CULTURA ANGOLANA

NOTÍCIAS FOTOS E VÍDEOS
ESTE FORUM SERÁ DEDICADO A ASSUNTOS RELACIONADOS COM A ATUALIDADE DESPORTIVA E CULTURAL ANGOLANA. PRETENDE-SE AINDA QUE SEJA UM ESPAÇO DE PARTILHA CULTURAL E DESPORTIVA ENTRE ANGOLA E PORTUGAL.

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Sexta Set 18, 2009 4:15 pm


Sponsored Links

Construção da angolanidade deve ter em conta diversidade cultural
- 15-Sep-2009 - 16:40


O ministro da Educação, Burity da Silva, considerou hoje, em Mombaça, Quénia, que “a construção da angolanidade e africanidade deve ser edificada com a participação de todas as culturas existentes, sem critérios estereotipados de exclusão”.


De acordo com o governante, que discursava durante um encontro promovido pela Associação para o Desenvolvimento da Educação em África (ADEA), Angola é um país multicultural e plurilingue, daí defender que o sistema educativo esteja voltado à preservação dos valores culturais e ao respeito mútuo.

“A interiorização de um espírito de angolanidade, como garante do primado da Paz e da Reconciliação Nacional, e a formação de recursos humanos necessários à reconstrução e desenvolvimento do país são duas das principais preocupações do Governo angolano", expressou.

Por este facto, explicou, hoje torna-se necessária uma maior aproximação entre a Educação e a Cultura, pois é também, através dela, que as novas gerações poderão recuperar muitos dos valores perdidos pela actual conjuntura económica.

Para Burity da Silva, paralelamente à educação para o trabalho e para a cidadania, terá de existir igualmente uma educação para a cultura, que leve em conta a identidade e a diversidade dos diferentes grupos sociais.

Neste contexto, a nível curricular das escolas primárias e secundárias do país, estão a ser implementadas por especialistas angolanos acções pedagógicas direccionadas à aquisição de um maior sentido de valorização da paz e dos direitos humanos.

Informou que o Ministério da Educação pretende conceber “um cancioneiro de canções tradicionais e populares e um manual de jogos tradicionais para servirem de apoio às aulas de música, educação física e actividades extra-escolares, com o propósito de divulgar e valorizar os diferentes aspectos culturais do povo angolano”.

Do seu ponto de vista, esta parece ser uma estratégia de Educação para a Paz, que, no futuro, viabilize aos angolanos a elevação da sua baixa auto-estima, a edificação da democracia e da unidade nacional e o esforço para o desenvolvimento sustentado.

"Estamos também inseridos, com o apoio da UNESCO, num projecto de inovações curriculares em Educação para a Paz e Luta Contra a Pobreza, ao qual também estão associados, entre outros, o Quénia e o Mali”, referiu.

António Burity da Silva, que chefia uma delegação do país, participa desde segunda-feira, na cidade turística de Mombasa, Quénia, no Atelier Regional sobre Educação pela Paz.

Os participantes do encontro estão a debruçar-se sobre o processo da educação como factor da paz, integração e parcerias no continente africano.

Este fórum tem por objectivo a troca de experiências sobre as vias e meios para fortalecer os serviços educativos durante e depois das crises, bem como reforçar o lançamento da educação pela paz em todos os sectores da sociedade.
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Segunda Set 21, 2009 4:58 pm

21-09-2009 17:40

Cunene
Lurdes de Jesus vence festival da canção infantil

Ondjiva – Lurdes Filomena de Jesus, autora da música “Ounona aveshe”, que em português significa "todas as crianças", foi a vencedora do Festival Provincial da Canção Infantil *****nene com 95 pontos.

Realizado domingo, em Ondjiva, o evento, que decorreu sob o lema "Canto pelo Futuro" foi promovido pelo secretariado local da Organização do Pioneiro Angolano (OPA) e contou com a participação de 10 concorrentes.

O segundo lugar coube a Maurício Ndahafa com 80 pontos e o terceiro classificado do festival ao duo Tuafeny e Miria com 70 pontos.

O vencedor recebeu um televisor, o segundo classificado um frigobar e o terceiro um rádio cassete.

