HISTÓRIA DE ANGOLA

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GUERRAS: COLONIAL E CIVIL - INDEPENDÊNCIA - ETNIAS HISTÓRIA - O 25 DE ABRIL E A DESCOLONIZAÇÃO

Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Jan 26, 2010 8:40 am


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25-01-2010 5:11

Efeméride
Cidade de Luanda foi fundada há 434 anos

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Luanda - A população da cidade de Luanda celebra hoje, 25 de Janeiro, o 434º aniversário da sua fundação, em 1576.

Em 1575, o capitão português Paulo Dias de Novais, ao desembarcar na Ilha do Cabo, estabeleceu o primeiro núcleo de colonos portugueses: cerca de 700 pessoas, das quais 350 homens de armas, religiosos, mercadores e funcionários públicos.

Um ano depois (1576), reconhecendo não ser aquele lugar adequado, avançou para terra firme e fundou a vila de São Paulo da Assunção de Luanda, e lançou a primeira pedra para a edificação da igreja dedicada a São Sebastião, onde se encontra hoje o Museu das Forças Armadas.

Trinta anos mais tarde, com o aumento da população europeia e do número de edificações, a vila de São Paulo da Assunção de Luanda tomou foros de cidade, estendendo-se de São Miguel ao largo fronteiriço ao antigo Hospital Maria Pia (actual Josina Machel).

No período da União Ibérica, em 1618 foi construída a Fortaleza de São Pedro da Barra. A cidade tornou-se no centro administrativo de Angola desde 1627.

Em 1634 foi construída a Fortaleza de São Miguel de Luanda. A cidade foi conquistada e esteve sob o domínio da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais de 1641 a 1648 quando foi recuperada para a Coroa Portuguesa por uma expedição enviada da Capitania do Rio de Janeiro, no Brasil, por Salvador Correia de Sá e Benevides.

De 1550 a 1850, Luanda foi um importante centro do tráfego de escravos para o Brasil.

Enquanto apenas um quinto de suas importações eram originadas de Portugal, os outros quatro quintos eram com o Brasil. O equilíbrio na balança comercial era mantido com o intenso contrabando de escravos.

A cidade limitava-se a funções militares, administrativas e de redistribuição.

A indústria era praticamente inexistente e a instrução pública pouco evoluída.

Em 1847, incluindo os edifícios públicos, a cidade contava com 144 casas com primeiro andar, 275 casas térreas e 1058 cubatas (cabanas de indígenas).

Cidade de degredados, com cerca de cinco mil habitantes, possuía perto de cem tabernas, pelo que viajantes a qualificavam como de moralidade duvidosa.

Em 1889, o governador Brito Capelo inaugurou um aqueduto que forneceu a cidade de água potável, anteriormente escassa, abrindo caminho para o grande crescimento de Luanda. Em 1872 Luanda recebeu o etnônimo de "Paris da África".

Luanda é a maior e a mais densamente habitada cidade de Angola. Inicialmente projectada para uma população a rondar os 500 mil habitantes, é hoje uma cidade superpovoada.

Segundo os últimos estudos, vivem actualmente em Luanda mais de cinco milhões de habitantes.

A cidade de Luanda é constituída por nove municípios: Cazenga, Ingombota, Kilamba Kiaxi, Maianga, Rangel, Samba e Sambizanga, Cacuaco e Viana.

A zona central de Luanda está dividida em duas partes, a Baixa de Luanda (a cidade antiga) e a Cidade Alta (a nova cidade). A Baixa de Luanda está situada próxima do porto.

O litoral é marcado pela Baía de Luanda, formada pela protecção do litoral continental por meio da Ilha de Luanda e a Baía do Mussulo, ao sul do núcleo urbano principal, formada pela restinga do Mussulo.

O clima é quente e húmido, mas surpreendentemente seco, devido à fria Corrente de Benguela que impede a condensação da humidade para chuva. Frequentemente, o nevoeiro impede a queda das temperaturas durante a noite, mesmo durante o mês de Junho, que costuma causar secas completas até Outubro.

Luanda possui uma precipitação anual de 323 milímetros, mas a variabilidade está entre as mais altas do mundo, com um coeficiente de variação superior a 40%.

O curto período de chuvas nos meses de Março e Abril depende de uma contra-corrente de norte que traz humidade à cidade.

Luanda é a maior cidade e capital de Angola, sendo também a capital da província homónima. Localizada na costa do Oceano Atlântico, é o principal porto e centro administrativo de Angola. Tem uma população de aproximadamente 4,5 milhões de habitantes (estimativa da ONU em 2004), o que a torna a terceira maior cidade lusófona do mundo, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.

As indústrias presentes na cidade incluem a transformação de produtos agrícolas, produção de bebidas, têxteis, cimento e outros materiais de construção, plásticos, metalurgia, cigarros, e sapatos.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Sexta Jan 29, 2010 9:08 pm

Contributo para a História Angola.

(O homem que ... Savimbi)
Simão Carlitos Wala.jpg

- O general angolano na foto é Simão Carlitos Wala, que dirigiu a operação de liquidação de Jonas Savimbi. Pelo menos foi o que relatou ao historiador e veterano de guerra russo em Angola, Serguei Kolomnin. Aqui fica o relato.

