PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:47 pm


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O trabalho dignifica
No campo, a época das chuvas exige a participação de todos os membros da família no trabalho. João António Agostinho assumiu-se como repórter e conversou com outro jovem, Bernardo Agostinho, sobre este interessante tema.
Agora que começou a época das chuvas, estás a participar no trabalho do campo?
Sim, estou ajudar o meu tio porque ele tem pouco tempo para estar no campo devido às várias tarefas que efectua no seu dia-a-dia.
Achas que ajudando o teu tio nos trabalhos do campo estás a fazer bem ou pensas que tira o teu prestígio?
Trabalhar no campo não significa perder o prestígio. Pelo contrário, acho que me dignifica. Todo o tipo de trabalho que existe no mundo tem o seu valor. É o trabalho que nos leva ao desenvolvimento económico, social e cultural.
Qual é a tua opinião sobre os jovens que não participam nos trabalhos do campo?
Eu aconselho aqueles jovens que não ajudam os seus pais nos trabalhos do campo para o fazerem para que mais tarde não venham a se arrepender quando forem a ver os frutos nas casas dos outros. Se ajudarmos os nossos pais estaremos a cmprir as nossas obrigações e a retribuir o amor que eles nos dão.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:49 pm

Irrigação / drenagem
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Trabalhos de drenagem no ritmo previsto
O projecto de recuperação do sistema de drenagem, para o aproveitamento das terras baixas do rio Cussói no Waco Cungo prosseguiu no ano de 2006 em ritmo que está dentro das expectativas do Projecto, o que permitiu que a partir de Março passado se tivesse avançado com a segunda fase do projecto conforme seu planeamento inicial.
Neste novo ano foi dada continuidade à lim­peza dos drenos, à dragagem do rio Cussói e iniciou-se a recuperação das obras hidráuli­cas, tipo aquedutos e obras de controlo de nível e das estradas de acesso aos campos agrícolas.
Foram executados trabal­hos praticamente em todas as aldeias, nomeadamente 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8, 9, 11 e 12. Com o início da segunda fase do Projecto, que envol­ve as aldeias 7, 8, 9, 10 e 12, foram adquiridos e introduzidos mais equipa­mentos, entre os quais os mais importantes foram duas escavadoras tipo CAT 312 e uma Draga tipo 1MB 5012LP com 300Hp.
Resumindo as actividades executadas ao longo do ano passado, regista-se a limpeza de cerca de 664 km de drenos - com uma pro­dução média de 40,50 m/h correspondentes a 19.561 horas de máquina -, a dragagem de 5,6 km do rio Cussói, a recuperação de 2.265 hec­tares para o aproveitamento agrícola e a lim­peza e recuperação de 20% das obras hidráu­licas.
Neste último mês mantiveram-se as obras de limpeza dos canais, tendo como prioridade a limpeza dos drenos de campo das aldeias 12 e 13 e a limpeza e recuperação das obras hidráulicas. Tendo em conta o aproveitamen­to agrícola das áreas drenadas, a limpeza dos drenos terciários está a ser priorizada.
De realçar que os trabalhos de limpeza foram parcialmente interrompidos entre os dias 14 de Dezembro e 6 de Janeiro para manutenção dos equipamentos e férias de parte do pessoal do grupo empreiteiro encarregado das obras. No recomeço dos trabalhos foi afectada uma escavadora para a Aldeia 4 e outra para a Aldeia 10. A Aldeia 12 ficou com três escava­doras a trabalhar simulta­neamente e a Aldeia 13 com duas a trabalhar simultaneamente.
Durante este período con­tinuaram as chuvas, com uma precipitação total ron­dando os 180 mm, o que possibilitou a continuação da execução das activida­des, apesar do solo já apre­sentar humidade apreciá­vel.
Ainda que os trabalhos de dragagem do rio Cussói continuem parados, foi dada continuidade à recuperação das obras hidráulicas, mais precisamente às situadas próximo da aldeia 11.