Sponsored links

Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Quinta Set 24, 2009 3:34 pm

Avatar do utilizador
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Segunda Set 28, 2009 6:33 am

26-09-2009 17:26

Luto
Morreu escritor angolano Jorge Macedo
Luanda - O etnomusicólogo e escritor Jorge Macedo faleceu sábado, em Luanda, vítima de morte súbita, segundo indica uma nota do Ministério da Cultura chegada à Angop.
Na nota, o Ministério da Cultura endereça nesta hora de dor e consternação, as mais sentidas condolências a família enlutada.
Jorge Macedo, quadro do Ministério da Cultura, nasceu em Malanje, aos 6 de Outubro de 1941, e frequentou os seminários Menor e Maior de Luanda. Licenciou-se em Etnomusicologia pela Universidade Nacional do ex-Zaíre (actual RDCongo).
Membro da União dos Escritores Angolanos, o escritor já foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, em 2005. Dentre os vários livros que publicou destacam-se "Itetembu", "As Mulheres", "Pai Ramos", "Irmã Humanidade", "Clima do Povo", "Gente de Meu Bairro", "Voz de Tambarino", "Geografia da Coragem" e "A dimensão africana da cultura angolana".
Jorge Macedo foi igualmente mentor e coordenador do Núcleo de Estudos Literários que tem como fim dotar a nova geração das técnicas de escrita.
A nova geração de escritores participava deste núcleo, orientado por ele, em todas as quarta-feiras, no Centro Cultural Kilamba.
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Terça Set 29, 2009 2:44 pm

29-09-2009 14:52

Cultura
Artistas e Estado devem dialogar mais sobre os direitos autorais

Luanda – O advogado brasileiro Juca Novaes afirmou hoje, terça-feira, em Luanda, que a problemática dos direitos de autores precisa da intervenção de artistas e do Estado, pois só assim se poderá chegar à uma melhor satisfação dos interesses dos criadores.
Em declarações à Angop, após apresentar o seu tema “Histórias, normas e práticas internacionais” na conferência sobre a problemática dos direitos de autores em Angola, Juca Novaes fez saber que, o problema dos direitos tem de ser visto, necessariamente no binómio Estado e artistas, razão pela qual, o Brasil tem tido êxito neste sentido de protecção dos criadores.
“No Brasil, por exemplo, fruto de uma grande mobilização de artistas sobre a questão dos direitos autorias, hoje, desde 1973, as rádios e estações televisivas, pagam uma percentagem pela utilização das músicas. Dentro, igualmente de um padrão internacional, como de países como EUA, Argentina, França e Inglaterra”, asseverou o também músico.
Juca Novaes, membro da associação dos músicos brasileiros, indicou que Angola está no bom caminho com a promoção de debates sobre os direitos de autores.
Quanto à pirataria, afirmou, que o Brasil é um dos países mais afectados, desde a pirataria física e digital, efeitos igualmente do progresso tecnológico.
Na conferência sobre a problemática dos Direitos de Autores em Angola, promovida pela União Nacional dos Artistas Plásticos(UNAP) participaram músicos, actores e bailarinos.
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Sexta Out 02, 2009 12:48 pm

02-10-2009 13:24

Música
Embaixada alemã promove actividade cultural em saudação ao seu dia nacional

Luanda - Um evento cultural, dominado por música típica tradicional, trajes, exibição de filmes e uma exposição fotográfica realiza-se sábado e domingo, em Luanda, para saudar o dia nacional da Alemanha, soube hoje a Angop de fonte diplomática.
O conselheiro da Embaixada da Alemanha em Angola, Berndt Oesterlen, esclareceu que o evento se realiza no âmbito das comemorações do 60º aniversário da constituição da Alemanha e do 20º da queda do muro de Berlim.
A actividade é uma promoção daquela representação diplomática no país e de angolanos que no passado residiram naquele país euopeu.
Denominado "Oktoberfest" (festa da cerveja alemã), o acto será abrilhantado pela banda da Bavaria "Bayernkapelle Toni Schmidt"
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Terça Out 06, 2009 1:13 pm

