CIRCUNCISÃO

CIRCUNCISÃO

Mensagempor Vitor Oliveira em Domingo Nov 28, 2010 5:46 pm

Imagem

Um olhar à circuncisão masculina do povo chokwe

A circuncisão masculina na etnia chokwe, no Leste de Angola, é uma das maiores provas submetidas aos adolescentes. Apesar de ser uma prática comum para os chokwe, o processo constitui um autêntico calvário.
O mais agravante não é a forma como é feita a pequena cirurgia, mas as regras impostas aos circuncidados durante o período de permanência no (mukanda) acampamento.
A operação, que termina com a remoção do prepúcio que cobre o órgão masculino, é feita a sangue frio, para que o circuncidado se habitue a situações adversas, como sofrimento e dor. O circuncidado que resistir às dores e não chorar durante a cirurgia é considerado homem destemido.
As regras de convivência começam com a aprendizagem da nova linguagem, onde ao circuncidado (candanji), como é chamado na língua chokwe, só é permitido falar ou divulgar alguns objectos comuns, usando apenas a expressão permitida. O não ***primento desta regra implica castigo severo.
O respeito e a honra aos que já passaram pelo teste constituem para os recrutas um imperativo que não pode ser violado.
A maior veneração é dada ao dono do acampamento (chijica mukanda), carinhosamente chamado (kaka), em português avó. O homem com este estatuto, segundo as normas, é digno de homenagem quando se aproxima ao local. A pessoa indicada para tomar conta do rapaz é o protector (chilombola), ou seja mano, e a ele é devido todo o respeito por parte do seu protegido, mesmo já fora do seu cuidado.
Tumba cambungo é o líder do grupo dos candanji e é escolhido entre os sobrinhos ou netos do chijica mukanda, dono do acampamento. Mas a lei não permite que seja o filho.
Nos primeiros meses, os instruendos são proibidos de tomar banho e de lavar as mãos antes e depois da refeição. O banho só é permitido com o decreto do chijica mukanda, dono do arraial.
Desde o primeiro dia em que é feita a cirurgia do prepúcio, a dieta alimentar para os circuncidados passa pela responsabilidade da esposa do chijica mukanda, que chamam de nachifa, ficando o casal proibido de qualquer acto sexual.
Esta medida, segundo as regras, visa proteger o recruta (candanji) até a cicatrização dos ferimentos.
Ao local só têm acesso pessoas devidamente identificadas. E se por acaso aparecer algum estranho, como regra, deve imediatamente responder às perguntas que lhe forem colocadas e o sinal que mostra a prova da cirurgia do prepúcio.
Caso não souber responder as perguntas e decifrar os sinais, segundo a linguagem falada no mukanda, é açoitado, devido ao seu atrevimento. Durante o tempo em que o circuncidado (candanji) permanecer no (mukanda) acampamento, está proibido de se avistar com mulheres, principalmente a mãe.
As únicas mulheres permitidas, de acordo com o regulamento, são as avós, primas, cunhadas e as irmãs de menor idade.
Conversa sobre assuntos de mulheres ou manter o órgão masculino erecto, uma vez constatado pelo chilombola (protector), ao circuncidado (candanji) é aplicada uma pena grave.
As regras são observadas com muito rigor. Se um recruta infringir uma das regras é castigado sem tréguas, mesmo com a presença do pai. Todo cuidado é lícito a favor da lei e não do circuncidado.
Caso um dos circuncidados morra no acto de cirurgia, por doença ou espancamento, o facto fica apenas entre os homens que frequentam o local.
A mãe continua a enviar mantimentos ao (mukanda) acampamento, sem saber da morte do filho. O segredo só é desvendado no dia do regresso à aldeia.
As regras estabelecidas interferem nos hábitos alimentares. Ninguém está autorizado a comer fora do horário estabelecido.
No momento da refeição, se a um dos mancebos escapa uma bola de funje para o chão, todos estão sujeitos a abandonar a comida e escoltados de imediato com uma boa surra. Qualquer erro cometido por alguém é pago por todos.
De acordo com as opiniões de várias pessoas contactadas pelo Jornal de Angola, as regras impostas na circuncisão masculina chokwe visam essencialmente disciplinar o mancebo, para que, no futuro, seja um indivíduo íntegro para a sociedade.
“O ouro só tem brilho quando passa pela fornalha”, disse João Mutaleno, que considera a circuncisão chokwe como um centro de reeducação.
Voltar a casa, são e salvo, mostra a prova do ***primento das normas, que o circuncidado teve que aturar até ao fim.