O serviço actualmente em execução nos dre­nos é composto pela limpeza da vegetação que se encontra dentro dos drenos e a remoção do material depositado no seu fundo. Esta activi­dade está a ser realizada com a ajuda de esca­vadoras, de modo a retirar todo o material do fundo dos drenos e colocá-lo ao lado das valas. O material de consistência mais branda é espalhado pelas próprias escavadoras, enquanto que o material mais consistente é empilhado ao lado das valas para ser poste­riormente espalhado pelo tractor.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:50 pm

Sobre o sistema de drenagem e de irrigação do Waco Cungo
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O município da Cela é uma área rica em recursos naturais e onde abundam terras com reconhecida apetência agrícola e pecuária. Cerca do ano de 1950 os portugueses instalaram nestas paragens um importante colonato que se fortaleceu em termos económicos, industriais, sociais e políticos assente em grande parte no sector agro-pecuário.
Porém, esse sucesso só começou a ganhar corpo depois que se desenvolveu na zona um sistema de canais de drenagem algo complexo mas tecnicamente bem concebido.
O objectivo para que foi de facto criado visava a libertação dos excessos de águas pluviais que se acumulavam ao longo de muitas das estepes que fazem parte da topografia do terreno originando, por consequência, o alagamento de muitas áreas e a impossibilidade de serem utilizadas pelo Homem.
No entanto, a riqueza dos solos e a promissora experiência colhida da sua utilização, levou a que se envidassem esforços tendentes à criação de um sistema de drenagem que permitisse fazer escoar os quantitativos retidos das águas pluviais que se registam naquelas paragens subplanálticas e que se colocam na ordem dos 1200 mm/ano.
Este sistema teve como espinha dorsal o rio Cussói, que nasce a sul e não muito longe da cidade e que, após percorrer quase 32 km, na qualidade de afluente do rio Queve, vai desaguar neste na zona do Humbi. É depois completado com canais de 1 ª e 2ª grandeza e drenos de campo perfazendo, no seu total, 1340 km aproximadamente.
A concepção deste esquema permitiu assim manter libertadas das águas as terras que deram corpo ao antigo colonato da Cela composto por 15 aldeamentos.
Concebeu-se ainda, para maior eficácia do sistema, um conjunto de peças hidráulicas, tais como aquedutos, comportas, canais de distribuição de betão e de terra, tomadas de água, obras de controlo de caudais, estações de bombagem e barragem de atenuação de cheias que permitem o fornecimento controlado da água às culturas durante o Cacimbo.
Todo este conjunto de drenagem e de irrigação foi, no entanto, profundamente afectado pela falta de utilização e, por consequência, pela falta de manutenção que resultaram da guerra prolongada que assolou o país.
A perda da sua eficácia técnica e da sua importância social, económica e política para a região deveu-se ao aumento do grau de sedimentação, do desenvolvimento da flora aquática, das práticas piscatórias, da degradação de importantes e vitais órgãos hidráulicos entre outras razões.
Hoje, assistindo-se a uma rápido ressurgimento do país a todos os níveis, determinou o Governo a reabilitação do sistema de drenagem e de irrigação do Waco para a qual foi destinado um conjunto de modernas máquinas e um conjunto de técnicos que trabalham com afinco na recuperação desta importante obra de engenharia hidráulica agrícola.
Foram já conseguidos, após a intervenção de meados de Julho do ano passado, os dados seguintes:
- dias de trabalho no projecto:301;
- drenos desobstruídos: 337,114 metros;
- horas trabalhadas: 11.654;
- taxa média de progresso: 35.4 metros por hora.
Os resultados conseguidos à data têm correspondido às expectativas. A exemplo, citar-se-á a descida do nível das águas, naquilo que corresponde ao terço médio do rio Cussói, em cerca de 1 metro. Tal facto acabou libertando pontes e aquedutos que estiveram submersos quase 30 anos.