06-10-2009 13:57

Música
Músico considera imprescindível uso de instrumentos tradicionais

Luanda O percussionista angolano Chalana Dantas considerou hoje (terça-feira), em Luanda, de imprescindível os instrumentos musicais, apontando-os como uma mais-valia para a cultura nacional.
Em declarações à Angop, Chalana Dantas referiu que “se a música angolana tem mais qualidade e tem sido aplaudida pelos críticos nacionais e internacionais graças a introdução destes instrumentos pelos grupos”.
Segundo o interlocutor, grupos que já faziam uso de instrumentos tradicionais como a marimba, a ngoma, a puita, a dikanza, eram frequentemente convidados para actuações internacionais.
“Temos como exemplo o grupo Kituxi e Seus Acompanhantes, Brandão Hamalata, Os Jovens do Prenda, que sempre foram aclamados e tiveram bastante elogios pela crítica. Neste momento temos introduzido alguns instrumentos e os elogios estão a ser bastante positivos”, acrescentou.
Para o ex-integrante da Banda Semba Master, apesar de estarem a usar material musical tradicional, ainda não se faz sentir o “casamento” entre instrumentos modernos e rústicos, por parte das bandas.
“Os músicos nacionais tem explorado poucos os instrumentos tradicionais, atendendo que os mesmos podem ser incluídos no conjunto de aparelhos modernos e profissionais, como tem acontecido com artistas de países africanos como Mali, Senegal, Camarões e Argélia”, realçou.
Ao falar sobre o actual momento da música no país, a fonte adiantou que a mesma atingiu o seu momento alto graças a persistência dos seus fazedores que, mesmo em momentos difíceis, conseguiram fazer que o estilo e ritmo angolano não morresse.
“Temos o exemplo de cantor e compositor Eduardo Paím, Paulo Flores, Jovens do Prenda, Carlos Burity e outros que souberam dignificar e fazer com que a nossa música estivesse presente numa altura em que o que mais se tocava e se ouvia eram estilos cabo-verdianos, antilhanos, americanos ”, observou.
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Quinta Out 08, 2009 2:43 am

Exposição
Embaixada do Brasil inaugura exposição cartográfica e fotográfica

Luanda – A Embaixada do Brasil em Angola inaugura a 14 de Outubro, no Museu de História Natural, em Luanda, uma exposição cartográfica e fotográfica denominada "O Brasil Africano: Diáspora, Território, População".
Segundo uma nota de imprensa desta Embaixada, a que a Angop teve hoje acesso, a amostra será realizada com o apoio do Ministério da Cultura de Angola, Universidade de Brasília e da Petrobras, e decorrerá de 14 a 25 do mês em curso.
Segundo a nota, a exposição é de autoria do Professor do Departamento de Geografia da referida Universidade, Rafael Sanzio, chega ao país no próximo dia 12.
Para a exposição, Rafael Sanzio utilizará recursos da cartografia, fotografia e de textos sintéticos para introduzir temas relativos à matriz africana e à configuração territorial e etnográfica do Brasil
Dentre alguns dos trabalhos do autor destacam-se "Território das Comunidades Remanescentes de Antigos Quilombos no Brasil", "Quilombodas: Tradições e Cultura da Resistência" e "Dinâmica Territorial: Cartografia- Monitoramento-Modelagem".
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Quinta Out 08, 2009 9:12 am

Pinturas de Neves e Sousa
Sanzala de Galangue e Morro MalucoImagem
Imagem
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 682
Registado: Quinta Maio 21, 2009 12:05 pm

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Quinta Out 08, 2009 9:31 am

Agostinho Neto-Poema
Imagem
Quitandeira

A quitanda.
Muito sol
e a quitandeira à sombra
da mulemba.

- Laranja, minha senhora,
laranjinha boa!

A luz brinca na cidade
o seu quente jogo
de claros e escuros
e a vida brinca
em corações aflitos
o jogo da cabra-cega.

A quitandeira
que vende fruta
vende-se.

- Minha senhora
laranja, laranjinha boa!

Compra laranja doces
compra-me também o amargo
desta tortura
da vida sem vida.

Compra-me a infância do espírito
este botão de rosa
que não abriu
princípio impelido ainda para um início.

Laranja, minha senhora!

Esgotaram-se os sorrisos
com que chorava
eu já não choro.

E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.

Como o esforço foi oferecido
à segurança das máquinas
à beleza das ruas asfaltadas
de prédios de vários andares
à comodidade de senhores ricos
à alegria dispersa por cidades
e eu
me fui confundindo
com os próprios problemas da existência.

Aí vão as laranjas
como eu me ofereci ao álcool
para me anestesiar
e me entreguei às religiões
para me insensibilizar
e me atordoei para viver.

Tudo tenho dado.

Até mesmo a minha dor
e a poesia dos meus seios nus
entreguei-as aos poetas.

