Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

APESAR DAS NOSSAS HISTÓRIAS TEREM MUITO EM COMUM, ESTOU CERTO DE QUE SERÃO TODAS DIFERENTES. REGISTA AQUI O QUE ACHARES RELEVANTE SOBRE A TUA PASSAGEM OU PERMANÊNCIA EM ANGOLA

Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Domingo Set 20, 2009 5:09 pm

Aceitando uma boa sugestão do Kamussel, aqui fica o relato que iniciei na sala de apresentação.
Espero que se divirtam lendo, tanto como eu escrevendo...
Tundavala

1951
Uma família tradicional portuguesa da classe baixa. O Zé barbeiro, a Etelvina em casa porque, com dois filhos pequenos, não dá para ir trabalhar. As dificuldades são mais que muitas. Na barbearia vai-se comentando a situação.
Tudo isto muito baixinho e com cautelas, não vá estar por ali um agente da polícia política (PIDE) ou, pior, um bufo, daqueles que ouve uma coisa e transmite dez devidamente deturpadas, para fazer boa figura junto do chefe...
A vida está a ficar insustentável. E as colónias? Já pensou nisso? Há montes de gente a ir para lá.
Pois é! Até está em Luanda o meu irmão sapateiro e ele está a safar-se bem. Vou pedir-lhe uma "carta de chamada". Era assim, nesse tempo! E lá foi o Zé cortar cabelos para uma barbearia fina (um "Salão") ao lado do Polo Norte.
Agosto de 1952
Uns tostões ganhos e transferidos para o "puto" na candonga, uma casa alugada e: "Vem daí Etelvina mais os miúdos que tou cheiínho de saudades!" E lá vamos nós no Quanza velhinho, numa 3ª classe manhosa lá nos fundos dos porões, onde a mistura dos cheiros da nafta, da tinta, da urina, dos suores e de sei lá que mais, dava para passar toda a viagem enjoado. A solução era saír dali ainda de madrugada e ir apanhar o fresquinho da proa. E ver a água a ser cortada pelo barco, mais os peixes-voadores e os golfinhos que brincavam junto ao casco. Maravilha! E a comida? Uma *****! Foram dezassete noites horríveis, trinta e quatro refeições da treta, mas havia outros miúdos para brincar e havia a proa! Aquela proa do navio fazia os dias maravilhosos!

No cais, em Luanda, maridos ansiosos e carregadores suados eram às centenas. Grande confusão!
Mas o que melhor lembro é a fatia de papaia que comi depois do almoço. Maravilha!
No dia seguinte fomos à praça, que ainda era na baixa. Iamos morrendo! Nunca tinhamos visto bébés pendurados nas costas e, pior: imaginem quando a mãe, ao mesmo tempo que vendia legumes sentada no chão, saca da **** e a atira para o piolho que se agarra a ela e vá de mamar com toda a força!
(continua)
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Re: Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Vitor Oliveira em Domingo Set 20, 2009 5:41 pm

Olá Tudavala. Esta "história" está a começar muito bem. Acho que vai por aqui passar muita gente para lêr a tua história. Eu sou um deles, "kadê os outros?..." :roll:
Um abraço maior que a tundavala
do Vitor Oliveira
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Mensagempor Tundavala em Domingo Set 20, 2009 6:15 pm

Esqueci-me de dizer antes que fomos em 1952 para Angola quer por razões de disponibilidade dos carcanhóis, aquilo conm que se compram os feijões e as passagens, mas também para o meu irmão e eu terminarmos o ano lectivo. Ele a 3ª e eu a 1ª, ambos na Escola Primária do Bairro da Encarnação, que era onde morávamos. Para quem não conhece é aquele bairro engraçado junto ao Aeroporto de Lisboa. Convém lembrar que aquilo, naquele tempo era nos confins dos Olivias, já fora de Lisboa...