Não obstante, revelam ainda saúde e solidez capazes de continuar a exercer a funcionalidade para a qual foram concebidos.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:51 pm

Cana de açúcar: Uma aposta no futuro
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O Presidente José Eduardo dos Santos criou, a 28 de Junho de 2006, uma comissão para elaborar o projecto de legislação sobre o aproveitamento agro-industrial da cana de açúcar.
Esta indústria poderá representar uma alavanca importante no desenvolvimento rural de Angola por várias razões combinadas:
- É muito intensiva de mão-de-obra, o que permitirá atenuar bastante o agudo problema do desemprego no país, bem como facilitar a inserção social e económica dos desmobilizados na vida civil.
- O país importa actualmente todo o açúcar que consome, o que representa mais de 200 mil toneladas ano. Existe aí um potencial apreciável para a substituição de importações.
- Outro derivado da cana é o etanol (álcool), um produto energético cuja procura já é grande no mundo mas que representará um papel cada vez mais importante à medida que as reservas naturais de petróleo se vão esgotando.
- A transformação industrial da cana consome muita energia mas liberta muito mais. Uma fábrica que transforme a cana cultivada em 15 mil hectares, por exemplo, poderá injectar electricidade na rede geral equivalente ao consumo de uma cidade com mais de 60 mil pessoas.
- Os resíduos do aproveitamento industrial da cana são uma excelente ração orgânica para o gado.
- A planta da cana pode ser colhida anualmente durante ciclos de cinco anos, findo o qual a terra da sementeira deve ser cultivada com outros produtos, designadamente soja e milho, durante um ano, para depois se iniciar novo plantio de cana. Isto significa que 25% das terras das explorações de cana estão permanentemente a ser cultivadas com outros produtos. Esta rotação é um factor importante para a diversificação agrícola nas regiões do plantio de cana.
Em virtude de todas as razões apontadas, a agro-indústria da cana pode gerar rendimentos de alta escala que são factor de desenvolvimento e modernização. Foi esta razão que levou à criação presidencial da comissão para elaborar o Projecto de Lei das concessões agro-industriais da cana de açúcar em Angola e seus regulamentos. A comissão deverá também apresentar uma proposta de política para todos os futuros investimentos industriais de açúcar e etanol, como parte da política energética e da industrialização do país baseado no aproveitamento da matéria-prima nacional.
Desta comissão, coordenada pelo ministro dos Petróleos, Desidério Costa, coadjuvado pelo ministro da Agricultura, Gilberto Lutucuta, fazem parte representantes dos ministérios da Indústria, da Energia e Águas, das Finanças, do Planeamento e das Obras Públicas, da Sonangol EP e da Direcção dos Projectos Aldeia Nova.
Os Projectos Aldeia Nova, em virtude da participação na comissão, poderão vir a desempenhar um papel importante no futuro desenvolvimento da exploração agro-industrial da cana sacarina.
Em todo o caso, a Direcção dos Projectos Aldeia Nova está a preparar-se para este novo desafio. Foi neste sentido que José Cerqueira, DG do PAN, efectuou uma visita a Ribeirão Preto, cidade do Estado de S. Paulo, durante o mês de Julho passado. Considerada a capital da agro-indústria da cana de açúcar, esta cidade brasileira é sede de algumas das maiores empresas do mundo na exploração da cana de açúcar. Durante a visita teve oportunidade de visitar uma destas empresas e trocar impressões com empresários e técnicos desta área. O resultado final foi extremamente positivo e encorajador para a sua aplicação em território nacional.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:53 pm

Os projectos futuros
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Intervenção do governador da província do Cuanza Sul, Serafim do Prado
É com bastante agrado que me faço presente a este acto, bastante representativo para a província do Cuanza Sul do ponto de vista económico e social, na visão do progresso e desenvolvimento.
O Projecto Aldeia Nova já é uma verdadeira organização estratégica de apoio ao nosso empresariado, com uma produção e oferta de bens de consumo com bastante qualidade e competitividade, cuja influência reguladora do mercado de produtos agropecuários se tem revelado nas principais praças do nosso país, a exemplo de Luanda.