Agora vendo-me eu própria.
- Compra laranjas
minha senhora!
Leva-me para as quitandas da Vida
o meu preço é único:
- sangue.

Talvez vendendo-me
eu me possua.

- Compra laranjas!
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 682
Registado: Quinta Maio 21, 2009 12:05 pm

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Sexta Out 09, 2009 1:41 am

Cultura de Angola
Desde a Ocupação Portuguesa até hoje
O continente africano é considerado como o berço da humanidade. O território do actual estado angolano, é habitado desde o Paleolítico Superior, como indica a presença dos numerosos vestígios desses povos recolectores dos quais se deve salientar a existência de numerosas pinturas rupestres que se espalham ao longo do território. Os seus descendentes, os povos Sam ou Khm, também conhecidos pela palavra bantu mukankala (escravo) foram empurrados pelos invasores posteriores, os bantu, para as areias do deserto do Namibe. Estes povos invasores, caçadores, provinham do norte, provavelmente da região onde hoje estão a Nigéria e Camarões. Em vagas sucessivas, os povos bantu, começaram a alcançar alguma estabilização novas técnicas, como a metalurgia, a cerâmica e a agricultura, criando-se a partir de então as primeiras comunidades agrícolas.
Esse processo de fixação vai até aos nossos dias, como é o caso do povo tchokwé ou quioco, que em pleno século XX se espalhou pelas terras do povo Ganguela. A fase de estruturação dos grupos étnicos e a consequente formação de reinos, que teriam começado a ficar autónomos no século XIII.
Por volta do ano de 1400, surgiu o Reino do Congo mais tarde destacou-se deste no sul o Reino do Ndongo. O mais poderoso foi o reino do Congo, assim chamado por causa do povo Congo que vivia, então como agora, nas duas margens do curso final do rio congo. O Mani Congo, ou rei congo, tinha autoridade sobre a maior parte do norte da moderna Angola, governando através de chefes menores responsáveis pelas províncias.
O reino do Ndongo era habitado pela etnia Kimbundu, e seu rei tinha o título de Ngola. Daí a origem do nome do País. Outros reinos menores também se formaram nesse período.
Os reinos surgem da efectivação de um poder centralizado num chefe de linhagem (Mani, palavra de origem bantu) que ganhou o respeito da comunidade com seu prestígio e poder económico. provavelmente a partir do século XII os reinos começaram a conquistar autonomia.
D. João II, desde que subira ao trono, mostrara ardente e decido empenho em levar a cabo dois grandiosos projectos, cuja realização, glorificando o seu reinado, alongaria extraordinariamente os domínios portugueses além-mar: a continuação das descobertas inauguradas sob os auspícios do Infante e o prosseguimento das conquistas empreendidas por D. Afonso V.
Em 1482, um ano depois de assumir o governo, D. João II mandou Diogo Cão, seu escudeiro, prosseguir a descoberta para o Sul de África. Diogo Cão partiu de Lisboa com duas caravelas, no final do mesmo ano e descobriu a foz do Zaire.
O navegador foi bem acolhido pelo governador local do reino do Congo, que estabeleceu relações comerciais regulares com os colonizadores. Mas o reino de Ngola manteve-se hostil. Entre 1605 e 1641 ocorreram grandes campanhas militares dos colonizadores com o objectivo de conquistar as terras do interior e implantar o domínio político do território.
A dominação não foi tarefa fácil. Os chefes Ngola resistiram especialmente aquando da liderança da rainha Njinga Mbandi (1581-1663), que tinha grande habilidade política. Assim, o poder foi mantido com o reino dos Ngola por mais algumas décadas.
Também os reinos de Matamba e Kassange mantiveram a sua independência até o século XIX.
Em 1617, Manuel Cerveira Pereira deslocou-se ao litoral sul, subjugou os sobas (reis) dos povos Mudombe e Hanha e fundou o reino de Benguela, onde, tal como em Luanda, passou a funcionar uma pequena admnistração colonial. O tráfico de escravos passou a ser o grande negócio, interessando aos portugueses e africanos, mas provocou a escassez de mão-de-obra no campo, a agricultura decaiu, causando grande instabilidade social e política. A estratégia adoptada pela metrópole para a economia angolana baseava-se na exportação de matérias-primas produzidas na colónia, incluindo borracha e marfim, além dos impostos cobrados à população nativa. As disputas territoriais pelas terras africanas envolviam países económica e militarmente mais fortes como França, Inglaterra e Alemanha. Esse facto constituía motivo de grande preocupação para Portugal que começou então a ver a urgência de um domínio mais eficaz do terreno conquistado. Por isso, reformou a sua política colonial no sentido de uma ocupação efectiva dos territórios. A partilha do continente viria a acontecer pouco mais tarde, na conferência de Berlim.
A partir da década de 50 do século XX apareceram os primeiros movimentos nacionalistas que reivindicavam a independência de Angola. Houve conflitos armados nos quais se destacaram o MPLA(Movimento Popular de Libertação de Angola) fundado em 1956, a FNLA(Frente Nacional de Libertação de Angola) fundada em 1961 e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), fundada em 1966. Depois de longos confrontos, o país alcança a independência a 11 de Novembro de 1975.