Bom, isto para explicar que, à chegada a Luanda, ia o ano lectivo a meio - o calendário escolar, naquele tempo estava adaptado ao clima e então o resultado é que ficámos um *****dão de tempo sem ir a escola! Na altura achámos um piadão, como convém a putos com 7 e 9 anos de idade!!!

A primeira casa que tivémos foi na Maianga. As avenidas para os Quartéis e para o Aeroporto ainda não existiam. Mas havia montes de árvores de fruto: sape-sape, fruta-pinha, manga, pitanga, goiaba, tamarindo e até o fruto dos imbondeiros provámos. Mmmmmmm, que acidozinho saboroso!!!

Vamos saltar a primária na Escola José Anchieta, ali na Cidade Alta, ao pé do Palácio. agora deve ter outro nome... Já vi aqui no Kamussel uma foto parecida com as nossas salas de aula desse tempo... Saltemos também a Escola Industrial, os passeios junto à Escola Comercial e ao Liceu para mirar as "minina"...
em 1955_jp.jpg

E vamos ao ano de 1961, quando começaram as confusões...

Foi aí que os meus olhos se abriram para a realidade africana. Foi aí que comecei a ler tudo o que podia sobre o passado africano e sobre o que era um bailundo e um umbundo. E também qual a origem dos mestiços...

Quando somos jovens, há tanta coisa de que não nos apercebemos... que nos passa ao lado porque queremos é divertir-nos, seja nos cinemas, nos bailaricos, na praia, nos namoricos, etc. etc. etc. São tantos os etc que é complicado. Mas vocês sabem do que estou a falar, não é mesmo?
(continua)
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Continuação: Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Domingo Set 20, 2009 7:06 pm

1961

Aprendi que os "indigenas" eram obrigados a ter carta de trabalho, se não iam presos.
Aprendi que o que um branco fazia por 2 contos por mês, o "indigena" fazia por 250 "paus"...
Aprendi que o racismo existia mesmo. Veja só essa que é realíssima:
Ainda como estudante, tinha um biscate num escritório. Um dos trabalhos era ir, manhã cedo, aos bancos (Comercial, de Angola e Totta "estándar"...) pagar letras, fazer depósitos e transferências para o puto... Acabei por conhecer outros como eu e fazer amigos. Um deles o Joaquim, africano, era um tipo porreiraço. Tão porreiraço que, chateados da espera no Banco de Angola, convidei-o para ir à Arcádia (ali ao lado) para bebermos uma Coca-Cola. Setámo-nos na esplanada e fiz o pedido. O empregado voltou com UMA Coca. A resposta à minha reclamação foi um seco, não servimos indigenas. O Joaquim, coitado, levantou-se para sair. Mas eu, que até sou calmo, passei-me!!! Ah é? Então seu cabrão, meta a minha Coca *****!!!
E desalvorei!!! Sim, porque lá falar falo, mas costela de mártir, não tenho... E o gajo era grande!!!

Nas traseiras da Mutamba, vi (com estes olhos qu'a terra há-di comeri), como dizem os alentejanos, um desgraçado de um criado a quem, provavelmente, tinham pedido para ir depressa a qualquer lado, ser morto à patada. Com o desgraçado já no chão e a sangrar, há um fulano, grande e corpulento, que salta sobre ele com os dois pés! Jamais esquecerei a cena: Ainda oiço o ruído dos ossos a quebrarem e do ar a saír-lhe da boca.
Desculpem a violência da cena, mas é real. Não podemos, NÃO DEVEMOS, esconder a realidade.
Os erros de uns não desculpam os erros dos outros.

