Contos infantis

Espaço dedicado a quem pretender momentos de evasão, inspiração literária nas áreas de contos e romances. Quem quizer pode abrir um tópico e escrever uma peça literária da sua autoria, sendo que esta, também seja inédita e parte integrante do Kamussel.

Contos infantis

Mensagempor em Sábado Set 25, 2010 6:41 pm


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Começo com uma personagem da minha autoria que poderá ser pegada por qualquer um de nós e transformar numa nova história. Esta personagem tanto é um coelho de peuche, como um coelho verdadeiro.

Se alguém quizer, também poderá ilustrar estas histórias.

Intééé...
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Re: Contos infantis

Mensagempor em Sábado Set 25, 2010 6:45 pm

O coelho Trincas

O Pedrinho tinha como companhia aquele boneco feito de peluche!…um coelho chamado Trincas.
Chamava-se Trincas mas não trincava nada!…era só trapo!…
A amizade entre o Pedrinho e o Trincas era tão grande que estavam sempre juntos. Dormiam agarradinhos, o Pedrinho comia sempre com o seu amigo na outra mão, eram inseparáveis na brincadeira e até o Trincas acompanhava o Pedrinho quando ele ia para o infantário.
Quando o Pedrinho passou para a primária, o Trincas começou a ficar em casa.
Na escola primária o Pedrinho não tinha tempo para brincar com o seu amigo, mas assim que chegava a casa ia logo contar-lhe como tinha passado o dia.
Passaram alguns anos e um dia o Pedrinho que agora já se chamava Pedro, pediu á mãe para lhe arranjar uma caixa bonita e confortável para guardar o seu amigo. É verdade!…apesar da amizade forte que os unia chegara a hora de guardar o Trincas. O Pedro já era um homenzinho!…os homenzinhos não brincam com coelhos de peluche.
Lá foi o Trincas para uma caixa bem confortável.
Estava o Trincas na caixa pensando como seria ficar assim muito tempo?…quando lhe apareceu a fada dos coelhos de peluche. É verdade!…existe a fada dos coelhos de peluche.
Disse a fada ao Trincas:
---Trincas!…foste um bom coelho de peluche e resolvi que merecias um favor. Se quiseres farei com que vires um coelho de verdade e possas correr pelos campos como qualquer outro coelho. Poderás casar, comer erva farta etc. etc. …
---Aqui nesta caixa vais virar pó. O teu amigo Pedrinho a esta hora já te esqueceu.
O Trincas aceitou. Rapidamente se viu no meio de um campo florido com muita erva e outros coelhos e coelhinhas como companhia.
Passado algum tempo já tinha uma bela namorada e formado família.
O tempo foi passando e tudo se foi transformando. Veio a seca e a fome. Os outros coelhos partiram em busca de comida. A família que tinha formado também se dispersou e um dia se viu correndo, fugindo aos tiros de um caçador.
Nessa noite pensou nos tempos em que era coelho de peluche.
Quando era coelho de peluche estava sempre protegido pelo seu amigo Pedrinho. Até mesmo na caixa em que o seu amigo o guardara estava bem. Era uma caixa especial, toda forrada de vermelho e muito fofinha. Se tivesse pensado bem quando a fada dos coelhos de peluche lhe disse que iria virar pó, ele saberia que não era verdade. O seu amigo Pedrinho não deixaria que isso acontecesse. Ele era especial para o Pedrinho e por isso ele o tinha guardado tão bem na caixa forrada e fofa.
Sendo um coelho normal é que ele em breve viraria pó. Morreria de fome ou serviria de comida para algum caçador. Como gostaria de voltar para a caixa!…como gostaria de virar coelho de peluche!…
Adormeceu!…quando acordou estava novamente na caixa!…a fada dos coelhos de peluche tinha escutado os seus pensamentos e como ele tinha sido um bom coelho também na natureza, resolveu voltar a transforma-lo em coelho de peluche. Dali para a frente ele só precisaria desejar se transformar em coelho de verdade ou coelho de peluche que a sua vida se transformaria sempre que fosse dormir.
Passaram alguns dias e de repente o Trincas ouviu o riso de uma criança:
---Seria o Pedrinho?…não poderia ser!…o Pedrinho já seria um homem.
Virou-se para o outro lado para dormir mais um pouco. Passado um bocado a caixa foi aberta, a luz entrou e uma mão grande o segurou. Abriu os olhos para ver!…quem seria?…Era o Pedrinho que virara o senhor Pedro…um homem forte e bonito mas com os mesmos olhos de carinho e amizade de outros tempos. Junto estava um outro Pedrinho e então ouviu:
---Pedrinho!…meu filho…este coelho foi o meu grande companheiro quando eu era como tu. Esperei que crescesses um pouco para te o oferecer!…quero que fiques com ele para brincar, mas não quero que o estragues. Se por acaso se romper, vai correndo para a avó, para ela o coser ou remendar.
---O Trincas é o símbolo da minha infância feliz e quero que seja o mesmo para ti e se possível para os meus netos.
Nesse momento o Trincas teve a certeza que o ter sido um bom coelho de peluche e um bom coelho na vida real, iria fazer com que ficasse na memória de gerações e não viraria pó.
Voltava a ter o carinho de um Pedrinho e seria muito feliz. A amizade verdadeira é eterna.