- "Em Abril de 2008, Serguei Kolomnin, escreveu. “Depois da morte de Savimbi, na nossa imprensa e na estrangeira, foram publicadas numerosas versões sobre as circunstâncias da sua morte. Falou-se dos serviços secretos soviéticos, americanos, e que na operação de liquidação de Savimbi participaram tropas especiais estrangeiras...”
- “Quem matou Savimbi na realidade? E como?”, pergunta o veterano russo e responde com um nome:”brigadeiro Simão Carlitos Wala”.
- Baseando-se no relato do oficial angolano, Kolomnin escreve: “No dia 16 de Dezembro de 2001, na região de Cassamba, o estado-maior móvel de Savimbi, que se deslocava de um lado para o outro, foi alcançado por destacamentos de “caçadores” governamentais. O próprio líder da UNITA conseguiu salvar-se fugindo. Ele vagueou pela savana durante quase um dia, sozinho, desarmado e sem guardas. Ele escapou por milagre e chegou a uma das bases da UNITA. Quando da fuga, ele deixou ficar não só toda a sua roupa e objectos pessoais, incluindo armas antigas raras, mas também vários pares de galões de general novos, acabados de chegar de Paris. Savimbi olhava para esses objectos com muita paixão.
- Nesse combate, ele perdeu também três dos seus mais fiéis guardas, famosos pela sua crueldade extrema, que o acompanharam durante muitos anos. Eles foram feitos prisioneiros pelos “caçadores”. Isso foi uma espécie de sinal: a caça ao “Galo Negro” aproximava-se do seu fim lógico. E, finalmente, a 22 de Fevereiro de 2002, Savimbi e o seu estado-maior foram novamente alcançados por um destacamento de “caçadores”da 20ª brigada das Forças Armadas de Angola, comandada pelo brigadeiro Simão Carlitos Wala.
- O mais jovem general angolano nessa altura (acabára de fazer 30 anos) contou, mais tarde, ao autor destas linhas a operação “Kissonda”, realizada pela sua brigada, que levou à morte de Sabimvi: “Eu estava convencido do êxito da operação, a que chamámos “Kissonda”.Savimbi, o seu estado-maior e os seus combatentes, depois de uma perseguição de muitos meses na savana, foram alcançados pelos “caçadores” na província do Mochico, na região dos afluentes do rio Lunga-Bungu: Luvua, Luonza e Lumai, perto da fronteira com a Zâmbia.Restavam 50 a 70 quilómetros para lá chegar. Ele movimentava-se para o Oriente, avançava para onde era esperado por um destacamento armado da UNITA, comandado pelo general Bicho. Inicialmente, Savimbi forçou o rio Luvua.
- Depois, sentindo a perseguição, ele, para tentar confundir pistas, dividiu o seu destacamento em várias partes. Uma, comandada pelo general Camorteiro, chefe do estado-maior das FALA, avançou para o Ocidente ao longo da margem esquerda do rio Luonza; outra, comandada pelo general Mole. Ele confundia constantemente as pistas, ora dirigia-se para Sul, ora virava para Norte. Parecia-lhe faltar pouco para escapar ao cerco. Mas os combatentes da 20ª cortaram todas as vias para a fronteira da vizinha Zâmbia. E Savimbi entrou em pânico.
- Quando, de manhã, por volta das sete horas, os nossos combatentes descobriram o rasto do grupo, ele sentiu isso e fugiu. Às 15 horas, entrou em confronto com os nossos destacamentos, foi atacado e morreu no tiroteio”(19ª) Este artigo do veterano russo termina com uma informação curiosa: “O mais jovem general das Forças Armadas de Angola, o homem que comandou a operação “Kissonda”, que levou à liquidação de Savimbi, foi...posto na reserva e enviado para a Rússia, para estudar na Academia Militar Frunze. Para longe do pecado.
- E se algum dos membros irreconciliáveis da UNITA vivo decidir vingar Sabimbi?”"

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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Sexta Jan 29, 2010 9:14 pm

Contributo para a História

Nito Alves.jpg


- O "golpe" de Nito Alves em Angola, ocorrido a 27 de Maio de 1977, constitui uma das páginas mais misteriosas da história recente desse país lusófono. Os arquivos soviéticos, que poderiam esclarecer muita coisa, nomeadamente sobre o papel da URSS nesses acontecimentos, são inacessíveis e é difícil encontrar pessoas na Rússia que queiram falar do caso.

- Resta-nos juntar partícula a partícula com vista a tentar criar um quadro minimamente objectivo daquele episódio da luta no interior da direcção angolana.

- Nesta investigação, é importante ter cuidado no manuseamento dos factos para não se complicar ainda mais as coisas.

- Recentemente, numa das minhas rápidas passagens por Portugal, comprei o livro "O meu Testemunho. A purga do 27 de Maio de 1977 e as suas consequências trágicas", de José Fragoso, publicado em 2009.

- Pelo que compreendi da leitura, José Adão Fragoso esteve ligado a esses trágicos acontecimentos e, como a mim me interessa esclarecer o papel dos conselheiros militares soviéticos no 27 de Maio de 1977, li com atenção os parágrafos onde esse político angolano aborda essa questão.

- José Fragoso escreve na página 133: "O apoio dos soviéticos aos niitistas não tinha reservas. Conhecedores da história do MPLA, desde os tempos de Brazaville, em que Lúcio Lara chegou a proibir a entrada de Putin na sede do MPLA, hoje primeiro-ministro, na altura delegado soviético, cientes da natureza das diferentes tendências do movimento, os soviéticos consideraram Nito Alves, o dirigente político capaz de superar as ambiguidades no seio do MPLA".

- Começo por notar que Vladimir Putin, actual primeiro-ministro russo, não podia andar por Brazaville visto ter nascido em 1952 e ter apenas 21 anos quando se deu o 25 de Abril de 1974. Como os "tempos de Brazaville" são ainda anteriores a essa data, Putin, nessa altura, ainda terminava a escola secundária em Leninegrado ou começava a frequentar a Faculdade de Direito da universidade da mesma cidade soviética.

- Segundo a biografia do dirigente russo, ele trabalhou no Departamento do KGB de Leninegrado entre 1975 e 1984 e só depois foi trabalhar para a República Democrática Alemã.

- Trata-se claramente de uma confusão de apelidos. Na altura a que José Fragoso se refere, em Brazaville e, depois, em Luanda, trabalhou o coronel da GRU (espionagem militar soviética) Boris Putilin.