Amigos, esta descrição ainda me magoa e atormenta. Espero ser mais divertido na continuação.
Ate já...
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Re: Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Vitor Oliveira em Domingo Set 20, 2009 8:31 pm

Amigo Armando continuo a caompanhar com prazer a tua "história" sei do que falas, também tive oportunidade de ver coisas que me revoltavam. Eu pessoalmente nasci em Angola em 1961, o meu pai e mã~e foram para lá pelas mesmas razões que tu e os teus pais. Os amigos que tive foram em mais de 95% negros, até porque morava numa roça. se leres um pouco da minha história verás que concordo plenamente contigo. As pessoas de que falas, lembro-me de alguns da região que tiveram a sorte que talvez merecessem.
Isso embora não deva ser esquecido, deve também ser perdoado, embora eu compreenda que: "perdoar de parte a parte" não seja o termo correto, pois que fomos nós "Portugal" que ocupamos, mas já agora que culpa tive eu ou tu disso?
-Tu foste ainda criança levado pelos teus pais.
-E eu nasci lá fruto de cada um dos meus pais lá terem ido parar e term tido a felicidade e me ter "parido" por lá. Um abraço. abriste "entre aspas mais um tema neste forum"
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Esclarecimento e apelo!

Mensagempor Tundavala em Domingo Set 20, 2009 10:25 pm

Caro amigo Kamussel (e o “amigo” começa a ter cada vez mais o seu real sentido e não o da mera fórmula de cortesia):

Merece, merecem todos, uma nota complementar ao que escrevi e ao que comentou o Kamussel.
Eu sabia que o que escrevi é polémico, doloroso, revoltante. Sabia também que faz parecer que estou a tomar partido por um dos lados.
Compreendo perfeitamente essa reacção e espero vir a demonstrar que, aquilo que mais desejo é ajudar a acabar exactamente com esse sentimento que ainda perdura e que, ao que parece, vai demorar muito tempo a desaparecer: que há dois lados!

Chegou, mais cedo do que pensava, o momento de citar o que está escrito na estação da Cidade Universitária do Metro de Lisboa:

“Não sou Ateniense nem Grego. Sou um cidadão do Mundo!
Sócrates


Este é o meu princípio fundamental de vida, o pilar de sustentação com que tento fazer que o “meu” edifício não caia...

E este é o apelo que faço a todos os que amam Angola, grupo onde me incluo:

Não sejamos Angolanos nem Portugueses. Sejamos cidadãos do MundoI

Costuma dizer-se que o tempo sara todas as feridas. Admitamos que é verdade.
Está é por saber quanto tempo é necessário...

E mais importante, saber que atitudes tomar para limpar as feridas profundas que existem nos tais lados que já o não deviam ser...
Não tenho os conhecimentos académicos necessários para elaborar essa lista de atitudes. Acho, não tenho a certeza, que é na esfera conjunta da história, da sociologia, da antropologia e, até, da psicologia, que se podem encontrar as razões e, logo, as soluções para este drama.

Creio não estar a exagerar quando uso o termo “drama”. É um drama que haja angolanos que odeiam os portugueses e a contrária também é verdadeira.

É urgente que os Europeus (todos, não só os Portugueses...) reconheçam os erros que cometeram ao longo de séculos. É urgente, também, que os Africanos (todos, não só os Angolanos...) reconheçam que, para se libertarem, cometeram excessos e injustiças enormes. Esse, penso, é o ponto de partida para um entendimento que é urgente entre estes “cidadãos deste mundo” onde cada vez é mais difícil viver e prosperar.

Termino, por agora, lançando um repto: Pensem no que faz com que os povos não se entendam.
Gostava de ser ajudado na recolha de opiniões e isto obriga a outro repto:
Vamos falar com toda a franqueza, sem rodeios, nem receios?


Vamos lá!!!
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Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Segunda Set 21, 2009 1:08 pm

Continuando com a minha história ou com “retalhos da minha vida” em 62 ou 63, já não sei precisar, aconteceu uma do arco-da-velha. Como já disse antes, estudei na Escola Industrial e o Director era um tipo temido... Disciplinou a “balda” com 3 explusões (fazia lá falta agora...) e chegava a roupa-ao-pêlo aos que se armassem em atrevidotes.

