HISTÓRIA DO SELES

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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Sexta Maio 15, 2009 6:08 am

continuação:
- Mb: E o que nos tem a dizer sobre o comandante desta missão?... Era um oficial, um comerciante...
- Au: Não era general e muito menos comerciante. Chamava-se sr. Gomes. Era juiz.
- Mb: Ah, então era um juiz. E onde vivia?
- Au: Le viveu no bailundo, junto da estrada que dá para Cajabão, muito próximo da casa do sr Moreira.
Foi ele juntamente com o sr Martinho, que organizou todas as forças. Acho que ele era comandante.
Agora o Padre Le Gennec, não era propriamente um militar. Apenas se limitava a dar a missa de manhã e à tarde.
- Mb: Mas, quanto tempo demorou então a guerra?
- Au: Oito meses. Começou em Agosto de 1917 e terminou em Março de 1918
- Mb: Foram grandes combates...
- Au: Sim, grandes combates. Pegavam nas pessoas e disparavam. Disparavam sobre elas. No principio, matavam as pessoas ao lado do rio.
Depois chegou uma ordem para que as pessoas deixassem de ser mortas
na margem dos rios e que era necessário matá-las ao lado das covas abertas para o efeito. Teve que se pedir o envio
de enxadas do bailundo. As pessoas que iam ser mortas é que cavavam as suas próprias covas. Isso tanto podia ser feito
no periodo da manhã como da tarde e mais tarde fuziladas e fechavam-se os buracos. Isso tudo eu vi com os meus próprio olhos.

continua...
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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Sexta Maio 15, 2009 6:09 am

continuação... (ÚLTIMA PARTE)
- Mb: Mais uma coisa: esse Mande, Chinguli e Yove, não tinham armas?
- Au: Não. Eles não tinham armas. Estavam desarmados, nem sequer tinham arcos e flechas. È por isso
que eu acho que aquela guerra era injusta, pois uns tinham armas e os outros, a única coisa que tinham
era fugir. Isso,... não quer dizer que entre os Seles não houvesse armas, pois o Chipuleta, tinha acendido
um tição á entrada da caverna sem saber que lá dentro havia alguém que disparou e o matou. Foi o fim.
Você conheceu o sekulo Mbalundo que vivia no Sachole?
- Mb: Não. Não o conheci. Mas ele também tinha ido ao Seles?
- Au: Sim; também tinha ido. Esse tal sekulo Mbalundo, é que tratou da saúde do homem que matou o
Chipuleta. Ele foi apanhado e foi morto aos poucos. Primeiro, cortaram-lhe as mãos, depois as pernas e
finalmente a cabeça. Foi um sofrimento terrível. Foi essa a guerra dos Seles que eu vi com os meus própros
olhos.
- Mb: Muito obrigada pelos seus depoimentos.


FIM
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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Maio 16, 2009 9:46 am