- Este agente soviético é um profundo conhecedor da situação no interior da direcção do MPLA e não esconde as tensas relações existentes entre Lúcio Lara e Agostinho Neto, por um lado, e a União Soviética, por outro. No entanto, penso ainda não haver bases muito sólidas para concluir que o apoio de Moscovo "aos niitistas não tinha reservas", como escreve José Fragoso.

- Este problema parece ser bem mais complicado, sendo necessário continuar as investigações históricas.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Sexta Jan 29, 2010 9:57 pm

Cuito Cuanavale revisitado

- Este ano decorre mais um do início da batalha de Cuito Cuanavale, no sudeste de Angola, quando as forças armadas da África do Sul do apartheid enfrentaram o exército cubano e as forças angolanas. O general Magnus Malan escreve nas suas memórias que a campanha foi uma grande vitória para as forças de defesa sul-africanas (SADF) mas Nelson Mandela não podia discordar mais: "Cuito Cuanavale – afirmou – foi a viragem para a luta de libertação do meu continente e do meu povo do flagelo do apartheid".

- O debate sobre o significado de Cuito Cuanavale tem sido intenso, em parte porque os documentos sul-africanos relevantes continuam classificados. Entretanto, pude estudar os documentos nos arquivos fechados cubanos e também muitos documentos norte-americanos. Apesar do fosso ideológico que separa Havana e Washington estes documentos relatam uma história com impacto pela semelhança que têm.

- Analisemos os factos. Em Julho de 1987 as forças armadas angolanas (FAPLA) lançaram uma ofensiva de grande envergadura no sudeste de Angola contra as forças de Jonas Savimbi. Mas ao ver que a ofensiva estava a ter êxito as SADF, que controlavam as partes mais meridionais do sudoeste de Angola, intervieram no sudeste. Em princípios de Novembro das SADF haviam encurralado as melhores unidades angolanas na aldeia de Cuito Cuanavale e preparavam-se para aniquilá-las.•

- O Conselho de Segurança das Nações Unidas exigiu que as SADF se retirassem incondicionalmente de Angola, mas a administração Reagan assegurou que esta exigência fosse uma Resolução sem maior transcendência. O secretário de Estado Adjunto dos Estados Unidos para África, Chester Crocker, disse ao embaixador da África do Sul nos Estados: "a resolução não prevê sanções e não estabelece nenhuma assistência a Angola. Isto não é por acaso e sim o resultado dos nossos esforços para manter a resolução dentro de certos limites" [1] . Enquanto isso, as SADF aniquilariam as unidades de elite das FAPLA.

- Em princípios de 1988, fontes militares sul-africanas e diplomáticos ocidentais asseguravam que a queda de Cuito era iminente. Isto significaria um golpe demolidor para o governo angolano.•

- Mas a 15 de Novembro de 1987 o presidente cubano Fidel Castro havia decidido enviar mais tropas e armas para Angola: seus melhores aviões com os seus melhores pilotos, suas armas anti-aéreas mais refinadas e seus tanques mais modernos. A intenção de Castro não era só defender o Cuito, era retirar as SADF de Angola de uma vez e para sempre. Mais tarde ele descreveu sua estratégia ao líder do Partido Comunista Sul-africano, Joe Slovo: Cuba travaria a investida sul-africana e a seguir atacaria em outra direcção, "como o boxeur que com a mão esquerda o mantém e com a direita o golpeia" [2] .

- Aviões cubanos e 1500 soldados cubanos reforçaram os angolanos e Cuito não caiu.•

- A 23 de Março de 1988 os sul-africanos lançaram seu último assalto de maior envergadura contra Cuito. Tal como o descreve o coronel Jan Breytenbach, o assalto sul-africano "foi travado abrupta e definitivamente" pelas forças conjuntas cubanas-angolanas.

- A mão direita de Havana preparou-se para golpear. Poderosas colunas cubanas estavam a avançar no sudoeste de Angola em direcção à fronteira da Namíbia. Os documentos que nos poderiam dizer o que os líderes sul-africanos pensaram desta ameaça continuam classificados. Mas sabemos os que as SADF fizeram: cederam terreno. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos explicaram que os sul-africanos se retiravam porque estavam impressionados com a rapidez e a força do avanço cubano e porque consideravam que um combate de maior envergadura "teria acarretado grandes riscos" [3] .

Aeródromo de Cahama.jpg


- Quando criança, na Itália, escutei meu pai falar da esperança que ele e seus amigos sentiram em Dezembro de 1941 ao ouvir na rádio que as tropas alemãs haviam tido que abandonar a cidade de Rostov do Don. Era a primeira vez em dois anos de guerra que o "super homem" alemão fora obrigado a retirar-se. Recordei-me das suas palavras – e do profundo sentimento de esperança que elas implicavam – quando li a imprensa sul-africana e da Namíbia em meados de 1988.

- A 26 de Maio de 1988 o chefe das SADF anunciava que "forças cubanas e da SWAPO fortemente armadas, integradas pela primeira vez, avançaram em direcção ao sul a uns 60 quilómetros da fronteira com a Namíbia". A 26 de Junho o administrador general sul-africano da Namíbia reconhecia que MIGs-23 cubanos estavam a voar sobre a Namíbia, uma mudança dramática em relação àqueles tempos em que os céus pertenciam às SADF. Acrescentava que "a presença dos cubanos havia provocado uma onda de ansiedade na África do Sul".

- Contudo, estes sentimentos de ansiedade não eram compartilhados pelos negros sul-africanos: eles viam a retirada das forças sul-africanas como uma luz de esperança.

- Enquanto as tropas de Castro avançavam rumo à Namíbia, cubanos, angolanos, sul-africanos e estado-unidenses enfrentavam-se na mesa de negociações. Dois pontos eram chave: se a África do Sul aceitava a implementação da Resolução 435 do Conselho de Segurança das Nações Unidas que exigia a independência da Namíbia e se as partes poderiam pôr-se de acordo sobre um cronograma da retirada das tropas cubanas de Angola.