Um parênteses, a propósito, porque é elementar deixar-lhe aqui uma solene homenagem:

Ao Director que, nos anos 60 colocou a Escola Industrial no rol das escolas modelo de Luanda, os meus mais sinceros obrigados por tudo o que fez, pela Escola e por mim. E FEZ MUITO! Disciplinou a Escola que era falada como “dos índios” e transformou-me num aluno exemplar e no homem que, acho, hoje sou! Foi, em muitos aspectos, mais que meu pai!
OBRIGADO, Dr. BEIRÃO, onde quer que esteja!!!


Ora bem, ser chamado ao Director, punha qualquer um com dores de barriga... Um dia, juntámo-nos em grupo à porta do Gabinete dele. É pá? Que fizeste? E tu? E tu? Eu não fiz nada, gaita! Era o que se ouvia em surdina naquele “corredor da morte”...

Uma funcionária da secretaria, já velhota e com uma expressão sempre sisuda, mandou-nos entrar, fechou a porta e foi-se embora. E nós? Completamente “acagaçados”! E aqueles olhos grandes viraram-se para o “magote” ainda encostado à porta e, com ar inexpressivo, disse: Por favor, sentem-se à volta dessa mesa! Era uma mesa de reuniões enorme, pesadona, daquelas de ***-santo, com pés todos torneados e mais grossos que as nossas pernas tremelicantes... Sentar? Por favor? Mau, mau! O que será que vai saír daqui? – era um murmúrio do Faria, virando a cabeça para trás. E o Zéca, ao meu lado, eterno optimista: Pelo menos não é para bater... Se fosse já tinha começado aqui pelo Vaz! (O Vaz era o mais alto do grupo e estava à frente do rebanho, com o Faria ao lado, também alto)

O homem veio da secretária e sentou-se no topo perto dele, calmamente, como sempre. Aquela aparência calma, punha-nos os cabelos em pé!!! Também como sempre, acendeu mais um cigarro. Tinha acabado um à secretária. Fumava que nem uma locomotiva dos Caminhos-de-ferro!
Meus senhores – começou – chamei-os aqui para lhes fazer um convite que é o seguinte: A Mocidade Portuguesa vai fazer um curso de Comandantes de Castelo e pediu-me para indicar 15 alunos que eu entendesse capazes e com valor para assumir essa responsabilidade. O curso terá a duração de um mês, decorrerá nas próximas férias grandes e será em Sá da Bandeira. A única coisa que precisam está nesta lista. O transporte, alojamento e dormidas são dados por eles. Quero que pensem maduramente no assunto e quero ainda que falem com os vossos pais e que me digam a vossa decisão dentro de dois dias, a esta mesma hora. Meus senhores, Bom dia e passem bem!
Fim de papo e ala que se faz tarde!!! Nem sabíamos como reagir. Já na rua, foi um alvoroço: Porreiro! Sá da Bandeira! Quem conhece? Ninguém. Só um tinha uma vaga ideia de ter visto umas fotos e sabia que a cidade ficava num sítio alto pra burro! Santa ignorância...
E esta? MP? Chiça! Eu não gosto disso, comecei logo eu - É que na escola José Anchieta tinha levado com um pingalim nas orelhas, de um parvalhão com farda da MP, que nos punha a marchar feitos tropa fandanga. Acho que troquei os pés e pimba! – nunca mais esqueço a ofensa e nunca mais lá fui – aquilo era ao sábado e era voluntário... Pelos vistos, era eu o único com reticências...

Os outros só falavam do passeio! E sabem como é: Se não alinhas, tás feito...

Além de que, com o Zeca, o Faria e o Vaz, eu ia até para o inferno!!!

(continua)
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Mensagempor Tundavala em Segunda Set 21, 2009 2:12 pm

Ano de ???? - Sá da Bandeira

Vou continuar a usar os nomes antigos, quanto mais não seja porque vai aparecer aqui uma Huíla que, ao que me parece, não é a mesma de agora. Huíla, naquele tempo, era uma terra pequena, próximo de Sá da Bandeira e que tinha uma cascata fabulosa... Já lá vamos! Isto só para explicar que tenho de usar os nomes antigos para não meter a pata na poça. E mesmo assim, a memória, ou a falta dela, pode pregar-me alguma rasteira...