Riquezas
Angola possui grande diversidade de recursos naturais. Estima-se que o seu subsolo tenha 35 dos 45 minerais mais importantes do comércio mundial, entre os quais se destacam petróleo, diamante, gás natural, havendo também grandes reservas de fosfato, ferro, manganês, cobre, ouro e rochas ornamentais.
As principais bacias de petróleo em expansão situam-se junto à costa das províncias de Cabinda e Zaire, no norte do País. A reserva de diamante nas províncias de Lunda Norte e Lunda Sul é admirada pela sua qualidade e considerada uma das mais importantes do mundo.
Arte
A arte da máscara azul de Angola, as máscaras de madeira e as esculturas não são criações meramente estéticas, tal como na maioria da arte africana. Elas têm um papel importante em rituais culturais, representando a vida e a morte, a passagem da infância à vida adulta, a celebração de uma nova colheita e o começo da estação da caça.
Os artesãos angolanos trabalham madeira, bronze e marfim, nas máscaras ou em esculturas. Cada grupo etno-linguístico em Angola tem os seus próprios traços artísticos originais. O pensador de Cokwe é provavelmente a peça de arte mais famosa das criações angolanas, uma obra-prima da harmonia e simetria da linha. O Lunda-Cokwe na parte nordeste de Angola é conhecido também por suas artes plásticas superiores.
Outras partes da assinatura de arte angolana incluem: a máscara fêmea Mwana-Pwo desgastada pelos dançarinos masculinos em seus rituais de puberdade; as máscaras poli-cromáticas de Kalelwa usadas durante cerimónias de circuncisão; as máscaras de Cikungu e de Cihongo que conjure acima das imagens da mitologia de Lunda-Cokwe. Duas figuras chaves neste panteão são a princesa Lweji e o príncipe da civilização Tschibinda-Ilunga.
Também devemos referir a arte em cerâmica preta de Moxico do centro/leste de Angola. Enquanto as máscaras e as estátuas de madeira da África cresceram na popularidade no oeste, a indústria do artesanato em Angola procurou atender a demanda por arte africana. Um dos maiores mercados de artesanato em Angola é o mercado de Futungo, logo ao sul de Luanda. É o centro principal do comércio de artesanato para turistas e expatriados. O mercado está aberto somente aos domingos. A maioria dos comerciantes do artesanato são Kikongo, embora os artesãos mesmos granizem de muitos grupos etno-linguísticos diferentes.
Futungo tem também a vantagem adicionada de ser perto das praias bonitas ao sul de Luanda, onde muitos dos residentes de Luanda gastam seus fins de semana apreciando o sol e a areia da baía de Mussulo. um passeio ao mercado de Futungo pode ser uma aventura. Os comerciantes frequentemente arranjam músicos com instrumentos tradicionais, tais como os marimbas e os kissanges, xingufos (chifres grandes do antílope) e cilindros para dar a sensação de um festival da vila. Os homens vestidos como guerreiros, a roupa desgastando das peles do antílope e do puma, os colares dos escudos e os chocalhos em seus tornozelos, adicionam ao sabor local do mercado.
Em Angola existem várias línguas nacionais, como Quicongo, Kimbundo, Umbundo, Ganguela, Lunda-Tchokwe, Ibinda, entre muitas outras. No que se refere à religião consideram-se três divisões:Católica, Evangélicas e crenças tradicionais.
Música
O semba é um dos estilos musicais angolanos mais populares. A palavra semba significa umbigada.
O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na massemba (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a senhora pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois (semba).
Jomo explica que o semba (género musical), actual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assentes fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.
Carlos Burity, artista angolano que iniciou a sua carreira na década de 70 define o estilo de música que canta da seguinte forma:
O Semba Semba é canto de avenida
É chuva de primavera
Semba é morte Semba é vida
O Semba Semba é o meu choro dolente
Olhar nossa vida de frente
Semba é suor Semba é gente
O canto do Semba o canto do Semba ele é nobre
O canto do Semba ele é rico o canto do Semba ele é pobre
O canto do Semba ele é rico o canto do Semba ele é pobre
O Semba no morro Semba no morro é fogueira
O Semba que traz liberdade o Semba da nossa bandeira
O Semba que traz liberdade o Semba da nossa bandeira
O Semba, Semba é kanuco de rua
Na escola da vida ele cresce de tanto apanhar se habitua
Na escola da vida ele cresce de tanto apanhar se habitua
A voz do meu Semba a voz do meu Semba urbano
É a voz que me faz suportar o orgulho em ser Angolano
É a voz que me faz suportar o orgulho em ser Angolano
Alguns nomes marcantes do semba são, Dom Caetano, Lurdes Van-Dúnem, Paulo Flores e Eduardo Paím, entre outros.
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Sexta Out 09, 2009 8:26 am