- Os sul-africanos pareciam estar cheios de esperança: o ministro dos Negócios Estrangeiros Pik Botha esperava que a Resolução 435 fosse modificada. O ministro da Defesa Malan e o presidente PW Botha afirmavam que a África do Sul se retiraria de Angola só "se a Rússia e os seus títeres fizessem o mesmo". Eles nem sequer mencionavam retirar-se da Namíbia. A 16 de Março de 1988 o Business Day informava que Pretória estava "oferecendo retirar-se para a Namíbia – não da Namíbia – em troca da retirada das forças cubanas de Angola. Ou seja, a África do Sul não tem qualquer intenção de retirar-se do território em nenhum futuro próximo.•

- Mas os cubanos haviam revertido a situação no terreno e quando Pik Botha apresentou as exigências sul-africanas Jorge Risquet, que estava à frente da delegação cubana, caiu-lhe em cima com uma tonelada de tijolos: "a época das aventuras militares, das agressões impunes, dos seus massacres de refugiados acabou". A África do Sul – disse – estava a actuar como se fosse "um exército vencedor ao invés do que é na realidade: um exército agressor golpeado e em retirada discreta... A África do Sul deve compreender que não obterá nesta mesa de negociações o que não pode alcança no campo de batalha" [4] .

- Ao terminar a ronda de negociações no Cairo Crocker enviou um telegrama ao secretário de Estado George Shultz dizendo que as conversações haviam tido "como pano de fundo a tensão militar crescente devido ao avanço em direcção à fronteira da Namíbia de tropas cubanas fortemente armadas no sudoeste de Angola... o avanço cubano no sudoeste de Angola criou uma dinâmica militar imprevisível" [5] .

- A grande pergunta era: deter-se-iam os cubanos na fronteira? Para obter uma resposta a esta pergunta Crocker procurou Risquet. "Tem Cuba a intenção de deter o seu avanço na fronteira entre a Namíbia e Angola?" Risquet respondeu: "se eu lhe dissesse que não se vão deter estaria a proferir uma ameaça. Se eu lhe dissesse que se vão deter estaria a dar-lhe um meprobamato e eu nem quero ameaçar nem quero dar-lhe um calmante... o que disse é que só os acordos sobre a independência da Namíbia podem dar as garantias" [6] .

- No dia seguinte, 27 de Junho de 1988, MIGs cubanos atacaram posições das SADF junto à barragem de Calueque, onze quilómetros a norte da fronteira da Namíbia. A CIA informou: "a maneira exitosa com que Cuba utilizou sua força aérea e a aparente debilidade das defesas anti-aéreas de Pretória" sublinhavam o facto de que Havana havia conseguido a superioridade aérea no sul de Angola e no norte da Namíbia. Uma poucas horas depois destes ataque com êxito dos cubanos, as SADF destruíram uma ponte próxima a Calueque, sobre o Rio Cunene. Destruíram-na – opinou a CIA – "para dificultar à tropas cubanas e angolanas o cruzamento da fronteira com a Namíbia e para reduzir o número de posições que devem defender" [7] . O perigo de um avanço cubano sobre a Namíbia nunca antes havia parecido tão real.•

- Os últimos soldados sul-africanos saíram de Angola a 30 de Agosto, quando os negociadores nem sequer haviam começado a discutir o cronograma da retirada cubana de Angola.•

- Apesar de todos os esforços de Washington para impedi-lo, Cuba mudou o curso da história da África Austral. Até Crocker reconheceu o papel de Cuba quando disse a Shultz num telegrama de 25 de Agosto de 1988: "descobrir o que pensam os cubanos é uma forma de arte. Estão preparados tanto para a guerra como para a paz. Fomos testemunhas de um grande refinamento táctico e de uma verdadeira criatividade na mesa de negociações. Isto tem como pano de fundo as fulminações de Castro e o desdobramento sem precedentes dos seus soldados no terreno" [8] .

- A proeza dos cubanos no campo de batalha e o seu virtuosismo na mesa de negociações foram decisivos para obrigar a África do Sul a aceitar a independência da Namíbia. Sua defesa com êxito do Cuito foi o prelúdio de uma campanha que obrigou a SADF a sair de Angola. Esta vitória repercutiu-se para além da Namíbia.•

- Muitos autores – Malan não é senão o exemplo mais recente – tentaram reescrever esta história, mas documentos norte-americanos e cubanos relatam o que verdadeiramente se passou. Esta verdade foi expressa com eloquência por Thenjiwe Mtintso, embaixadora da África do Sul em Cuba, em Dezembro de 2005: "hoje a África do Sul tem muitos novos amigos. Ontem estes amigos referiam-se aos nossos líderes e aos nossos combatentes como terroristas e nos acossavam a partir dos seus países sempre que apoiavam a África do Sul do apartheid... hoje esses mesmos amigos querem que nós denunciemos e isolemos Cuba. A nossa resposta é muito simples – é o sangue dos mártires cubanos e não destes amigos o que corre profundamente na terra africana e nutre a árvore da liberdade na nossa Pátria".
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Sexta Jan 29, 2010 10:26 pm

A maior plantação privada de eucaliptos do mundo Proprietária de 37.000 ha, utilizou 570.000 toneladas de madeira por ano, para gerar vapor, do Lobito à República Democrática do Congo.