Num dado dia, depois do almoço, juntámo-nos todos à porta da Escola. Coisa estranha uma escola nas férias... Que silêncio. que falta de vida! Nem sei bem o que parecíamos: Vestidinhos com roupa civil, todos apinocados e com um grande saco de lona da cor da tropa, cheio com tudo o que constava da tal lista. Fardas (2), cuecas, meias, botas, chinelos, sapatos e artigos de higiene, mais umas coisinhas pessoais. Eu levava alguns dos meus livros, outro levava um rádio, outro, guloso e comilão, levava fruta e bolos... Bom, pediram-nos os documentos de identificação, conferiram e lá entrámos para um autocarro do exército. Lá dentro, um sujeito novo, mas engravatado, o que fazia dele um cangalheiro, pediu silêncio e disse: Meus senhores, vamos até ao Aeroporto e lá, mantenham-se juntos, porque vão embarcar num avião que os vai levar a Sá da Bandeira. Lá estarão colegas meus que os irão receber e encaminhar. Boa viagem! - E nada mais disse. Simpático, o cangalheiro...
No Aeroporto, qual não é o nosso espanto, levam-nos até um Nord Atlas (o barrigudo, lembram-se?). Lá dentro, um calor dos diabos e montes de carga amarrada com fitas! E nós? Nós entrámos e por ali ficámos! Não havia bancos! Era mais um transporte de gado!!!
Não sei explicar porquê, nessa primeira vez e em todas as outras vezes em que entrei num avião, fui SEMPRE o último a entrar... Será, talvez, algum medo que mora cá dentro, sei lá... O certo é que é assim. E outra coisa: em aviões não durmo... Mesmo que sejam viajens de noite inteira...
Adiante. Resultado: Fui encostado a uma clarabóia que o "bicho" tinha na traseira! Pelo menos via por onde íamos!
O avião vai para a pista e arranca. Pela barulheira percebemos que tinha ligado os reactores auxiliares - vim a saber depois o que isso era... Gastou a pista toda para levantar! Maganos! O Barrigudo ia com excesso de carga (nós!). O curioso é que subiu, subiu, subiu, subiu até que, passada cerca de uma hora, de repente, passa a rasar uma montanha e desce, desce, desce, desce e aterra! Estávamos em Sá da Bandeira! UFF!

Vou descansar, depois continuo...
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Re: Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor ANA em Terça Set 22, 2009 10:37 am

Amigo Tundavala
Estou a gostar da sua "história".
Aguardo, por novos episódios!
Um abraço, do tamanho da Tundavala!!!
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Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Terça Set 22, 2009 3:09 pm

Apenas um breve intervalo para agradecimentos ao Kamussel, à Anabela e à Ana.
A vossa simpatia é um incentivo e uma ternura!
Muito obrigado!

Como já disse à Anabela (e ela tem muitas culpas no cartório, porque as fotos dela é que desencadearam tudo isto...), tinha muito receio de estar a ser "chato"...

Eu disse antes que as vossas mensagens eram uma ternura?
Ná! Vocês sabem muito!
Elas são é uma "cenoura" que estão a pôr à frente do "burro" para ele andar mais depressa... :mrgreen:

Fora de paródias, tem sido um enorme prazer reavivar as memórias!

Abraços
Armando
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Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Quarta Set 23, 2009 12:50 am

Meus Amigos

Lembram-se dos comunicados da época revolucionária? Então aqui vai um nesse estilo, mas só no estilo!!! O conteúdo específico é a sério, o resto é a brincar e a "gozar" comigo mesmo...