Origem dos Povos de Angola Descrita ao Detalhe em Peças
Jornal de Angola-Nada é mais factual, impressionante e histórico do que o conjunto de peças que testemunham a origem, as mutações e o estado actual dos grupos e sub-grupos étnicos de Angola. Trata-se de um acervo constituído maioritariamente por peças etnográficas que descrevem o quotidiano de diferentes comunidades históricas, a saber, Kikongo, Kimbundo, Umbundo, Lunda-Côkwe, Nyaneka Khumbi, Helelo, Ovambo e Kung, que se consubstancia nas principais actividades produtivas, artísticas e culturais.
As peças podem ser vistas no Museu Nacional de Antropologia, criado pelo Governo com o propósito de permitir aos angolanos a conquista de costumes mais profundos, e assumirem, assim, a sua identidade cultural. Desta forma, o museu, que está localizado na baixa da cidade de Luanda, tem a missão de primar pela valorização, a divulgação e a transmissão às gerações vindouras do património cultural.
Para realizar a sua actividade, os técnicos do museu envolvem-se em investigações e recolhas, a fim de se identificar, conservar e divulgar os resultados, para satisfação cultural, científica e lazer das populações. A informação sobre o conjunto de peças, disponibilizada pelo museu num pequeno livro, realça o pensamento popular sobre as mesmas, o qual mostra, através de representações ideológicas, o vínculo vital existente entre o mundo dos vivos e o dos invisíveis, sustentando por preces, cultos de veneração e ritos daqueles a estes e na hierarquização e exercício do poder tradicional a diferentes níveis comunitários.
A primeira amostra das peças foi realizada no dia 13 de Novembro de 1976, um ano depois da Independência do país. A partir daí, as coisas já não foram as mesmas. Pois os angolanos puderam tomar contacto, desfrutar e contemplar os elementos mais significativos da sua criação artística e cultural, que lhes foi negado durante séculos, por o colonizador a considerar profana.Imagem
E, desde então, a transmissão de conhecimentos sobre a origem, por exemplo, passou a ser contada de maneira diferente. As omissões propositadas deixaram de fazer parte do contexto informativo. As populações recebem agora tudo a limpo, diga-se, a bem da verdade, porque os especialistas angolanos empenharam-se na causa, a fim de a história ser contada a partir de um ângulo mais real. Nesta perspectiva, foram preparadas várias peças e técnicas, capazes de, em conjunto, aproximarem os povos actuais dos seus antepassados.
Milhares de homens e mulheres, pertencentes a estes grupos étnicos, foram levados como escravos para outros lugares, durante o tráfico negreiro. Com eles foi, também, uma parte importante da história, cujas pistas o Museu Nacional de Antropologia ajuda a estabelecer. Porém, do conjunto das colecções já inventariadas, segundo informação disponibilizada pelo museu, foram seleccionadas onze com dez peças cada uma, cujas fotografias numeradas e com uma breve caracterização (descrição, função e área cultural da sua origem), ilustram a vida de forma resumida dos vários sub-grupos.Imagem
Quotidiano do Sudoeste