A CIRCUNCISÃO
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: HÁBITOS E COSTUMES ANGOLANOS

Mensagempor Vitor Oliveira em Domingo Nov 28, 2010 5:49 pm

A CIRCUNCISÃO
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: HÁBITOS E COSTUMES ANGOLANOS

Mensagempor francisco cachipemba em Sábado Dez 04, 2010 5:51 pm

Circuncisão masculina, escudo contra o HIV?
LUANDA, 15 Fevereiro (PLUSNEWS) - As amigas Paula e Marta (nomes fictícios) dão risadinhas quando sugerimos que elas poderiam ter curtido o sexo com um homem não circuncidado; as duas disseram que só tentaram uma vez.
Imagem
“Aquele pedacinho de pele machuca”, explica Marta, uma empregada doméstica de 28 anos que trabalha na capital. “Ninguém tinha me avisado que era doloroso para a mulher. Eu não vou querer fazer isso de novo”.

O PlusNews entrevistou cerca de 12 angolanas, escolhidas ao acaso, e esta pesquisa informal mostrou que a maioria delas prefere um homem circuncidado como parceiro sexual. As razões mencionadas foram, entre outras, a impressão de uma melhor higiene e maior virilidade, e uma estética mais agradável.

Estas preferências refletem a realidade em Angola, onde cerca de 90 por cento dos homens são circuncidados, segundo Américo Kwononoka, diretor do Museu Nacional de Antropologia.

Para a maioria dos grupos étnicos, principalmente nas áreas rurais, a remoção de uma parte ou da totalidade do prepúcio é associada com a entrada na vida de adulto. Segundo a tradição, isto acontece quando o menino tem entre 12 e 14 anos, e pode durar vários meses.

“Tudo começa geralmente com uma festa. Em seguida, os candidatos são levados para um acampamento. Um homem grande segura o menino enquanto um outro faz a cirurgia”, explica Kwononoka. “O prepúcio é cortado sem anestesia”.

A cirurgia é só o começo da tradição que testa a resistência do indivíduo ao frio e à dor, e sua força emocional, enquanto fica isolado de sua comunidade. Enquanto está longe, o menino também deve aprender a falar uma nova língua, e se ele usar uma “palavra proibida”, como punição será ameaçado de se tornar estéril.

No final do ritual, quando ele finalmente é considerado como um homem, ele é recebido de volta com uma grande festa que dura dois dias; ele recebe um nome, e espera-se dele que “experimente” seu pênis circuncidado.

“É pela circuncisão que os candidatos penetram no mundo dos segredos dos clãs e onde eles finalmente adquirem o estatuto de homens”, diz Kwononoka. “Nas áreas rurais, um homem que foi circuncidado em um hospital é considerado como imaturo”.

Nas áreas urbanas, a circuncisão também é praticada em grande escala, mas não em um processo tão enraizado em rituais e simbolismos.

Polémica

Os dados mais recentes indicam que a circuncisão está associada a uma redução considerável do risco de transmissão do HIV em relações heterossexuais, embora ela ainda seja objeto de pesquisas e provoque polémica na comunidade médica.

Segundo estatísticas oficiais de 2004 baseadas em testes efetuados em 12.440 gestantes em Angola, a seroprevalência é estimada em 2,8 por cento. Esta taxa é relativamente baixa para Africa Austral, onde em alguns países a seroprevalência entre os adultos chega a mais de 30 por cento.

Especialistas da Sida, tais como o Dr. Daniel Halperin, pesquisador da Sida favorável à circuncisão masculina, estão começando a tirar conclusões.

“Se é verdade que quase todos os angolanos são circuncidados em Angola, isto poderia significar que a circuncisão funciona como um escudo contra a infecção e diminui a propagação da epidemia”, diz Halperin.

“Entretanto, se este modelo de circuncisão masculina quase universal mudar, a epidemia poderia explodir, por causa do nível de comportamento sexual de risco no país”, acrescenta.

De fato, ter muitos parceiros é a norma em Angola.

O atual namorado de Marta, com quem ela está há cinco anos, tem uma outra namorada com quem ele vive e tem um filho. Marta, que também tem um filho de um antigo relacionamento, quer mudar-se da casa de sua mãe para que o namorado possa viver com ela também.