cfb_vapor_2.jpg


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Alimentando o "vapor" CFB: Reabilitação até 2012 Em Novembro de 2005 Daniel Quipache, director do Caminho-de-ferro de Benguela, anunciou o arranque, para Janeiro de 2006, da reabilitação efectiva do corredor ferroviário do Lobito ao Luau. Daniel Quipache disse ser intenção do governo fazer chegar o comboio ao município do Luau, a 1.301 km da cidade do Lobito, no prazo de três anos, com recurso a uma linha de crédito da República da China. Esse crédito veio acelerar a reabilitação total, dos 1.301 quilómetros de linha até à província do Moxico, inserida no plano nacional ferroviário, avaliado em 200 milhões de dólares, com conclusão prevista para 2012. Esse plano, que contempla a reparação de locomotivas e pontes, substituição de travessas, requalificação de estações e desminagem, manteve, nos últimos anos, a empresa envolvida na conclusão de quatro importantes projectos: O projecto Calenga - Santa Iria, que restabeleceu o tráfego ferroviário entre a Caála e o Huambo, em 2002. O projecto Lobito-Cubal, com uma extensão de 153 km, concluído em Dezembro de 2004, mas que só arrancou definitivamente em Julho de 2005. O projecto Luena-Luau (fronteira com a República do Congo) que tem uma extensão aproximada de 311 km e está em fase de conclusão. O SITLOB - Sistema Interurbano de Transporte de Passageiros no Lobito e Benguela Há 4 anos atrás, em 2001, a Companhia do Caminho de Ferro de Benguela estava reduzida aos 34 Kms entre o Lobito e Benguela (Ramal de Benguela) e algumas linhas de acesso a armazéns e industrias do Lobito (Complexo do Lobito e cintura do Lobito - com aproximadamente 18 Kms). Foi então anunciada a ligação do Lobito ao Cubal pela variante, 153 quilómetros sem passar por Benguela, para o primeiro trimestre de 2002... mas a ponte da variante do Cubal estava pior do que o previsto, e havia três pontes metálicas que não tinham sido consideradas... Falou-se depois em Agosto mas, em Novembro de 2002, a chegada ao Cubal foi adiada para Dezembro. Em Dezembro de 2002, o director geral do CFB, Daniel Quipaxe, declarou à Angop, que estava prevista a ligação entre as províncias de Benguela e do Huambo, para o primeiro semestre de 2003. Em Março foi anunciado novo adiamento, com as obras limitadas à colocação de brita e pedra, por falta de travessas. Só em Maio de 2003, engenheiros portugueses e técnicos angolanos começaram as obras de recuperação da ponte sobre o Rio Cubal, que ficaram concluídas sete meses depois, no dia 6 de Fevereiro de 2004. O tabuleiro, em betão pré-esforçado, possui seis tramos de 25 m. Um deles foi totalmente demolido e reconstruído, assim como um dos pilares de apoio. Finalmente, no dia 18 de Dezembro de 2004, foi reinaugurada a variante Lobito-Cubal que só arrancou definitivamente em Julho de 2005 devido a obras na ponte sobre o rio Halu, a 79 quilómetros da cidade do Lobito. Quanto à circulação entre as cidades do Huambo e da Caála, que chegou a depender da aquisição de três mil travessas para a reparação de três quilómetros de linha, foi restabelecida no dia 6 de Dezembro de 2002, com muita festa e muita chuva. O transporte de passageiros e mercadorias da cidade do Huambo para a localidade de Dango (periferia da cidade) também já está a funcionar há alguns anos.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Mar 30, 2010 3:14 pm

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Rainha Ginga-Angola
 
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Set 07, 2010 7:26 am

ANGOLA, 50 ANOS DE PETRÓLEO

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“Só me faltava mais esta!”

Frase atribuida a Salazar em 1966 quando lhe disseram que tinha jorrado petróleo em Cabinda em quantidades mais do que animadoras.

«A produção petrolífera de Angola aumentou mais de 550% desde 1980 e é de esperar que essa tendência se mantenha, na sequência de uma série de grandes descobertas feitas na segunda metade do anos 90 que, nas palavras de um analista, fizeram de Angola «“...indiscutivelmenete, o local mais promissor do Mundo para a exploração petrolífera”».De: Angola Do Afro-Estalinismo ao Capitalismo Selvagem de Tony Hodges, Editora Principia Cascais Junho 2002.
«O sucesso é o pior inimigo de si próprio, um convite à cupidez e à extravagância.» David S.Landes em A Riqueza e a Pobreza das Nações, Gradiva 2001.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Set 07, 2010 7:27 am

