FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

NOTÍCIAS, FOTOS E VÍDEOS

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:12 pm

Eis como um jornalista angolano descreve a festa:

«À tarde, no lindo jardim da linda Moçâmedes, terra encantadora e de encantos, coberto de flores do deserto, na expressão feliz de Vieira da Cruz, realizou-se a parada infantil de que participaram mais de mil crianças das escolas de Moçâmedes e da Huila. Apenas crianças das escolas, porque, necessário é dizê-lo, se todas formassem, as da Huila e de Moçâmedes, formariam uma legião de mais de quatro mil...» Imagem
Rapazes e meninas, todas branquinhas, de pele e vestuário, a sorrir ao sol, o sol amigo dos pobres, e a sorrir ao venerando Chefe do Estado, que elas, na sua brandura sentem ser alguma coisa de muito respeitável.

Imagem
Impecavelmente formadas a quatro, tambor à frente, bandeira de cada escola em cada grupo, assim passavam durante quase meia hora, saudando o Senhor Presidente, da Repúbliba que embevecido seguia com a vista admirada a longa fila de laçarotes brancos, esvoaçando como pombas nas cabecitas louras e escuras das pequeninas.
-Estão alí os frutos da colónia, a garantia da perpetuidade da nação portuguesa, disse o venerando Chefe do Estado no seu curso da chegada, referindo-se às criancinhas -.

Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:

É assim de facto. As crianças são o repositório de todas as nossas esperanças: esperanças de pais e esperanças dos estadistas.

Ai do país que descure a preparação da sua infância e o ensinamento da sua mocidade. Mas isto são doutrinas e nós por hojs só queremos noticiar, para mostrar mais tarde, logo que as circunstâncias no-lo permitam, colher os ensinamentos e tirar as conclusões das inúmeras manifestações de que foi alvo o Sr. General Carmona».

Antes de retirar, o Chefe do Estado percorreu , de automóvel as ruas, tendo sido, durante o percurso, sempre, delirantemente aclamado.
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:14 pm

10 de Agosto
Às 16 horas, realizou-se uma parada militar, a que assistiram, numa tribuna, levantada na Avenida, o Sr. Presidente da República, o Sr. Ministro das Colónias, o sr. Governador Geral, casas civil e militar do Chefe do Estado, e outras altas entidades.

Ao lado da tribuna formava uma força da marinha do aviso «República». Brilhantíssima de impecável garbo a marcha das forças militares.À passagem das unidades, o publico irrompia em aplausos. Ao desfile das duas companhias de Infantaria Indígena, seguiu-se os das deputações indígenas de toda a província. Cada soba vestia farda de pano branco, de alamares verde e encarnados, trazendo na cabeça bonés de pala. Na Avenida comprimia-se o povo curioso do bizarro espectáculo desse desfile. Iniciaram-no os escoteiros.

Vinha depois o grupo dos quarenta cavaleiros cuanhamas que passaram em frente da tribuna, no belo arranque de um galope, a saudarem, agitando no ar os chapéus emplumados, soltando ao mesmo tempo entusiástica gritaria.
Imagem

A seguir, numerosas tribus, cada uma formada por numerosos indígenas, indo à frente a rainha Galinaxo do Cuanhama, com seu trajo de gala e grande séquito de damas, uma das quais, a seu lado, ostentava alto a bandeira portuguesa.

Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:

«No local onde estamos, - descreve o representante da Província de Angola, - vê-se a Avenida extensa que é um mar de pretos e de tribus, todos com bandeirinhas nacionais que agitam no ar, produzindo um lindíssimo efeito e comunicando o seu entusisasmo à multidão que irrompe em «vivas» prolongados.
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:16 pm

Imagem Todas as tribus indígenas, levavam, ao lado, os respectivos sobas e régulos, bem como a bandeira nacional. Sempre que passavam em frente da tribuna presidencial, para saudar o Chefe do Estado, - soltando gritos de entusiasmo, a seu modo, como homenagem do máximo respeito e veneração a Sua Exª - , ouviram-se também , entre os gritos, muitos «vivas» a Portugal e de simpatia pela Nação. Cada tribu apresentou os seus batuques ao som dos quais os guerreiros e dançarinos negros rodopiavam e faziam cabriolas, oferecendo assim um espectáculo inédito, de cor local interessantíssina. Toda a gente o admirou, incluindo aqueles que vivem em Angola.O desfile prolongou-se por longo tempo. Muito curioso o facto de se terem apresentado na parada, indumentárias indígenas das mais variadas, tanto em homens como em mulheres, segundo as regiões. As mães conduziam à mão ou às costas os filhos, visto que associavam a família a estas manifestações.»