Sua colega Paula, de 34 anos, tem cinco filhos; ela também está namorando há quatro meses um homem casado.

“É normal que um homem tenha várias esposas. Às vezes eles tem três ou quatro esposas e dividem o tempo entre cada casa”, diz Paula. “Mas eu sempre uso o preservativo com meu namorado”.

Mais perguntas que respostas

Ana Leitão, do Projecto de Saúde, HIV/SIDA, Malária e Tuberculose do Banco Mundial (HAMSET), diz que é cedo demais para avaliar o impacto da circuncisão em Angola sobre a seroprevalência. As estatísticas nacionais têm sido contestadas e muitos acreditam que a seroprevalência seja muito maior.

Mesmo que estejam corretas, outros fatores podem ter contribuído para reduzir as taxas, tais como o fato de que grande parte das fronteiras do país estiveram fechadas durante a guerra civil que durou 27 anos e que terminou em 2002.

No entanto, as estatísticas mostram que a prevalência do HIV na província de Kunene, no sul do país, é de 9,1 por cento, bem mais alta do que a média nacional. O grupo étnico Kwanyama, grande maioria na região, não pratica a circuncisão.

Esta poderia ser uma razão pela qual a seroprevalência é mais elevada nesta região, diz Leitão, mas há outras.

“Kunene faz fronteira com a Namíbia, onde a taxa de prevalência é muito alta. Há muito movimento entre os dois países naquela área”, diz ela.

“Também podem existir motivos específicos para que a seroprevalência seja maior na Namíbia que em Kunene. Ou talvez nós não conheçamos a verdadeira taxa de infecção em Kunene, que poderia ser bem mais alta”, acrescenta ela.

Especialistas afirmam que a introdução de qualquer política de encorajamento à circuncisão deveria ser incluída como parte de um pacote de medidas para diminuir a propagação do vírus.

Teme-se que algumas pessoas pensem que estão protegidas contra o HIV pela circuncisão, ou a vejam como uma alternativa a outras formas de proteção, como os preservativos.

“A Angola tem a oportunidade de não repetir os mesmos erros de outros países, e de controlar a epidemia”, diz Halperin.

“O país deveria concentrar-se na prevenção entre os trabalhadores do sexo, motoristas de caminhões e outros grupos de alto risco, e na redução do número de parceiros entre os jovens”, acrescenta.

Outros riscos

No contexto angolano, ha perigos associados à circuncisão.

As complicações devidas a procedimentos de circuncisão rudimentares, sangramento e infecções pós-operatórios podem ser catastróficas e às vezes levar à morte. Mesmo em cidades grandes, a circuncisão nem sempre é feita em hospitais ou clínicas fiáveis.

No contexto angolano, ha perigos associados à circuncisão podem ser maiores do que os benefícios.

O sistema de saúde, em ruínas depois da guerra, continua sendo negligenciado. Muitas circuncisões são praticadas por um médico tradicional ou um ancião, ao invés de um médico qualificado.

“Na maioria dos casos os instrumentos não são esterilizados, as pessoas nem sempre tem o treinamento necessário para efetuar o procedimento, e às vezes vários homens são circuncidados ao mesmo tempo”, diz Leitão.

“Em algumas regiões, o homem não toma água durante vários dias para evitar de urinar, e alguns chegam a morrem de desidratação”, acrescenta.

Por causa da necessidade urgente de melhorar o estado da infraestrutura da saúde pública, ainda é cedo para que o governo estabeleça uma política nacional da circuncisão.

Mas para uma mulher de 37 anos, mãe de duas crianças, que preferiria que seu marido fosse circuncidado, esta decisão deveria ser uma escolha pessoal.

“Há anos que eu peço a meu marido para fazê-lo, mas ele não quer”, diz esta mulher, que preferiu não revelar sua identidade. “Eu gostaria que ele o fizesse, o sexo seria bem melhor, e dizem que é mais higiênico; mas afinal de contas a decisão é dele. Todos nós deveríamos ser livres para fazer o que queremos”.
francisco cachipemba
Top membros
 
Mensagens: 240
Registado: Domingo Ago 02, 2009 11:15 am

Re: HÁBITOS E COSTUMES ANGOLANOS

Mensagempor francisco cachipemba em Sábado Dez 04, 2010 5:57 pm

Circuncisão na cultura Umbundu

Angola é um país formado por vários grupos etnolinguísticos, nomeadamente os Ovimbundu, Ambundu, Herero, Cokwe, Ovangangela, entre outros, onde cada um possui a sua cultura, tradição, mitos, organização social e política e, fundamentalmente, a sua língua de comunicação.
Entre a diversidade cultural existente, vamos nos debruçar sobre a circuncisão nos Ovimbundu (povos que habitam maioritariamente as províncias do Huambo, Bié,Benguela, Kwanza-Sul) cuja língua de comunicação é o Umbundu.