Conceição Santos

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Re: Contos infantis

Mensagempor em Quinta Out 21, 2010 11:01 pm

Certo dia o Trincas foi com o seu amigo Pedrinho brincar para um jardim.
Neste jardim há um pequeno lago e o Pedrinho poisou o Trincas no pequeno muro que trava as águas do lago.
Aí nesse dia o Trincas conheceu o Nemo.
Sei que vão perguntar quem é o Nemo!…e eu vou aproveitar para vos contar a história do Nemo:
O Nemo é um peixinho ainda pequeno que vive no lago do jardim.
Ele não gostava do lago.
Para ele, o lago era muito escuro, escuro que nem breu, e o Nemo tinha medo do escuro.
O Nemo passava as horas a ir até á margem do lago. Deitava a cabeça de fora e achava tudo lindo.
Era lindo o céu azul, as flores por todo o lado, as crianças brincando, os cães correndo, etc. etc. era tudo tão colorido, tão alegre, tão claro!…
O Nemo queria morar no jardim entre as flores e as árvores. Ele ficava pouco tempo com a cabecinha fora de água na margem do lago, pois tinha de voltar para a água para respirar e não morrer.
O Nemo, tinha de voltar a nadar no meio do lago, onde era uma escuridão sem fim e uma tristeza sem fim.
A sua vida era assim:
Da água para a margem e da margem para a água. Sempre sozinho, cheio de medo, infeliz.
Um dia distraidamente começou a nadar e a olhar e viu outros peixes.
Eles brincavam, nadavam contentes nas águas claras do lago.
De repente o Nemo pensou:
---Urra!… urra!… Outros peixes?…
---Águas claras? O que está a acontecer?
--- Será que vim parar em um outro lago sem saber?
O Nemo olhava para todo o lado e via um monte de coisas novas, via pedras de vários os tamanhos e de todas as cores.
Plantas aquáticas, rãs e outros animais aquáticos.
Até sapatos velhos e brinquedos de crianças havia no fundo do lago!
Era tudo tão lindo! A água cristalina, cheia de claros e escuros, cheia de brilhos.
Era uma beleza!
O Nemo começou a rir e a perguntar a ele mesmo:
Onde está o escuro?…onde está o medo?…
Pela primeira vez se sentiu feliz da sua vida.
De repente se acendeu uma luz na sua pequena cabecinha!…descobriu o que estava acontecendo:
---Sou mesmo um pateta! …passava a vida nadando de lá para cá e de cá para lá, cheio de medo da escuridão…
--- É lógico! Eu nadava de olhos fechados!
Conclusão: na vida temos de andar de olhos bem abertos, para conseguirmos descobrir a felicidade.
O Trincas gostou muito de conhecer o Nemo e ficou a saber onde os pais do Nemo foram buscar a ideia do nome Nemo?…

Não!…não foram copiar o nome da personagem do filme “Á procura de Nemo”.
Os pais do Nemo gostavam de ler os livros do grande escritor Júlio Verne que escreveu vários livros de ficção no século dezanove.
Capitão Nemo é um personagem ficcional que aparece em duas aventuras de ficção escritas por ele(Júlio Verne): Vinte mil léguas submarinas (1870) e A Ilha Misteriosa (1874). Nemo era o comandante do navio submergível Náutilus.
Já agora!…sabem o que quer dizer Nemo?