Assim foram passando cuanhamas, cuamatos, cacondas, ngivas, naulilas, evales, namacundes, quipungos, quilengues, muílas, muhembes, - as raças bravias do Sul de Angola …

Terminado o desfile a rainha Galinacho, com o seu séquito e as mulheres dos principais sobas, dirigiram-se à tribuna a ***primentar o Chefe do Estado , que comunicou por meio de um intérprete, e ofereceu à soberana preta cortes de seda, além de outros valiosos presentes,entregando aos chefes medalhas comemorativas da sua visita a Angola.
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:17 pm

Rainha Galinacho dos Cuanhamas in
Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa

Imagem
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:18 pm

Grande alegria produziu a gentileza do Sr. Presidente da República, que foi aclamado pelos negros, assim como o nome de Portugal. O Sr. General Carmona retirou-se em seguida para o Palácio, sempre muito ovacionado pela multidão, que também aclamou os Srs. Ministro das Colónias, Governador Geral e Governador da Província.

À noite, os edifícios e a fortaleza iluminavam novamente, assim como muitas casas particulares. A Câmara Municipal ofereceu um baile que decorreu com o maior brilho. Moçâmedes apresentava o aspecto de uma animação de que não se guardava memória.
Imagem Às 6 horas da manhã, do Palácio do Governo, largou uma extensa fila de automóveis.

Ia-se ao deserto de Mossãmedes a caçar. Diversão interessantíssima em honra do Sr. General Carmona. No Pico do Azevedo foi servido o pequeno almoço. Depois repartiram-se em três grupos de caçadores, cada qual com o seu sentido, tomando o do Sr. Ministro das Colónias, a direcção do local onde faleceu o Dr. Luiz Carriço, - Os morros Paralelos – onde foi prestada homenagem à memória do ilustre professor e naturalista.

«O deserto apresenta aspectos vários e diferentes. Encontra-se areia endurecida sobre a qual os carros deslizam velozes; e noutros pontos pedras soltas. No fundo vêem-se morros altos que o circundam, e árvores de pequeno porte que vivem numa espécie de leito de rios que aqui se chamam danibas e são locais geralmente frequentados por caça de toda a espécie».

A primeira peça abatida foi uma gazela com um tiro da carabina do Sr. Dr. Francisco Vieira Machado, que por esse motivo recebeu muitas felicitações. Encontrou o grupo Leste chefiado pelo velho caçador João Teixeira e Raimundo Serrão , várias manadas de cabras das quais foram abatidas algumas.

Cerca das 11 horas encontrava-se outra de guelengues, - grandes antiólopes- de que, na perseguição, tombaram três exemplares. O primeiro caiu com uma bala do Sr. António Eça de Queiroz, que também derrubou um famoso e célebre avestruz. Correm lebres. Fora do alcance do tiro, precipitam-se na fuga manadas de zebras. Os operadores cinematográficos não descansam. Os carros rodam a toda a velocidade, em todos os sentidos, e às 13 horas voltam ao Pico do Azevedo, para o almoço.


Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:20 pm

Imagem Daí a pouco aparece o automóvel que conduzia o Sr. General Carmona, e sua esposa, que haviam saído de Mossãmedes às 11 e meia. O automóvel encontrou uma gazela que o Sr. Presidente encontrara no trajecto, matando-a com um tiro certeiro no coração, dado a mais de 50 metros e com o automóvel em movimento, o que foi aplaudido por todos os presentes.

O almoço decorreu com a maior alegria e à-vontade. Conversando com familiaridade, o Sr. General Carmona inquiria de todos acerca dos princípios da caçada. A um brinde do Sr. Eduardo Torres, felicitando-o pelo belo tiro certeiro, o Sr. General Carmona respondeu espirituosamente, dizendo que para não envergonhar os caçadores saira mais tarde, mas uma gazela, teimosamente, viera postar-se na trajectória da bala, sacrificando-se à sua glória de caçador. A assistência levantou três calorosos «vivas», ao Sr. Presidente da República.

Balanço da caçada: 8 cabras, 6 guelengues. 1 avestruz e uma «tua» abatida por um tiro do sr. dr. José Saldanha, secretário do Sr. Ministro das Colónias. O regresso a Mossãmedes, da qual se estava a cerda de 70 quilómetros, fez-se depois das 16 horas. Foi então digna de ver-se a competição dos carros, como numa grande corrida em enorme pista, todos procurando atingir primeiro o carro do Sr. Presidente da República, ao qual formaram por fim um grande séquito até perto da cidade. O Sr. Presidente da República, com um tiro certeiro, abatera outra gazela.Um magnífico fecho da caçada , - escreveram os jornalistas:

À entrada da cidade, próximo do seu acampamento, encontravam-se os cavaleiros cuanhamas, que, compondo alas, aguardam o automóvel presidencial, acompanhando-o depois, no meio de ruidosas aclamações. Todos os outros indígenas dançaram à passagem, dando «vivas» e saudando calorosamente o Chefe do Estado, que, descendo do automóvel com a sua esposa, se acercou das pretas, risonho, afável.