O interesse pelo petróleo angolano começou logo que o automóvel fez a sua entrada em Angola em 1912. Imediatamente no imaginário angolano começaram as histórias e as lendas sobre petróleo.
Mas antes, em 1910, uma firma comercial antecipou-se e conseguiu, em Lisboa, uma concessão para perfuração de petróleo entre Santo António do Zaire (Soyo) e Novo Redondo (Sumbe). Foi outorgada uma concessão de100 000 km2 à PEMA, tendo esta iniciado os trabalhos em 1915. Perfuraram mais de 500 m sem qualquer exito. Desistiram.
Era vulgar ouvir dizer que em tal parte o petróleo jorrava do solo como se fosse água. Nas anharas humidas em Angola a vegetação rasteira sofre putrefacções, após chuvas persistentes, formando pastas densas e negras, com laivos de gordura, dando a ilusão de que é petróleo. Existir petróleo em Angola era uma frase que os colonialistas não gostavam de ouvir, não fosse ela ouvida pelas multinacionais e, pior, não fosse ela verdadeira. Para susto bastou a PEMA.
Eles intuiam que o petróleo iria inviabilizar a presença portuguesa nas colónias. O raciocínio estava correcto porque logo que o petróleo em Cabinda começou a jorrar abundantemente, imediatamente irrompeu a independência.
A existência de asfaltos, um indiciador de petróleo, no norte de Angola, mais convencia os angolanos de que a descoberta de petróleo era apenas uma questão de tempo. Os asfaltos são um parente pobre dos petróleos mas que fornecem uma pista.
Em 1938, inquieto com a inépcia dos transportes em Angola, o capitão Joaquim Félix, radicado em Angola, empreendeu experimentos, do seu bolso, com os asfaltos dos Libongos. A imprensa apoiou-o, mas as entidades oficiais achincalharam-no. Decorreriam mais 24 anos para que a colónia começasse a pavimentar as estradas, com os seus próprios asfaltos betuminosos, dando razão ao visionário capitão Félix. As autoridades argumentavam que o asfalto dos Libongos não era apropriado para estradas, mas os belgas compravam-no e usavam-no em pavimentações no Congo Belga já na década de 40.
Em 1952 o governador-geral Silva Carvalho pugnou, com veemência, em Lisboa acabando por convencer Salazar a autorizar a prospecção de petróleo. Desta vez ao sul de Luanda, no Parque Natural da Quiçama. Mas tudo em pequeno, a área escolhida não era muito farta em petróleo.
Em 1954 jorrou petróleo, pela primeira vez em Angola, pelo poço Benfica situado nos arredores de Luanda. Um ano depois começou a sua extracção comercial, desta vez reforçada com um novo poço batizado de Tobias mais a sul. Em 1955 a concessionáia-Carbonang- foi autorizada a montar uma refinaria em Luanda para processamento do promissor petróleo angolano. Os produtos desta refinaria destinavam-se, inicialmente, ao mercado de Angola.
Em Maio de 1957 a refinaria, construída em tempo recorde, entrou em funcionamento com processamento de 100 mil toneladas anuais. Angola ficou auto-suficiente em combustíveis. Em 1960 já se processavam 179 mil toneladas de petróleo bruto das quais 65 mil foram absorvidas pelo mercado angolano, o resto destinou-se à exportação.
O petróleo próximo de Luanda nunca atingiu as grandes expectativas geradas entre a população. Poços rasos de pouco rendimento eram suficientes para o abastecimento interno a para alguma exportação. Apesar de modesta em termos mundiais, esta produção teve o seu merito porque formou quadros medios e inferiores na difícil tecnologia do petróleo. Era já uma incipiente tecnologia de petróleo.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Set 07, 2010 7:28 am

O petróleo de Cabinda
Mas em 1966 houve um sobressalto: jorrou petróleo em Cabinda em volumes mais do que promissores. Este facto originou a célebre frase, atribuida a Salazar e transcrita acima. Nesse ano já Portugal estava atenazado, por todos os lados, para tomar uma resolução que resolvesse o anacronismo colonial em que estava envolvido. O petróleo de Cabinda foi um catalisador da independência de Angola.
A produção de Cabinda foi aumentando de ano para ano. Em 1973 as receitas do petróleo sobrepujaram as do café. Em números: petróleo com 147 068 barris diários totalizando 230 milhões de dólares (em 2005 corresponderia a 2,30 mil milhões de dólares); café com 213 407 toneladas totalizando 203 milhões de dólares (em 2005 corresponderia a 2,04 mil milhões de dólares).
A cifra mil milhões (em matemática 109) corresponde ao bilião no Brasil e nos Estados Unidos. Como esclarecimento adiantamos que a terminologia mil milhões está consentânea com o SI (Sistema Internacional de medições) aceite por todas as nações mundiais com excepção dos E.U.A. No sistema SI (agora também adotado pela Inglaterra) o peso é referido em N (newton) e seus multiplos e a massa é referida em gramas (g) e seus multiplos
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Set 07, 2010 7:29 am

Imagem Plataforma petrolífera no on-shore (águas rasas) em Cabinda, nos anos 70 do séc. passado. Em primeiro plano uma “tocha” queimando gás natural uma “obscena” maneira de se verem livres do gás que acompanha, normalmente, a produção de petróleo. Naqueles anos o petróleo era abundante mas o consumo mundial era pequeno. Queimar o gás era a maneira mais cómoda e barata de se obter o petróleo.Ainda hoje o gás natural embaraça a extracção petrolífera em Angola, embora já se faça o seu aproveitamento.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Set 07, 2010 7:38 am