Dialeto Ovimbundu
Os Ovimbundo ocupam uma grande área no centro ocidental do país e estendem-se desde o litoral até às regiões montanhosas de Bengela.
O grupo linguístico Mbundo compreende 15 grupos principais: os mais significativos em número de habitantes dão os Bieno e os Bailundo.
Embora as tradições Ovimbundu digam que este povo veio do nordeste, alguns especialistas creêm que provavelmente vieram do sudoeste do Congo.
Destinguem-se, pelo menos, 18 grupos ovimbundu diferentes: Bailundos (va-mbalundu), Biés (va-vihé), Uambos (va-wambu), Galanguis (va-ngalangui), Quibulos (va-kimbulu), Adulos (va-ndulu), Quingolos (va-kingolo), Kalukembes (va-kaluquembe), Sambos (va-sambu), (va-ekekete), Cacondas (va-kakonda), Quitatos (va-kitatu), Seles (va-sele), Ambuis (va-mbui), Hanhas (va-hanha), Gandas (va-nganda), Chicumas (va-chikuma), Dombes (va-dombe) y Lumbos (va-lumbu).
Entre 1500 e 1700, o povo de Ovimbundu emigrou do norte e do este de Angola para a Meseta de Benguela.
Eles não consolidaram osseus reinos nem seus reis afirmaram sua soberania em cima da Meseta, até ao século 18, quando surgiram 22 reinos. Treze dos reinos, incluso Bié, Bailundu, e Ciyaka surgiram como entidades poderosas e os Ovimbundu adquiriram reputação de serem os comerciantes mais exigentes do interior de Angola.
Depois que os portugueses conquistaram a maioria dos estados de Ovimbundu, em finais do século 19, as autoridades coloniais portuguesas prenderam os reis de Ovimbundu directa ou indirectamente.
Depois de um século de uma certa estabilidade, a história Umbundu é marcada por uma série de guerras conhecidas por "as guerras dos Nanos". Estas guerras começaram em 1803 e duraram quase um século. As mais importantes aconteceram em 1848 quando os Huambo (um grupo Ovimbundu) tentou dominar politicamente os demais.
Após a independência de Angola em 1975, a maioria do povo ovimbundu não se sentiu representado no governo de Luanda e durante cerca de 27 anos muitos ovimbundu uniram-se às forças rebeldes comandadas por Jonas Savimbi, que mantiveram a guerra civil até 2002.
A agricultura é a fonte fundamental dos recursos económicos deste povo.
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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Jun 13, 2009 2:01 pm

Apesar da notícia não ser do dia, não deixa de ser do ano, e para a história do Seles será relevante.
AQUI FICA O REGISTO


17-03-2009 13:38

Kwanza Sul
Nomeados novos administradores

Angop/arquivo

Ministro da Administração do Território nomeou novos administradores na província do Kwanza Sul

Sumbe - O ministro da Administração do Território, Virgílio de Fontes Pereira, nomeou, segunda-feira, novos administradores municipais, comunais e adjuntos da província do Kwanza Sul.


Trata-se de Sebastião Daniel Neto para o cargo de administrador municipal do Sumbe, Maria Monteiro, administradora da Kilenda e Luciano Nguli, administrador do Kassongue.


Foram igualmente nomeados os administradores municipais adjuntos de Amboim, António de Carvalho, da Kilenda, António Pedro Ferreira Júnior, e de Kassongue, Mário Francisco José Fernandes.



Noutro despacho, Virgílio de Fontes Pereira, nomeou os administradores comunais de Cunjo (Conda), António Carica, de Capolo (Porto Amboim), Maria Mateus Prazares, de Kissanga Kungo (Cela) Augusto Nana, de Sanga (Cela), José Francisco Muhongo, de Dala Cachibo (Kibala), Domingos Culembe, de Quirimbo (Kilenda), Adão Mário da Silva, de Botera (Seles), Segunda Joaquim.


Foram igualmente nomeados para ocupar os cargos de administradores comunais adjuntos do Kariango (Kibala), Carlos Manuel Jacinto Barros, de Quirimbo (Kilenda), Octávio Simão, e de Botera Seles), Américo Cerola.
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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Ago 01, 2009 8:44 am

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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Sábado Ago 01, 2009 8:55 am

P.e António da Silva Maia

A consagração que tarda

TEXTO: Pinho Lopes
Depois de vários anos volvidos sobre o falecimento do Missionário que se chamou padre António da Silva Maia, é chegada a hora de todos nós que o conhecemos, o tivemos entre nós e o vimos passar com a sua sotaina e a sua bicicleta, relembrarmos o homem e a sua obra, a humildade e o apagamento que foi o seu viver, o desbravador e pioneiro dos morros do Amboím e terras do Seles e o cultor admirável e linguista insigne que transformou dialectos em línguas vivas, com gramática, dicionário, etc…etc.
A grandeza da sua obra missionária, com realizações materiais assinaláveis criação de paróquias (GABELA E VILA NOVA DO SELES), construção de igrejas e fundação de um colégio exemplar, dão a dimensão exacta dum homem que soube viver em condições precárias e difíceis, sem qualquer conforto e suportando um clima que deixa marcas e arruína a saúde dos mais fortes.
Foi o primeiro desbravador e cabouqueiro de dialectos que estudou, escreveu e fixou como mestre respeitado e brilhante, constituindo a sua obra de linguística, que se estende por diversos títulos, o primeiro ponto de referência e manual obrigatório e único de quem quiser estudar ou aprender as línguas OMUMBUIM, falada no Amboím, e MUSSELE, falada na região de Seles, em Angola.
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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor anabela em Quarta Ago 05, 2009 11:34 am