A Senhora de Fragoso Carmona, o Sr. Ministro das Colónias, visitaram, antes de deixarem Mossãmedes, os acampamentos indígenas, onde as mulheres lhes ofereceram pulseiras, retribuindo generosamente as ilustres senhoras, o que às presenteadas causou grande alegria.

Apesar do Sr. Presidente da República se ter ausentado para o deserto, na cidade continuaram sempre no meio do maior interesse e entusiasmo, as festas em sua honra.


Foto extraída do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:21 pm

Imagem Assim, à tarde, realizaram-se na Avenida Marginal várias diversões que estiveram muito concorridas, vendo-se em grande número, crianças que vestiam trajos regionais portugueses.


Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:22 pm

Imagem À noite percorreu a cidade, que continuou a iluminar, uma deslumbrante marcha «aux flambeaux», que, dirigindo-se ao Palácio do Governo, ali saudou o Chefe do Estado, principalmente quando sua excelência apareceu na varanda a agradecer.

O Sr. Ministro das Colónias, que se encontrava ao lado do Sr. Presidente da República, foi também na ocasião vivamente aclamado.

12 de Agosto

O embarque do Sr. Presidente da República para o Lobito estava marcado para as dez horas. Já muito antes daquela hora na ponte-cais e nas proximidades comprimia-se a concorrência. Estava triste o dia, sem sol. Não se tratava duma despedida, depois de dois dias de grande alegria, duma animação como nunca a cidade ali conhecera. Estão as Escolas, - alunos, mestres e estandartes em duas filas; os estudantes do liceu da Huila, os rapazes da Escola de Pesca; o elemento oficial, figuras notáveis da colónia; a guarda de honra; duas companhias de Infantaria Indígena. A multidão é cada vez mais densa. A mocidade escolar solta diversos «vivas» patrióticos: a Portugal, ao Chefe do Estado, a Salazar, ao Ministro das Colónias…

11 horas e meia.

Morteiros estalando no ar anunciam a saída do Senhor Presidente da República do Palácio do Governo. Ao chegar junto das crianças das escolas, o Sr. General Carmona, saindo do automóvel, passou a pé entre elas, que «vivaram» com calor.O Sr. General Carmona afaga-as e despede-se dos professores. Tornando ao automóvel que o vai levar ao ponto do embarque, pelo caminho fora as aclamações não cessam. Um toque de sentido. Os soldados perfilam-se. É o Sr. Presidente que chega. Às vozes do comando os soldados apresentam armas. Segue-se a cerimónia da revista à guarda de honra, finda a qual o Chefe do Estado se despede dos oficiais. A multidão aclama sempre. A emoção da despedida a todos toma. E é no meio de uma multidão compacta, carinhosa, que expande a sua saudade, que o Sr. Presidente da República se dirige para a ponte, onde muitas senhoras compareceram, também para apresentar as suas despedidas às esposas dos Srs. General Carmona e Dr. Vieira Machado.

O Sr. Presidenta da República aperta a mão aos vereadores de Mossãmedes, aos magistrados, aos representantes de associações e organismos e funcionalismo.Depois, num gesto gentilíssimo, a todas as senhoras presentes agradecendo assim o carinho com que o receberam e a sua esposa. Acompanhado pelos Srs. Ministro das Colónias, governador geral e governador da província, embarca em seguida no «gasolina» qie iça imediatamente o pavilhão presidencial. O «República» salva. Dos barcos ancorados soltam-se também saudações:

Recebidos a bordo, o Sr. Presidente da República, o Sr Ministro das Colónias, e pessoas da sua comitiva, logo o Angola levantava ferro e começava a afastar-se.. E desaparecia, por fim, no rumo do Lobito.»