O petróleo em offshore de Angola
Em relação às jazidas em terra ou em água rasas (até 500 m) os geólogos Richard C.Duncan & Walter Youngquist escreveram um sugestivo artigo na Net (The World Petroleum Life-Cycle 1998) sobre as jazidas de petróleo em todo o mundo (43 países) explicitando-as com curvas de produção ao longo dos anos. Estas levam em consideração o petróleo já extraído e o que pode ser extraído. As curvas abaixo referem-se aos calculos daqueles eminentes geólogos. No caso de Angola não foram incluidas as reservas off-shore descobertas em 1998, após a elaboração das curvas. A nova curva reforça as expectativas angolanas pois augura uma maior “esperança de vida” para o petróleo de Angola. Imagem Curva elaborada por Duncan & Youngquist (1998). A escala vertical refere-se à produção anual e à unidade mil milhões (biliões no Brasil e Estados Unidos). Pormenorizando: 0,35 corresponde a 350 milhões de barris anuais ou sejam 958 904 barris diários. A seguir, em baixo, a mesma curva, adaptada por nós, para barris diários.Não é considerada a existência do petróleo offshore, descoberto após a eleboração deste gráfico. O ramo da curva até 2005 está de acordo com a realidade. Muitas vezes temos pensado no facto de a independência de Angola ter sido desencadeada atabalhoadamente (com total desconhecimento das realidades e, principalmente, das consequências), a partir de 1974, dando origem a uma descolonização desmiolada (unica na história mundial pelo ineditismo e irresponsabilidade dos “estadistas” que a conduziram). Foi precisamente em 1973, um ano antes, que as multinacionais do petróleo começaram a ver que Angola estava a transformar-se em um promissor campo petrolífero. É uma interessante coincidência, mas mais do que previsível especialmente para aqueles que, naquela época, tinham o privilégio de estudar geo-estratégia mundial. Imagem A curva elaborada pelos geólogos Richard Duncan e Walter Youngquist em 1998 acima referida.A escala vertical à esquerda refere-se a mil milhões (biliões nos E.U.A e Brasil)e a escala à direita refere-se a milhares de barris diários A escala à direita refere-se a barris diários. Observa-se o grande salto em 1970, a quebra em 1976 (independência) com recuperação em 1980, e o grande salto de 1985 até 1995. Em 1992/1993 registou-se uma ligeira perturbação devida à segunda guerra civil. Em 2005 nesta curva, é visível o declínio da produção, que se vai acentuando ao longo dos anos. Esta curva não leva em conta a produção off-shore descoberta mais tarde. Com a nova estimativa, a partir de 2003 a curva sofrerá uma inflexão para cima, melhorando substancialmente as expectativas dos angolanos. Imagem A parte verde (à esquerda) diz respeito ao petróleo já extraído (até 2003) em um total de 5 mil milhões de barris. A parte azul (à direita) diz respeito ao petróleo por extrair, mas não incluindo aquele que foi descoberto recentemente em águas profundas.A nova curva, neste caso, sofrerá uma inflexão para cima a partir de 2003.Segundo Tony Hodges (Angola-Do Afro-Estalinismo ao Capitalismo Selvagem) as reservas petrolíferas angolanas ascendem a mais de 13 mil milhões de barris. O Departamento de Estatística dos E.U.A. refere-se a 9 mil milhões. Imagem As concessões de petróleo em Angola. Toda a orla marítima, de Cabinda ao Cunene, está tomada por elas. A maior parte está a mais de 100 km da costa (off-shore). Esta exploração é toda em FPSO (Floating Production Storage Offloading) ou seja a produção o armazenamento e a transferência para petroleiros são efectuadas em uma plataforma; dali é transferida para os navios de transporte a longas distâncias. Os angolanos não se apercebem como decorrem estas operações. É, de certo modo, confortável a possança petrolífera de Angola. Fazendo fé nos números de Tony Hodges (13 mil milhões), devidos às novas jazidas off-shore descobertas depois de 2000, o país tem petróleo para mais 17 anos (2027) admitindo uma produção diária de 2 milhões de barris ou 730 milhões de barris anuais. Se adoptarmos o otimismo petrolífero angolano, que tem coincidido com novas descobertas, podemos imaginar um aumento de produção nas concessões mais a sul de Luanda. Imagem Os blocos mais rentáveis no off-shore angolano. Girassol e Dália são do Bloco 17. Está assinalado o poço Tobias que catalisou o entusiasmo dos angolanos sobre o futuro da então colónia. Imagem Esquema das produções petrolíferas actuais em redor da foz (em estuário) do rio Congo ou Zaire.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Set 07, 2010 7:47 am

As FPSO (Floating Production Storage Offloading)

As FPSO começaram a ser ensaiadas em 1970 mas só se tornaram exequíveis nos anos 90. Elas dispensam os pilares de apoio no fundo do mar e o uso de longos e dispendiosos pipelines. Armazenam o crude “sugado”dos fundos oceânicos e depois passam-no para os navios tanques. Quando “secam” os poços, a FPSO levanta as âncoras e vai para outro local. Quase todas provêm de antigos petroleiros que são reforçados e convertidos em sofisticadas estruturas de extração e armazenamento. Quando são construídas de raiz são as FSU (Floating Storage Unit).

Numa FPSO (Produção, estocagem e transbordo em um único barco) faz-se a extração com armazenamento temporário até 2 milhões de barris; posteriormente virá um navio, a cada 4 dias, para receber o transbordo e fazer o transporte para qualquer parte do mundo.

A maior FPSO até hoje construida foi a actual Seawise Giant, um antigo petroleiro que usou os nomes de Knock Nevis, Happy Giant e Jahre Viking. O petroleiro tinha 458 m de comprimento, 69 m de largura e 32 m de altura fora da água. O calado (parte dentro da água) por ser muito profundo não podia passar no canal do Suez e no canal do Panamá. Este petroleiro foi danificado quando atravessava o estreito de Ormuz durante a guerra Irão-Iraque nos anos oitenta. A carcaça foi reconvertida em FPSO e opera no Qatar.
Imagem FPSO Knock Nevis,ex- maior petroleiro do mundo: comprimento de 458 m largura de 69 m calado de 30 m. Não podia passar nos canais de Suez ou Panamá. Ficou semi-destruído na guerra Irão-Iraque quando atravessava o estreito de Ormuz. Foi convertido em FPSO e está em ação no Qatar. Na gravura (a vermelho) uma comparação do seu comprimento com diversos emblemas mundiais.
Imagem Os blocos em exploração em 2009 situam-se entre Cabinda e Luanda, O Bloco 17 alberga 4 FPSO muito produtivas: Girassol, Dália, Rosa e Jasmim.Estão “em frente”de N´Zeto (ex-Ambrizete). O Bloco 17 do off-shore de Angola tem uma reserva de 1000 milhões de barris. A plataforma FPSO Girassol extrai por dia 200 mil barris de crude. Esta plataforma está a 135 km da costa de Angola e opera a uma profundidade de 1350 m. Perto, a 10 km, está a plataforma Dália, com as mesmas características e igual rendimento.

A plataforma Girassol saiu da Coreia, puxada por 2 rebocadores, com destino a Angola, à velocidade de 2 nós (3,7 km) por hora. Atravessou os estreitos de Singapura e Malaca antes de entrar no Oceano Indico. Passou pelo Canal de Moçambique (Pemba) e chegou a Angola após mais de 100 dias de viagem ou 27 mil km.

A FPSO Dália tem 300 m de comprimento, 60 m de largura e 32 m de altura. Era um antigo petroleiro que foi transformado na Coreia do Sul.