A vida quotidiana das comunidades pastoris do Sudoeste de Angola (Nyaneka Khumbi, Ovambo e Helelo) está intimamente ligada às suas principais actividades que têm um reflexo na produção dos bens materiais e utensílios domésticos. Os homens dedicam-se apaixonadamente à criação de gado bovino, vivem e morrem por ele e é tido como habitando dentro da alma dos antigos Ohamba e sekulu (rei e soba). É também tarefa dos homens a lavoura com a charrua de tracção animal, a construção de casas de *** a pique e a caça. As casas dão forma a um complexo que constitui uma célula familiar chamada Eumbo.
As mulheres, por sua vez, têm como principal actividade o sachar das lavras, o cultivo ou lançamento das sementes em solos preparados, a colheita e as lidas de casa como cuidar das crianças, moer o milho, masangu ou massambala para fazer o pirão e o tratamento e conservação do leite. Tendo como base de alimentação o leite, a farinha de masangu, a massambala e o milho, os artesãos fabricam uma série de instrumentos para o tratamento e conservação desses produtos. Desses instrumentos, destacam-se os heholo (baldes), ohupa (cabaça para transformar o leite em iogurte), omakwila (funis), que são elementos para tratamento e conservação do leite.
O conjunto de instrumentos tem, ainda, os ashilanda (colares) e omakipa (cintos de couro como adornos usados pelas mulheres dos homens abastados), e o oshotoo (reservatório de água para o gado). Entretanto, a visita ao Museu Nacional de Antropologia tem muito mais para mostrar. À medida que se avança para os compartimentos, o visitante toma contacto com peças e cenários diferentes. A informação, sempre genuína, abre uma boa perspectiva e a abordagem ao acervo acontece num quadro quase inocente. O silêncio permite ao observador penetrar num ambiente histórico de grande complexidade.Imagem
onservação da memória

As formas de vida de povos distintos vêm para cima, e a mente desperta. A memória vai registando tudo. É um momento emocionante, o bastante para se aperceber que tudo que se vive hoje tem uma razão, uma origem que dá sentido à vida actual. Neste contacto, é possível, por exemplo, saber como os vários grupos étnicos estavam economicamente organizados. Do ponto de vista da economia e dos regimes alimentares, Angola divide-se em três grandes áreas, nomeadamente a zona da mandioca (manihot utilíssima) que cobre o Norte, o Nordeste e o Leste; a zona do milho que ocupa todo Centro da metade Oeste do Planalto e a zona de masangu e massambala (pennisetum echinurus) que se estende ao Sul e Sudeste do país.
Esta informação, que está devidamente veiculada no livro do museu, o qual já foi acima descrito, refere, ainda, que à semelhança das culturas tradicionais e dominantes, nessas áreas produzem-se uma variedade de plantas alimentares como o sorgo, inhame, feijão, batata-doce, jingumba e abóbora. A cultura do arroz há muito está registada em várias zonas do Leste de Angola, expandindo-se para o Norte e o Centro. Entre as frutas comestíveis mais comuns, destacam-se a banana, a laranja, o mamão, manga e o cajú.
No entanto, na dieta alimentar angolana, a par dos produtos vegetais, fazem parte alimentos de origem animal, cuja região mais privilegiada é o Sul do país, onde se regista uma grande quantidade de manadas de gado bovino, caprino, suíno, e aves como a galinha. Mas a vida dos povos antepassados esteve sempre ligada à terra, tal como a das populações actuais. Esta ligação deu origem a vários instrumentos de trabalho e utensílios de cozinha. Nesta conformidade, destacam-se as enxadas de cabo duplo que facilitam à mulher a trabalhar com a criança nas costas, silos ou celeiros para a conservação de cereais, diferentes cestos para o transporte dos produtos à cabeça, às costas ou ao ombro, machados para derrubar árvores.
Almofarizes de pedra com respectivos rebolo, pilão de madeira e peneiras para a transformação de cereais em farinha de milho, masangu ou massambala, fazem igualmente parte das criações. Mas os vários povos tinham ainda outras actividades, além da caça, pesca ou agricultura. Dedicavam-se, também, à metalurgia. Desde épocas remotas que algumas populações de Angola vêm exercendo a prática de fundição de metais. Aliás, o acervo do museu é bastante elucidativo quanto a isto. No entanto, alguns associam a esta actividade diferentes tabus e mitos, como é o caso das mulheres serem proibidas de participarem do trabalho tanto de transformação das pedras em ferro como na fabricação dos diferentes instrumentos.
Pela importância que o ferro tem na vida humana, a sua saída do forno ou Lutengo, é comparada pelo côkwe à saída do bebé do ventre da mãe. Em contrapartida, as mulheres côkwe não permitem que os homens assistam o parto. Às mulheres e aos incircuncisos não é permitido passarem perto do forno. O próprio ferreiro se abstém de ter relações sexuais de dia ou no período do seu trabalho.Imagem
 
