santos, do PCP, de Ana Drago, do BE, e do líder da JS, Pedro Nuno Santos. Este último frisa ser seu objectivo levar o tema ao Parlamento ainda nesta legislatura e “acreditar na vitória”, apesar de reconhecer a divisão do PS na matéria. “Muitos deputados terão vergonha de lutar contra isto”, diz.
União homossexual já é legal? A alteração legislativa em seio do Parlamento não é porém o único modo de mudar o Código Civil. Outra hipótese é a de a dita norma ser considerada não conforme com lei fundamental pelo Tribunal Constitucional. Para que este se pronuncie, basta que 23 deputados ou o provedor de Justiça o solicitem.
O segundo caso não é provável Nascimento Rodrigues, quer na resposta ao requerimento de um português casado com um holandês que queria ver a sua união inscrita no seu BI quer ao pedido de esclarecimento do DN sobre a constitucionalidade da norma, respondeu não poder pronunciar-se por se tratar de “uma opção política” que “cabe aos legisladores”.
Uma resposta que suscita estranheza ao assessor do Tribunal Constitucional José Manuel Vila Longa “Existem instâncias para fiscalizar as leis, e uma delas é o provedor. Por essa ordem de ideias, nunca suscitava a fiscalização de nada.” Vila Longa não só reputa a norma de inconstitucional como assegura “ser muito difícil ou mesmo impossível defender, em termos jurídicos, a sua constitucionalidade”.
Mais longe vai o especialista de direito de família Carlos Pamplona Côrte-Real. “Estando as autoridades públicas obrigadas a respeitar e ***prir a Constituição, qualquer conservador do registo civil pode celebrar um casamento entre pessoas do mesmo sexo, hoje, em Portugal.” Uma asserção que Helena Carita, da Associação Sindical dos Conservadores, considera “interessante”. “Nunca a ponderei, mas à partida parece-me que não nos cabe fazer interpretações da Constituição.” A jurista diz preferir “esperar” que seja alterada a lei, facto que considera inevitável. “Creio que é o futuro, não estou a ver que consigamos ficar de fora dessa onda que varre a Europa.”

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paulo gonçalves
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