(*)

As «Kuribekas» eram um importante grupo de poder como instituição organizada, a maçonaria , e existia em Angola pelo menos desde 1860. Não esqueçamos que já em 1918/1920 houvera um enorme e violento protesto organizado em Benguela, que incluiu o bloqueio de estradas, a destruição de pontes e uma greve de trabalhadores que teve forte impacto na economia. E que a partir de 1923, as manifestações e protestos conheceram uma violência invulgar, inclusive, uma greve de trabalhadores do Caminho-de-Ferro no Lobito teve de ser dominada pelos militares. Em 1926, outra greve de trabalhadores brancos havia paralisado a economia de todo o território, e que em resultado disso, havia nascido em Benguela, com filial na Catumbela, a UDA – União dos Defensores de Angola. Aliás, seria um dos elementos da UDA que, olhos nos olhos, deixaria bem claro ao presidente Carmona aquando da sua vista em 1938, que “Angola não pode continuar a ser uma quinta de luxo, gerida à distância, a bel-prazer de quem desconhece as suas ansiedades”.

Pesquisa e texto de MariaNJardim


Nota:

Esta postagem, da sua maior parte, foi efectuada a partir de textos e fotos retirados do já citado Boletim Geral das Colónias . XIV - 162 [Número especial dedicado à viagem de S. Ex.ª o Presidente da República a S. Tomé e Príncipe e a Angola (I)] PORTUGAL. Agência Geral das Colónias. Nº 162 - Vol. XIV, 1938, 684 pags.

Os discursos foram propositadamente omitidos porque tornariam o texto demasiado alongado.

Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:24 pm

excertos da visita do Presidente da República a Mossãmedes, tel como foi perspectivada por um outro jornalista que o acompanhou na viagem. Conf. Boletim Geral das Colónias, 1939:


«....Os que vamos a bordo do «Angola», os que mais de perto convivemos com o Chefe sentimos de cada vez que as obrigações do cargo o obrigam a ficar em terra, penosa saudade. Quando Ele sai, - o barco parece maior, mais vazio. Aqui em Mossãmedes há três dias que só o vemos na rua - nas recepções, nos actos oficiais. Na hora do regresso, ao recomeçar da jornada, vamos todos esperá-lo ao «deck». Está lá sempre a guarda de honra - um grupo selecto de aprumados marinheiros. Mas as nossas palmas, que o Presidente retribui com generosos apertos de mão, são cada vez mais prolongadas e sonoras. É como se saudassemos um Chefe da familia, um ente muito querido e muito amado. Portugal , que pela primeira vez mandou às colónias o Chefe da Nação Não há, a este respeito, duas opiniões diferentes. Os efeitos desta visita, nacional e internacionalmente, já se fazem sentir. Rck, o alegre camarada alemão, que trabalha sia e noite coligindo toda a espécie de docimentos, siz-nos amiúde: «A África é bem vossa». Ele vê, ele ouve, e como sabe ver e ouvir -- compreende.


O Presidente em Angola não cativou só os brancos-- que vivem na saudade de Portugal distante, que desta rica e vasta província estão a fazer um novo e maior Portugal


Os negros, os pretos, que distingue com o seu olhar inteligente e bondoso, com o seu sorriso iluminado e claro, adoram-no. Far-se-iam matar por ele. A tropa indígena, a tropa de África -- milhares de soldados -- é que lhes presta honras, é que vela por ele. E nunca o Presidente esteve tam carinhosamente guardado.
--Branco é bom! Branco é bom!
E nesta frase simples, espontânea, muito do coração, o preto diz quanto lhe vai na alma, o preto, que bate palmas como uma criança, diz quanto quer dizer.
*
Das comemorações de Mossãmedes, a bela cidade do extremo sul de Angola, dolorosa conquista à aridez do deserto, focaremos hoje a festa que o Presidente ofereceu às crianças da cidade e da Huila -- e, ainda, o crepitante e estranho desfilar dos indígenas. São dois acontecimentos memoráveis, dois acontecimentos que ficarão na história da cidade enquanto Portugal existir.


Um desfile de crianças brancas, na Metrópole, é vulgar, e talvez, porque temos dois filhos, nunca os vemos sem emoção. Mas um desfile desses em Moçâmedes, a dois passos do calcinante Kalaari tem cambiantes que se não descrevem -- porque apenas se sentem. Sim, também aqui desfilaram para cima de mil crianças, as meninas e os meninos vestidos de roupas brancas, sapatinhos brancos, cabeleiras bem cuidadas e bem penteadas. Vimo-los de todas as idades -- e quase todos nascidos em Angola. As mães, que se reviam nelas, extaticamente tinham-lhes dado, para que saudassem o Sr Presidente, pequeninas bandeiras com as cores nacionais. O desfile demorou uma hora larga. Tanto menino -- tanta menina! Nem um só faltou à parada. Nem um só deixou de saudar o Chefe -- saudando a Pátria-Mãe. E, como eles gritavam. Como a saudade despertara neles a mágua instintiva da ausência!