Mensagens: 1251
Registado: Quinta Set 17, 2009 9:06 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Sexta Out 09, 2009 8:37 am

Pinturas Mulemba
Imagem
Imagem
Imagem
 
Mensagens: 1251
Registado: Quinta Set 17, 2009 9:06 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Sábado Out 10, 2009 3:32 am

10-10-2009 1:00

Luanda
Belas Fashion encerra com amostra da marca "Bicho Comeu" de Xuxa Meneghel

Luanda - A exibição de modelos com a marca "Bicho Comeu", da apresentadora de televisão brasileira Xuxa Meneghel, marcou o segundo e último dia de desfile do Belas Fashion, que teve lugar sexta-feira, no Belas Shopping, em Luanda.
A colecção de Xuxa Meneghel, constituída maioritariamente por roupa de criança, está disponível no Belas Shopping, onde inaugurou a sua loja de produtos infanto-juvenil com uma multiplicidade de cores.
Apesar do destaque ter sido a apresentação no país da marca da popular apresentadora brasileira, o dia foi igualmente marcado pela exibição das marcas Ever Rose, Ellus e Peter Murray”, inseridas na colecção internacional de verão.
O evento, que decorre desde quinta-feira última, foi dominado pela amostra das novas tendências para o verão de 2009/2010 da moda infanto-juvenil internacional.
Conjuntos das marcas “Hello Kit, Misand Baby, Green”, “Delux, Lanidor e Lubóia” constituíram as principais referências nesta terceira edição do Belas Fashion que homenageou a criadora angolana Lucrécia Moreira.
Para mostrar as novas tendências da moda internacional, a organização contou com a participação de manequins, desportistas e músicos angolanos.
Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am

Re: CULTURA ANGOLANA

Mensagempor em Segunda Out 12, 2009 2:42 am

Espectáculo
Show da Amizade Angola/Brasil lota Coqueiros

Luanda – Cerca de trinta mil pessoas estiveram neste sábado no estádio dos Coqueiros, em Luanda, para assistir o espectáculo musical denominado “Show da Amizade Angola/Brasil 2009.
O espectáculo, que teve cerca três horas de duração, contou com um elenco considerado “de luxo” como a cantora e actriz brasileira Xuxa, os angolanos Yuri da Cunha e Maya Cool, assim como com a apresentação da miss Angola 2008, Lesliana Pereira, da jornalista angolana Analtina Dias e do também apresentador brasileiro Luciano Huck.
Depois da abertura do palco pelo grupo de dança angolano “Lambada do Kinaxixi”, subiu o músico Maya Cool que vivamente foi aplaudido, já que cantou os seus sucessos como “Ti Paciência” e “Muringa” (esta última fez furor quando era cantor infantil nos anos 80).
O “Show Man”, Yuri da Cunha, com Makumba”, “Zigui Zigui”, “Escolha Outra”, “Kuma Kwa Kié” e "O Amigo", entre outras, animou, dançou e encantou a
plateia que o acompanhava, em cada música.
Já Cantora brasileira Xuxa Meneghel, última a apresentar os seus dotes no espectáculo, fê-la com mestria, tendo recordado aos presentes os seus
temas de sucesso.
A apresentadora brasileira também conhecida como a “Rainha dos baixinhos” cantou os temas “A bandinha da Xuxa”, “ A voz dos animais”, “Magia Total”, entre outras.

Sponsored links

Avatar do utilizador
 
Mensagens: 7197
Registado: Quarta Maio 27, 2009 9:40 am
---------

AnteriorPróximo

Voltar para CULTURA E DESPORTO DE ANGOLA

Quem está ligado

Utilizadores a navegar neste fórum: Nenhum utilizador registado e 0 visitantes

cron