Devido aos conflitos armados, alguns destes povos – um mal que não poupou todos os subgrupos etnolinguísticos que povoam Angola – só agora estão a retornar e a recompor as suas zonas de origem, isto é, as aldeias ou sanzalas.

O trajecto forçado de alguns destes povos em consequência da procura de sossego e segurança assim como de melhores condições de subsistência, trouxe a vários pontos da província da Huíla, povos dos grupos etnolinguísticos acima referenciados. Um facto tido também como responsável por vários cruzamentos entre os vários povos do país, acto, que no entender de peritos, não foi mau para a sociedade.

Neste contexto, dentre os vários anciãos com quem o autor destas linhas conversou sobre a circuncisão, a referência vai para Francisco Wospindi, Alfredo Tjiamba Cola e Jaime Chiloya. Os encontrámos na loca-lidade do Cusse e na vila do município de Caconda, localizados a 240 e 235 quilóme-tros, respectivamente, a norte da cidade do Lubango.

Eles são naturais da província do Huambo e, por razões do conflito armado passado, confinaram-se há 10 anos, numa povoação do Cusse. Francisco Wospindi, 95 anos, e Alfredo Tjiamba, 80 anos, já se familiarizaram com a área, onde vivem com os filhos, noras, genros, netos e bisnetos.
Os dois anciãos com aparências de bons contadores de histórias, apesar de algo os escapar da memória, talvez pela idade ou por não praticarem na sua plenitude todos os actos, esmiuçaram dados relevantes e tipicamente tradicional da cultura dos povos Umbundu.

Wospindi explica que a palavra circuncisão na sua língua tradicional, denomina-se por “Evamba ou Ekwendje” dependendo das áreas e, é uma prática sagrada e obrigatória. Trata-se de um rito que serve de transição da infância para a adolescência.

Normalmente realiza-se o acto na época do Cacimbo, precisamente nos meses de Junho, Julho e Agosto de cada ano, por ser uma época friorenta por facilitar a cura das feridas que surgem após o corte.

Um contacto prévio é feito com os pais ou tutores das crianças. Posteriormente, cada família selecciona os rapazes em condições de partir e, depois todos juntos numa semi-caravana rumam à mata, num local já preparado que fica a dez ou mais quilómetros da zona habitada.

Por regra, o local escolhido possui um riacho próximo. O recinto que vai albergar os garotos designa-se por “Otjilombo”. Cada criança faz-se acompanhar do seu farnel que entregará ao seu tutor “Onawa” com habilidades para solucionar todas as questões durante o período de circuncisão que por norma dura 90 dias.

No dia “D”, os pacientes são levados um a um para um lugar específico onde lhes será subtraído a ponta do prepúcio “Utue” a sangue frio. Os mestres “Otjilue” orientam aos “Onawa” para tocar batuques, apitos e canções com o propósito de impedir que os gritos sejam captados pelos outros que aguardam pela sua vez.

Tjiamba argumenta que no local da “Evamba” ficam em média acampados 25 a 30 crianças. E a chamada para o corte segue as idades. Primeiro, os de menor idade, por considerarem de mais fácil e, seguem os mais complicados, os adultos. Complicados porque as feridas demoram a curar. É nos períodos nocturnos que as coisas se tornam difíceis: “Kakuli okupekela” (Não há dormir).

As trevas são enganadas com as canções tradicionais, os batuques e as danças dos palhaços à volta duma grande fogueira. Os “Tjindanda”, pessoas recém-circuncisadas, deitados em várias esteiras postas ao relento, permanecem com o tronco nu até a cura das feridas. Eles levantam-se de madrugada e mergulham no rio onde ficam das 4 às 6 horas.