Pequeninos rebentos em botão de Portugal Novo . Passaram sob flores, entre aplaudos enternecidos. Não se viam olhos enxutos. O Presidente e a esposa, comovidíssimos, beijavam-nos, um a um, com uma boa palavra, com um lindo brinquedo. O Ministro das Colónias e a esposa, D. Cesaltina Costa e o marido, colaboraram na obra meritória, edificante, carinhosa. Não houve menino por mais pobrezinho e humilde que não tivesse o seu bonito -- um rico bonito -- comprado em Lisboa por muitas dezenas de contos. Portugal não esquecia os brancos que não o esqueciam. E os pais, chorando, exultavam com os filhos:
--Viva o Chefe da Nação!
Doidas de entusiasmo, as crianças cantavam a «Portuguesa». As suas vozitas flébeis subiam no espaço num canto de esperança e de resgate. E a festa continuou pela tarde fora. Houve uma merenda, a banda indígena tocou, fizeram-se roda à boa moda das nossas províncias. E o Presidente, encantado, lembrando-se certamente dos seus netinhos, que por bem de Portugal não vê há tantas semanas deixou-se ficar entre eles, entre os pequenos, em conversas demoradas e enternecedoras, prendendo-os e prendendo-se. O coração, para os Portugueses, é tudo!
*


A tarde de hoje, forma, com a tarde de ontem, violento contraste. Ao desfile dos brancos -- crianças a sorrir para a vida -- sucedeu o desfile dos negros, indígenas do Lubango e do Cunene, quipungos, cuamatos, cuanhamas, evales, mahumbes, andubos, quacas, cacondas, mucorecos, quilengues...


À frente, aprumada, a banda indígena. Depois os contingentes militares negros --pés descalços, cofiós vermelhos, fardas bem limpas, passo marcial e decisivo. Sob o céu plúmbeo, pesado, sem réstea de sol, os soldados caminham prasenteiramente, numa saudação à Pátria, onde há vida, alegria, emoção. A farda que envergam orgulhosamente, emancipou-os, aproximou-os do branco. Falam Português, muitos deles escrevem na nossa língua, lavam-se, repudiam baixas superstições -- e sonham com Portugal.


Uma grande clareira -- e inicia-se o desfile das tribus. Abrem o longo e impressionante cortejo, o mais bizarro e estranho de quantos temos visto -- os valorosos cavaleiros cuanhamas. Nem selas, nem esporas. Pernas nuas, agarrando, guiando, conduzindo as montadas -- pernas e torsos nus. Na cabeça, de um negro cintilante, largos chapéus castanhos. À cintura, curtos e delgados punhais. Passam com estrépito, soltando gritos guerreiros. Os cavalos, de boa estampa, não são ferrados. Frente à Tribuna do Presidente, os seus clamores redobram. A multidão branca aplaude.


Veêm-se sobas e sobetas, de fatos brancos agaloados a verde ou vermelho, pés muito lustrosos, comandando as danças mais estranhas que possam imaginar-se. A rainha Galinaxo, arrasta, num ar cansado, a sua túnica de seda, insensivel aos aplausos. Interessa, pela flexibilidades dos bustos e pela harmonia das linhas, à corte de raparigas que a segue. Muitas são virgens. Vão quási nuas. Todo o seu luxo está nos penteados -- fantasias macabras que os cabeleireiros de Paris ainda não sonharam. Os corpos, untados de azeite e tacula, tomaram um tom acobreado, quási rubro. São mulheres serpentes, demoníacas mulheres de uma beleza fatal, perigosíssima, capaz de tentar o mais santo dos homens.


Há-as de cabelo inteiramente rapado, há-as ainda com cabeleiras arritmicas e assimétricas, há-as que usam inacreditáveis «crochés» -- numa policromia arbitrária, sem leis possíveis. Algumas escondem as pernas altas sob apertadas voltas de arame amarelo, outras enfeitam-se com conchas e búzios. A maior parte caminha em semi-nudez, com um simples «cache sexe» exibindo o torço com garridice e orgulho. Rapazes e velhos confundem-se com as mulheres . Tem o mesmo riso infantil, o mesmo passo incerto, a mesma exuberante alegria. Na indumentária -- todos se parecem. Colares e brincos -- quase todos usam. Só diferem na maneira de mostrar a sua satisfação , na maneira de saudar Muene Puto.