Imagem
Local: Uku-SELES

Latitude: 11° 24' 23" S

Longitude: 14° 19' 59" E

Feature description: town

Area/state: Cuanza Sul

Country: Angola

Country ISO code: AO

Population range: is under 1000

Other alternative names: Vila Nova do Seles

Currency: Kwanza

Languages: Portuguese, Bantu, local languages

Religions: Roman Catholic, Protestant, traditional beliefs*

*Please note that religions refer to the country as a whole. Only shown if >1% total.

A esmagadora maioria dos angolanos – perto de 90% – é de origem bantu.

O principal grupo étnico bantu é o dos ovimbundo que se concentra no centro-sul de Angola e se expressa tradicionalmente em umbundo, a língua nacional com maior número de falantes em Angola.

Por seu lado, os ambundo, falando quimbundo (ou kimbundu), a segunda língua nacional com mais falantes, estabelecem-se maioritariamente na zona centro-norte, no eixo Luanda-Malanje e no Quanza-Sul. O quimbundo é uma língua com grande relevância, por ser a língua tradicional da capital e do antigo reino dos N'gola. Legou muitas palavras à língua portuguesa e importou desta, também, muitos vocábulos.
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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Terça Nov 10, 2009 1:46 pm

Canção na morte de nga-Caxombo

Olho nga-Caxombo ali
na esteira
deitado morto
a todo comprimento

Vejo-o caminhar sem descanso
do Amboim ao Seles
do Seles ao Quipeio
outra vez ao Seles
rotas sem rota mato longe
quem que sabia?

Tipóia o ombro pesava que pesava
duramente Zua
e voz de Kalandu
voz serena do sertão
ele a escutava
através do fogo
através da água
o geito sem raízes
de amar o coração das coisas.

Olho-o pela vez ultima
na luz rasante desse dez de Julho
a barba à monangamba
cavada sua negra face
morto
deitado morto
a todo o comprimento.

(No reino de Caliban II - antologia
panorâmica de poesia africana de ex-
pressão portuguesa)
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Re: HISTÓRIA DO SELES

Mensagempor Vitor Oliveira em Domingo Dez 12, 2010 7:38 pm

Pedro Massano de Amorim Imagem Nasceu em Fronteira, Portalegre, a 14 de Janeiro de 1862;
morreu em Nova Goa, na Índia, a 2 de Junho de 1929.



Chega em Abril de 1916 a Luanda. No ano seguinte, em Maio de 1917, a região de Seles e Angoche revolta-se. É que «os esbulhos, as perseguições, as prepotências e injustiças praticadas pelos agricultores e comerciantes estabelecidos na região» levam as populações autóctones a tal actuação. Para o governador, as razões são várias: «detenção dos indígenas, imposição de trabalho forçado fora dos termos legais, falta de pagamento de salários ... a par da desobediência à autoridade, do contrabando de pólvora e armas vendidas ao gentio». O pior é que a revolta começa a alastrar a outras zonas da província, e as forças militares são pouco numerosas. Em Setembro, não tendo conseguido até aí controlar a revolta, decide-se a ir para o teatro de operações. Com ajuda de forças do Bailundo consegue acabar com a revolta. Embarca em Outubro de 1917 para Lisboa, sendo demitido em Janeiro de 1918.

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