Os garotos que registarem melhoras rá-pidas são ensinados de imediato a pequena caça para exercitar o corpo e trazer alguns bichos como ratos, toupeiras, perdizes e outros alimentos. Após os 13 dias segue-se os ensinamentos doutrinários caracterizados por dança, manejo do batuque e seu fabrico, tecelagem de sisal para compor um palhaço, seus respectivos nomes e objectivos de cada um.

Neste período, aprende-se algumas magias como “Alumbo”, uma arte de enfeitiçar ou matar mesmo alguém. Ainda aprende-se o código de identificação pessoal para descobrir quem é circuncidado “Otjilombola” e quem ainda não o fez “Otjilima”. Os palhaços de maior categoria que desfilam no termo da circuncisão ou nos festejos do mesmo nome são “Bumba, Kasinhôla, Katjilala, Ngulu Kutinã”. Todos esses palhaços subordinavam-se ao grande “Bwangungu”.

No dia da saída da “Evamba”, estes perfilam-se com um chicote de folhas de bananeira ou de pele de gado na mão e vão dando chicotadas aos “Tjindanda” que passam entre as pernas dos mesmos. Depois deste acto, começa a marcha de volta à sanzala e os “Kesongo” (cicerones) levam o grupo para as suas respectivas casas seguindo-se de um coro que enlouquece os palhaços. Neste caso, os pais preparam bebidas tradicionais como “Walende” aguardente, “Tjimbombo” cerveja tradicional, “Idromelo” e outras. Quando todos os “Tjindanda” forem distribuídos às suas casas no mesmo instante prepara-se a grande festa de encerramento que, como é de costume, sucede num campo onde todos os familiares juntam os alimentos (canjica), carne assada, pirão, gindungo, assim como bebidas acima referenciadas. Esta festa vai até ás 4 da madrugada onde os palhaços ao aproximar-se desta hora se retiram um a um, sem dar nas vistas.

As mortes na “Evamba”

No “Otjilombo”, nos dias que antecedem o regresso à sanzala, antigamente, era sacrificada a vida do jovem que apresentasse um comportamento indecoroso aos mais velhos ou que se mostrasse durante as actividades de muito lento. Quando chegassem à aldeia os pais da vítima eram cobertos com uma esteira significando que o seu filho tinha morrido.
Os pais que ousassem reclamar pelo filho, teriam futuramente problemas graves. O “Otjilue” encarregava-se de praguejar a família. E, caso não pedissem desculpas a tempo acabariam também por morrer. Os casos de morte foram abolidos com a intervenção da Igreja Católica. Este processo levou muito tempo para ser banido, visto que, só nos anos 76 é que esta pratica desapareceu.
Velho Jaime revelou por exemplo a morte de Tjambala Kasinda que foi sa­cri­ficado por manifestar atitudes que irritaram os “Seculos” (autoridades tradicionais) no acto da “Evamba”. “Os outros Tjindanda foram orientados a colocar “Viemba” (medicamentos) na cadeira do jovem e quando ele sentou, contraiu o mal posto no assento. Durante muito tempo ele só urinava sangue até morrer”.


FONTE: JORNAL DE ANGOLA
francisco cachipemba
Top membros
 
Mensagens: 240
Registado: Domingo Ago 02, 2009 11:15 am

Re: CIRCUNCISÃO

Mensagempor paulo gonçalves em Quarta Dez 14, 2011 10:14 pm

Definição

A circuncisão é a extirpação parcial ou total do prepúcio normal dos homens. Inicialmente, a incisão ficará vermelha e dolorosa ao toque e à pressão; no terceiro dia, a dor deverá ser mínima. A escara ou casca na linha de incisão se desprende após 7 a 10 dias. Caso tenha sido utilizado um anel Plastibell, este deverá se desprender em 14 dias (10 dias em média). Ainda que este anel não possa se desprender muito rápido, não deve retirá-lo, porque pode provocar sangramento. Qualquer corte, raspão ou crosta na cabeça do pênis normalmente pode ficar amarelado se o paciente tiver icterícia que é um acúmulo de bilirrubina no tecido que está sarando e freqüentemente pode ser confundido com infecção e pus.
Avatar do utilizador
paulo gonçalves
Administrador do fórum
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am
Localização: Porto Espada - Marvão - Portugal
---------


Voltar para HÁBITOS E COSTUMES ANGOLANOS

Quem está ligado

Utilizadores a navegar neste fórum: Nenhum utilizador registado e 0 visitantes

cron