Se uns dançam ao som do batuque, com reverências cortesanescas, outros saltam como gorilas, outros ainda guincham como macacos, os terceiros imitam o cantar das aves da selva. As tribus do Lubango, mais silenciosas e calmas, habituadas já à vida pastoril, passam, agitando bandeiras. Neste desfile imenso de tribus vindas de toda a Huíla, o que mais impressiona é o respeito que todos mostram por Portugal. A bandeira de Portugal vai sempre à frente de cada tribu. E é sempre um rei ou um príncipe, uma rainha ou uma princesa, que a segura. Ai de quem a desrespeitar! Estes pretos semi-bárbaros têm ritos e leis de que são escravos. Portugal é de há muito, uma das suas leis maiores -- o seu maior rito. E Portugal, para eles, sempre que o chefe não está, é aquela bandeira a sua, a nossa bandeira.


Na tarde que morre como nasceu, sem sol -- pesada de nuvens pardas e baixas -- o desfile continua. Não há, entre os que o veêm, a paleta de um Goya -- o génio ultra-satânico de um Beaudelaire. Exteriormente -- é um mundo de gnomos, animado aqui e ali por um ou outro busto sensual de mulheres. Os efebos, de formas apolíneas são muitos. Os velhos, cansados, de barbas brancas, ainda mais. Aquilo prende, excita, entristece, alucina. Penalizam os corpos, mirrados, secos, torsos, esqueléticos, a tremer de frio. O preto não se resguarda, não conhece o mais elementar dos agasalhos, as mais elementares regras de higiene. Os mucubais, para se defenderem da nortada, embrulham-se na casca dos imbondeiros, os gigantes da flora africana. Formam «toilettes» irrisórias, inverosímeis. Muitos deles, a completar o quadro, põe na cabeça solideus. São os mais valentes, os mais decididos, os que vivem ainda na pura tradição gentílica...

*
O desfile acaba quase noite. A rainha galinaxo, já sorridente, recebe valiosos presentes do Chefe do Estado. Sobas e sobetas são também premiados. Uma grande alegria aquece aqueles corpos. A gritaria cresce na noite que se adensa. O acampamento, à porta do deserto, movimenta-se como colossal cidade. Repetem-se os batuques estridentes, clamorosos. Um quibala faz soar o quissange -- melancolicamente. Mas o batuque, de des*****mentos sensuais, domina, vence, arrasta tudo. Esta febre de luxúria consome-nos, devora-nos. É um quadro novo, um quadro que talvez não voltemos a ver. Ficamos na tentação da terra e desta enorme e improvisada senzala. Outros camaradas precedem , ou seguem, o nosso exemplo. As damas de Galinaxo, lascivas e sensuais, querem beber. Beber e fumar. A noite é de festa, festa grande, festa rija. Dá-se-lhes de beber, dá-se-lhes de fumar. Canta-se, dança-se, escuta-se o batuque, ouve-se o tom covo do n'dongo. Noite alta, já com os primeiros alvores matutinos, reentramos no «Angola». Assaltam-nos monstruosas visões. E, tontos de sono e de fadiga, esmagados por emoções, tam contrárias e tam profundas, duvidámos do que vimos, do que ouvimos -- duvidámos de nós próprios. Será certo que só agora começamos a viver?...


XIII
Lobito, 13 de Agosto. Deixámos Mossãmedes ontem, a meio da manhã, num clarão de apoteose. A cidade piscatória, a cidade que agrupa o homem do mar, o homem da montanha e o homem da planície, pedaço de terra arrancada ao deserto, caldeada em sangue e em mil sacrifícios, não queria seprar-se do Presidente. Acompanhou-o ao cais, entre saudações frementes, hinos de esperança, hossanas de vitória. E quando o gasolina do porto cortou as águas em direcção ao Angola -- marejaram-se de lágrimas todos os olhos.


Os pequeninos, as crianças que o Chefe do Estado e a Senhora Fragoso Carmona, tam carinhosamente trataram, na mais linda das festas a que temos assistido, é que davam mais «palmas», é que gritavam mais «vivas». E os seus lencitos acenados por mãos débeis, ficaram muito tempo no cais, ao longo da restinga, num inocente e saudoso adeus. Não poderia encontrar maior nem melhor representante comemorações Mossãmedes a bela cidade do extremo sul de Angola


Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:26 pm

PERSONALIDADES QUE VIAJARAM COM O CHEFE DO ESTADO NO NAVIO «ANGOLA»

D. Maria do Carmo Fragoso Carmona, esposa do Chefe do Estado; D. Cesaltina Carmona Silva e Costa, filha do Chefe do Estado; srs: general Amilcar Mota; chefe da Casa Militar; comandante Jerónimo Weinholtz, ajudante de campo; capitão António da Silva e Costa, oficial às ordens; capitão Mário de Carvalho Nunes, oficial às ordens; dr. Cassiano Neves, medico.