Considerando o carinho dos comentários que me estão a chegar;
Considerando também os generosos apoios recebidos;
Considerando ainda esta minha característica ou deficiência técnica, que me faz dizer em muitas palavras o que, quiçá, poderia dizer-se em duas penadas;
E considerando, finalmente, a prática que vou tendo na exploração deste maravilhoso "site":

Entendo ser meu dever comunicar aos ilustres administradores, aos elevados moderadores, aos camaradas utilizadores e aos simpáticos visitantes que, a partir de agora, vou mudar de sistema para outro que, creio, será muito mais agradável.

Assim, em vez de contar histórias de metro que se estendem por quilómetros, as quais, a avaliar pela amostra, poderiam vir a ficar mais longas e mais sinuosas que a estrada da Leba ou mais áridas que o deserto do Namibe, vou tentar arrumar os assuntos por tópicos que, devidamente identificados, tornarão, penso eu, mais fácil o acesso e mais agradável a leitura.

Esperando a elevada e habitual receptividade dos destinatários, mas fazendo exactamente o que penso acertado, ou seja, bem ao meu feitio, o que me dá na real gana, subscrevo-me,
Atento, venerador e obrigado
De V. Exas.
Tundavala, Armando para os amigos
ou,
como me chamavam Nuestros Hermanos, quando estive em Espanha: Armando Bronca Segura!, o que significa, em tradução mais ou menos livre: "Vais meter a pata na poça, não tarda nada!" e sabem porquê?
É que, para o espanhol, "armando" não é nome: É o gerúndio do verbo "armar"...
Nunca fui tão insultado, nem os espanhóis tão certeiros!!!
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Re: Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Segunda Set 28, 2009 11:11 pm

Caros amigos

As colectividades com que colaboro forçaram-me a fazer um intervalo.
Como é por uma boa causa, espero que me desculpem...
E também espero não perder o fio à meada!

Entretanto, por mero acaso fiquei a saber do falecimento do Dr. Beirão, em Moçambique.

Acreditem que foi um choque enorme, tanto mais que, quando há dias escrevi sobre ele, terminei com um: OBRIGADO, Dr. BEIRÃO, onde quer que esteja!!!

Mal podia imaginar que já estava a escrever para o além!

É assim a vida!

Eu já volto...
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Re: Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Terça Set 29, 2009 8:45 am

ANA Escreveu:Amigo Tundavala
Estou a gostar da sua "história".
Aguardo, por novos episódios!
Um abraço, do tamanho da Tundavala!!!


Obrigado ANA
E parabéns pelo avatar!
Magnífico arco!
Onde foi tirada a foto?
Um abraço, também do tamanho da Tundavala!!!
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Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Quarta Set 30, 2009 10:54 pm

Lá mais para trás, tinha ido descansar depois da viagem EM PÉ para Sá da Bandeira, no "Barriga de ginguba" (e não Barrigudo como lhe chamei antes...)

Então, se vou falar sobre Sá da Bandeira (agora Lubango), vamos até à sala da Huíla. Está bem?

Até porque foi por essa sala que entrei no Kamussel e não foi por acaso que me "baptizei" de Tundavala...

Acho que foi amor-à-primeira-vista!

Façam o favor de me acompanhar e sejam benvindos à SALA DA HUILA!

Estão a ver aí mais abaixo onde diz "ir para:" ?
Vão ao "piquinho" da direita e é só escolher "SALA DA HUILA" e depois clicar em "ir"...
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Re: Como o euro (armando) ficou afro (tundavala)...

Mensagempor Tundavala em Terça Out 27, 2009 12:36 am

Quando cheguei a Angola as notas eram assim:
cinco_angolares_a.JPG

Fiquei espantado foi com essa foto da Câmara...
O carro em primeiro plano é um Colt da Mitsubishi
é que, se não é o meu, parece mesmo!!!
Imaginem: 75.000$00 NOVO!!! E foi o primeiro carro em que o rádio não era extra!!!
colt_camara_municipal_1969.jpg


Imagens obtidas em:
com os devidos agradecimentos ao Teixeirinha!
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