Nemo significa "ninguém" em latim.
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Re: Contos infantis

Mensagempor em Quinta Jan 06, 2011 11:09 pm

O coelho Trincas e a coelhinha Beatriz


A coelhinha Beatriz era muito feliz até ao dia em que encontrou um pedaço de espelho partido.
Nesse dia teve a certeza que não era igual ás outras coelhinhas da ninhada. Ela já tinha reparado que havia qualquer coisa na imagem que se reflectia na água quando bebia. Sempre deu um desconto, pois pensava que era da ondulação da água.
Naquele dia teve a certeza. Ela tinha um olho de cada cor. Entrou em pranto e fechou-se em casa. Nunca mais sairia, nunca mais alguém a veria. Esqueceu-se dos dias que até ali tinha passado feliz com os outros animais do campo.
Continuou fechada e a chorar por vários dias até que uma formiga resolveu intervir e lhe disse:
----Quando é que paras com essa choradeira e voltas a sair de casa?
A coelhinha Beatriz calou-se muito espantada ao ouvir uma voz na sua toca. Arregalou os olhos e foi á procura de quem lhe tinha falado.
Viu ao fundo da toca um carreiro de formigas que corriam de um lado para o outro. Entre elas estava a formiga Ermelinda que lhe voltou a dizer:
---Qual é o teu espanto? Será que sempre estiveste ocupada contigo que nunca nos viste a passar por aqui?
---Não!…Nunca vos tinha visto por aqui. Respondeu a Beatriz.
Imaginei isso!… Respondeu a formiga Ermelinda. Sempre só te preocupaste contigo. Dantes assim que te levantavas só sabias ir para o campo comer e brincar e esquecias que a tua mãe ficava a fazer as camas, a limpar o pó etc. etc.
---Agora passas o tempo a chorar e a olhar para esse bocado de vidro que não vale nada. Até os homens o deitaram fora.
---Se olhasses á tua volta, verias que não és o centro das atenções. Já terias reparado que sempre passamos por aqui, que a tua mãe se farta de trabalhar para que possas brincar e comer e quando chegas tens as palhinhas da cama limpinhas. Que todos os outros animais do campo já te viram e brincaram contigo sem te dizerem nada por teres um olho de cada cor.
---Com todo esse alarido de certeza que muitos mais animais sabem que existe uma coelhinha mimada que chora noite e dia por ter um olho de cada cor e se esquece que há quem trabalhe sem braços, outros com faltas de pernas e até quem não consiga ver!…Vou mas é continuar o meu trabalho.
A formiga Ermelinda virou-lhe as costas e foi para a sua luta diária.
A coelhinha Beatriz ficou caladinha e tentando perceber o que a formiga Ermelinda lhe tinha dito. (Na verdade esta coelhinha não era lá muito esperta)
Nessa tarde bateram á porta e a dona Coelha foi abrir.
A coelhinha Beatriz viu entrar um senhor coelho muito bem vestido e aperaltado e que se lhe dirigiu:
---Olá coelhinha Beatriz!… Eu sou o senhor coelho Trincas e vim para te conhecer.
--- Sei que te sentes muito infeliz por só teres um olho de cada cor!…Mas repara como és uma coelhinha linda e diferente das outras coelhinhas. Sabes que por vezes é muito importante sermos diferentes dos outros?
A coelhinha Beatriz ouvia espantada os comentários do senhor coelho. Ela percebia que este senhor coelho chamado Trincas devia ser muito, muito importante. Muito acanhadamente perguntou:
---O senhor coelho Trincas conhece algum coelho diferente e que isso seja importante?
O Trincas olhou meigamente para a coelhinha e disse-lhe:
---Repara para mim!…vês um coelho com apresentação!…
---Agora fecha os olhos e quando os abrires verás outro coelho.
A coelhinha assim fez!…qual não foi o seu espanto quando abriu os olhos e viu um coelho de peluche em vez do senhor coelho. Intuitivamente fechou novamente os olhos e abriu-os novamente. O senhor coelho Trincas lá estava novamente todo apresentado. Que se tinha passado?… ela não estava a perceber nada.
---Estás baralhada?… continuou o Trincas:
---A verdade é que eu também não sou um coelho igual aos outros coelhos. Tanto posso ser um coelho vivo como tu ou virar um coelho de peluche. Mas há uma coisa muito importante nisto. Eu sou feliz tanto como coelho de peluche, como coelho de verdade aqui no mato entre os meus amigos.
---Agora pensa bem e tenta ser feliz.
O Trincas despediu-se da coelhinha e da dona Coelha e foi á vida dele.
Desde aquele dia, a coelhinha Beatriz voltou á sua rotina de felicidade, mas desta vez reparando em pequenas coisas e ajudando sempre que lhe era possível. Sei até que nunca mais saiu de casa sem ajudar a mãe nas lides caseiras.
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