Sua Exª. o Ministro das Colónias; Senhora. D. Maria do Carmo Contreiras Machado; capitão António José Caria, chefe de gabinete; dr. Alberto José Lavrador, secretário do Ministro; José Luís da Câmara de Saldanha, funcionário do Ministério das Colónias. Metzner Leone (Diário de Notícias); Leopoldo Nunes (Século); dr. Manuel Múrias (A Voz); Rogério Peres (Diário de Lisboa); dr. Fernando Pamplona (Diário da Manhã); António Eça de Queiróz (Jornal do Comércio e das Colónias); Fernando Baptista (República); Jaime de Carvalho (S.P.N.); Manuel Ribas (Comércio do Porto); Juliano Ribeiro (Jornal de Notícias); dr. Gustavo de Almeida (Novidades); Gabriel Maia (O Primeiro de Janeiro. Notícias da época: Diário de Notícias

Citando Carmona, o título não podia ser mais expressivo: "Agradeço hoje à Providência o ter-me guardado para esta jornada maravilhosa".


Estes são os tempos do império e da redefinição do orgulho nacional, época do Acto Colonial - pedra angular da primeira época do Estado Novo e da sua visão de Portugal no mundo - e de uma "Pátria em tamanho natural, duma Pátria em que se confundem todas as raças e todos os séculos", lia-se no editorial desse dia.

Enquanto o Estado Novo reforçava a sua imagem interna e externa, as páginas do DN registam o acumular de sinais que vão culminar no ataque alemão à Polónia no 1 de Setembro do ano seguinte. Sob o título "Hitler fez ontem uma visita de inspecção às fortificações da Renânia", lia-se que "são desfavoráveis as perspectivas de acordo entre checos e sudetas". Ao lado, registavam-se ainda as "manobras navais" da esquadra portuguesa, que fundeara no dia anterior na baía do Funchal.Estes eram os tempos em que o DN inscrevia na primeira página «Visado pela Censura».




In Boletim Geral das Colónias . XIV - 162 [Número especial dedicado à viagem de S. Ex.ª o Presidente da República a S. Tomé e Príncipe e a Angola (I)] PORTUGAL. Agência Geral das Colónias. Nº 162 - Vol. XIV, 1938, 684 pags.

Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:30 pm

Imagem
Mossãmedes em 1855
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:35 pm

O Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro, facultativo (Médico) pioneiro em Mossãmedes
Imagem O Major Médico Dr. JOÃO CABRAL PEREIRA LAPA E FARO

Através da obra de Mendonça Torres, ficámos a saber de outros nomes que não estando registados como fundadores do Distrito de Mossãmedes, são elevados a esse «Quadro de Honra» conforme à destacado no jornal «O SUL DE ANGOLA»:


«...Ainda que não pertencesse a nenhum dos grupos de 1849 ou de 1850, activa e dedicadamente prestara inovidáveis serviços ao Distrito e às suas gentes na fase da sua formação, pelo que a sua veneranda memória se tornara credora de singela, mas expressiva homenagem, que aqui deixamos reproduzida».

É o caso do popular Dr. Lapa e Faro, facultativo da província, possuidor de um veículo que havia mandado construir para transportar pelos areais de Mossãmedes as pessoas de sua casa nas caçadas que habitualmente costumavam empreender. Tratava-se de um carro leve e comodo, que além de conduzir passageiros, servia também para o transporte de pessoas doentes ou fragilizadas.

O Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro, que passou quase toda a sua vida em Moçâmedes, onde exerceu clínica, comunicava — em 22 de Maio desse ano de 1865 — ter concluído a primeira fase do embalsamamento de um leão, que se remetia para o reino. Em cota lavrada sobre o documento determinava-se que este facultativo fosse louvado pelo trabalho realizado e iniciativa que tivera.

Ainda sobre o Dr Lapa e Faro, e no que concerne a caçadores que se distinguiram à época da formação do distrito de Mossãmedes, seguem algumas informações colhidas do Boletim da Sociedade de Geografia, 2ª série, nº1 de 1880, onde vem publicado um relatório da viagem de exploração efectuada pelo segundo tenente António Almeida Lima, de 1 de Janeiro de 1879.


Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:37 pm

A Casa do Dr Lapa e Faro (1)
Imagem No Livro de Manuel Júlio de Mendonça Torres, 2º volume, do Ciclo Aureo da Cultura do Algodão, faz referência a um ofício de Pinto Balsemão, datado de 23.03.1868, onde este descreve, entusiasmado, a casa do Dr. Lapa e Faro, médico na povoação, que estava à época a ser construida, revestida de fachada de grande gosto arquitectónico, que devia ser a melhor da vila. Possuia também dois jardins, um deles coberto de flores, arbustros, viveiros, quiosques, lagos, etc., outro a ser construido ainda. Segue um fragmento do ofício de Balsemão:


«Só quem vê aquele aquele areal estéril e pleno de monotonia em que está colocada a vila, pode bem prever as dificuldades com que o Dr. Lapa e Faro tinha lutado para conseguir ter jardins no pé em que estão os que cercam a sua vivenda em Mossãmedes, dada a dificuldade de obtenção de tudo quanto é necessário, a terra para jardim vinda de grande distância, as sementes e os arbustos de países remotos para aclimatar a Mossãmedes, grandes despesas».

Quando Manuel Júlio de Mendonça Torres, o autor do livro, nasceu, a casa já não pertencia ao Dr Lapa e Faro, que havia falecido há muito. Ficava situada na Rua das Hortas (?), época em que a moradora, sua proprietária, era Rosa Gonçalves Moreira, funcionando arrendado no jardim um campo de jogos de um grupo desportivo local. Refere ainda Balsemão a existência de uma outra vivenda que também pertenceu ao Dr. Lapa e Faro, próxima da Aguada, nos arrabaldes da vila, construida posteriormente, que nada tem a ver com esta situada em plena vila e Mendonça Torres remete com descrição no lll volume desta obra.

Do mesmo modo , Mendonça Torres evoca os nomes de outras duas individualidades, que, não havendo também entrado na constituição dos seus corajosos componentes da 1ª nem da 2ª colónia, foram seus contemporâneos tendo ligado as suas vidas à vida do Distrito, através de préstimosa e distintivos activação:

BERNARDINO JOSÉ BROCHADO E JOÂO DUARTE DE ALMEIDA.

Recuando atrás, muito atrás, aos tempos da formação do Distrito, nunca é demais salientar os nomes de três caçadores que ficaram ligados a este vastíssimo e atraente Deserto, atraidos que foram pela abundância e variedade de animais que nele têm o seu habitat. Um deles foi Nestor José da Costa, filho do chefe da 2ª colónia chegada a Mossãmedes em 1850 proveniente de Pernambuco (Brasil), José Joaquim da Costa. Outro, foi José Anchieta, naturalista, que colheu no deserto do Namibe e enviou para o Museu Nacional de Lisboa milhares de exemplares entre os quais cerca de cinquenta novas espécies.

Pesquisa e compilação de textos de Maria NJardim

No Livro 45 Dias em Angola, 1862, Lapa e Faro é comparado a Robinson Crusué «pela sua habilidade em todos os oficios, capaz de cozer a sua própria roupa, tratar doentes na sua qualidade de médico, construir seu próprio carro tendo por motos um boi-cavalo guiado por um moleque». Fala-nos também da sua preferência em viver no campo


Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:38 pm

Imagem MOSSAMEDES
"LABOR OMNIA VINCIT"
(O trabalho tudo vence)
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal

Re: FOTOS DO NAMIBE - ANTES DE 74

Mensagempor Vitor Oliveira em Quarta Ago 11, 2010 7:41 pm

Imagem
Diogo Cão

Escudeiro de D. João II, partiu de Lisboa a seu mandado, no ano de 1482, em duas caravelas para prosseguir a viagem das descobertas para o sul. Chegou à foz do rio Zaire nesse ano, onde colocou um padrão (padrão de S. Jorge) a atestar aos vindouros a posse que tomava, em nome de Portugal, das terras contíguas. De regresso a Lisboa, fez uma segunda viagem e colocou no Cabo de Santa Maria um segundo padrão (padrão de Santo Agostinho). Em 1484, D. João II ordenou uma nova viagem, tendo Diogo Cão atingido o Cabo Negro, no ano seguinte, já na costa do distrito de Mossãmedes, onde colocou um terceiro padrão (padrão do Cabo Negro). Ainda colocou um quarto padrão na costa ocidental de África, este no Cabo da Serra (Serra Parda e Cross Point), em território mais tarde administrado pela União Sul-Afrcana.

Fotos extraídas do blog Mossãmedes do Antigamente:
Avatar do utilizador
Vitor Oliveira
Administrador do fórum
 
Mensagens: 5484
Registado: Sexta Abr 24, 2009 2:14 pm
Localização: Alferrarede - Abrantes - Portugal
---------

AnteriorPróximo

Voltar para SALA DO NAMIBE

Quem está ligado

Utilizadores a navegar neste fórum: Nenhum utilizador registado e 0 visitantes

cron