A maior FPSO em Angola é a Kizomba: produz 240 mil barris diários e armazena 2,2 milhões de barris. Está ao norte de Dália, no Bloco 15 a 320 km da costa, tem 285 m de comprimento, 63 m de largura e 32 m de altura. Extrai o crude de 1 200 m de profundidade.
Imagem Esquema geral de uma FPSO. Imagem Esquema e pormenor de uma FPSO Imagem FPSO Girassol no Bloco 17 do off-shore a 135 km da costa angolana; extrai petróleo de profundidades em torno de 1350 m. A Sonangol detem 60 % e a Total os restantes 40%. O bloco 17 tem 3 mil milhões de barris de reserva. Estão em operação 71 dispositivos de extração do crude que é armazenado durante 8 dias na própria FPSO e depois transferido para petroleiros que seguem para diversos pontos do mundo. Esta FPSO extrai 240 mil barris diários que são armazenados até perfazerem 2 milhões; a seguir virá um petroleiro levar este petróleo. Imagem A complexidade de uma FPSO. Inquestionável: é uma tecnologia de ponta que abrange todas as engenharias. Estarão os angolanos absorvendo todas estas tecnologias como sucede com o Brasil, onde tudo é feito por brasileiros com as suas universidades desenvolvendo programas de pesquisas? Vale ressaltar que o Brasil é o pioneiro da produção de petróleo em alto-mar. É uma tecnologia de ponta que orgulha os brasileiros: eles não aprendem, ensinam; eles não esperam por outros, empreendem rapidamente. Imagem Um FPSO: autónoma, é abastecida diariamente com helicopteros e pequenos barcos.É uma mini-cidade. Nesta gravura ela está em viagem: quando o “poço seca” levanta as âncoras e vai para outros mares. Um verdadeiro maná pois não colide com donos de terras, não deixa marcas ambientais, ninguém se apercebe da sua presença.A extracção de petróleo em alto-mar tranquiliza, sobremaneira, as empresas petrolíferas pois não têm de encarar a má vontade dos nacionais. Mas oferece muitos riscos que são expostos por Sonia Shah no livro “A História do Petróleo” ediçãos L&PM Editores, Porto Alegre, Brasil 2006:« As redes de oleodutos submarinos, apesar de muito caras e trabalhosas para a indústria petrolífera, são muito mais seguras do que transportar enormes quantidades de óleo pela superficie do mar em petroleiros e outras embarcações, como exigem os FPSOs. É por isso, ao menos em parte, que os reguladores norte-americanos baniram os FPSOs do Golfo do Méxicoaté 2002». «Os FPSOs podem se movimentar alguns metros para cima e para baixo e se inclinar cerca de quinze graus». Os FPSOs são viáveis no Atlântico Sul onde as ondas raramente atingem uma altura de 5m.
Imagem Off-shore de Angola e respectivos blocos. Por enquanto o Bloco 17 é o mais produtivo Há indícios de que existe, mundialmente, mais petróleo no mar do que em terra, tudo depende dos avanços da ciência e da tecnologia.Podemos estar tranquilos, mas sob uma certa reserva, pois asseveram-nos, fazendo fé nos relatórios das multinacionais, que “o petróleo não acaba”. A tranquilidade tem um elevado preço e esse é o evidente aquecimento global, descontando os grandes exageros pseudo-científicos gerados à volta dele. Imagem Esquema de uma FPSO. A plataforma “suga”, do fundo do mar, e transfere o crude para um petroleiro que conduzirá a preciosa carga para qualquer parte do mundo.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Terça Set 07, 2010 7:50 am

1) A pertinácia do governador-geral Silva Carvalho em 1952 conseguiu que Lisboa autorizasse as primeiras sondagens de petróleo em Angola, nos arredores de Luanda. A concessão foi entregue a uma firma de capitais maioritários belgas.

2) O petróleo em Angola jorrou pela primeira vez em 1954. Foi, de imediato, construída uma refinaria que lançou os primeiros produtos em 1957. Angola passou a ser auto-suficiente para o seu pequeno consumo. As prospecções viraram-se para Cabinda, dada a fraca possança das jazidas proximas de Luanda.

3) Em 1966 jorrou petróleo em Cabinda em volumes que provocaram entusiasmos, preocupações e acenderam luzes amarelas de aviso (optimistas) dentro das multinacionais, e vermelhas (pessimistas) para o governo de Lisboa. Em 1973 o volume de divisas do petróleo sobrepujou o do café, até então o maior suporte económico de Angola. Não citamos os diamantes porque a sua extracção e comercialização passavam ao arrepio da balança comercial angolana. Abordaremos os diamantes em posterior ensaio.

4) Sintomaticamente em 1974, um ano depois, iniciou-se o processo de descolonização: Portugal foi obrigado a proclamar a independência de Angola, ou seja a “largar” rapidamente as riquezas petrolíferas.

5) Foram dificeis e confusos os primeiros anos da independencia. Nós, naquela santa ignorância que caracteriza os bem-intencionados (e mal informados especialmente) julgávamos qua as multinacionais do imperialismo norte-americano tinham os dias contados em Angola. Elas eram sempre um alvo dos movimentos independentistas.Mas o impossível, visto pela nossa otica, aconteceu: as multinacionais continuaram e a sua segurança acabou por ser feita por tropas, pasme-se, ... cubanas com o auxílio secreto da ...KGB. ´

6) Duas guerras civis, uma a seguir à independência e outra depois de 1991 atrasaram a exploração petrolífera. Em 1973 a produção era de 158 900 barris diários mas decresceu até 1976 com 46 530 barris; a partir deste ano foi um crescendo até à atualidade, quase a atingir os 2 milhões de barris diários, ultrapassando a Nigéria que está sob perturbações inerentes a guerrilhas internas.

7) Dependendo da produção anual o petróleo de Angola durará mais de 15 anos.

8) Quais foram as consequências para Angola de tanto petróleo? Como se lidou no país com tanto dinheiro? Será o tema de um nosso próximo ensaio “As fases da economia de Angola”.
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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Sexta Set 10, 2010 9:48 am

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Re: HISTÓRIA DE ANGOLA

Mensagempor em Segunda Set 13, 2010 9:22 am

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