Foi neste espírito de um verdadeiro sucesso que o Governo Central decidiu expandir a sua acção para a produção de cana-de-açúcar, visando alcançar objectivos nobres para a nossa indústria nacional.
Estamos a cmprir uma promessa feita em Agosto do ano passado aquando da minha estadia neste município da Quibala, no qual me fiz acompanhar pelo senhor director executivo do Projecto Aldeia Nova, garantindo às autoridades deste município a perspectiva do Projecto que ora lançamos.
A dimensão do projecto de produção de cana-de-açúcar vem dar resposta a um conjunto de acções em prol do desenvolvimento do nosso país, cujo objectivo fundamental é a produção de açúcar nacional e, por outro lado, tirarem-se os melhores proveitos para o relançamento da agro-indústria com particular realce para a produção de energia e não só.
De acordo com os dados em nossa posse, a abrangência do projecto é de 44 mil hectares dos quais 25 mil são somente para a produção de cana, bem como também se prevê alcançar 10 mil postos de trabalho directos e alguma mão-de-obra expatriada para o funcionamento inicial da fábrica de produção de açúcar.
Pelos vistos, tem enquadramento no combate à fome e ao desemprego. Terá certamente uma grande influência no rendimento das pessoas desta região. O país só tem a ganhar com esta importante e empreendedora iniciativa.
Antevendo a dimensão e os resultados que advirão deste projecto, estendo o meu apelo aos empresários ou empreendedores nacionais no sentido de apostarem em novos investimentos noutras áreas de negócios, com vista a proporcionarmos a esta região um desenvolvimento sustentável e integrado, para o bem dos cidadãos como o principal alvo a beneficiar.
Desejo os maiores sucessos a este projecto e que o país se orgulhe de mais uma grande acção de recuperação da nossa economia nacional.
Bem-haja.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:55 pm

Testemunhas
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Gestão económica ambiental
Há muitas razões por detrás do desmatamento, além da extracção de madeira. Os países em desenvolvimento precisam cada vez mais de estradas, represas, diques, canais, rede eléctrica, tubulações para saneamento, produção de alimentos, etc. Hoje, em poucos meses, pode-se converter uma grande extensão de floresta em plantações ou fazendas de gado, e o desmatamento é a única forma de se obter o espaço – “limpar a terra” – para utilizá-la com esse fim.
As consequências do desmatamento podem ser deploráveis e tornar o solo infértil rapidamente se, nas florestas que têm de ser destruídas para ceder lugar ao crescimento e à expansão, não se observar o correcto maneio com mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) e sustentabilidade. Mas floresta destruída não significa, obrigatoriamente, terras inadequadas. Isso só acontece pela falta de “mecanismos de gestão ambiental” e desinformação dos intervenientes, sejam eles produtores ou técnicos, que acabam posteriormente por abandonar a terra.
Quando convertidas em áreas de lavoura, as áreas desflorestadas podem permanecer férteis, por poucos ou muitos anos.
A necessidade de desflorestar
As florestas são directamente responsáveis pelas chuvas. As matas absorvem grande parte da água que, depois, devolvem lentamente ao meio ambiente sob a forma de humidade. A devastação desordenada dessas matas reduz a quantidade de chuva na região e pode levar a um processo de desertificação porque, desprovido da sua cobertura vegetal, o solo fica mais vulnerável à erosão.
Como consequência, a população desses países pode ser vítima da fome, seca e enchentes.
A destruição desregrada das florestas tem também graves consequências à escala mundial. As florestas tropicais regulam os padrões climáticos globais. Em regiões tropicais, principalmente, mais de mil milhões de pessoas dependem da água produzida pelas florestas para irrigar a sua produção agrícola.
Mas florestas destruídas não significam terras inadequadas para outras actividades. Hoje, essa prática pode ser contornada com mecanismos de desenvolvimento limpo e boas práticas culturais, tornando possível reduzir as proporções gigantescas de terras estéreis e utilizá-las na produção de bens de consumo e energia.
Faz-se desmatamento e queima da madeira desde há seculares, com o intuito de aumentar as áreas de cultivo e pastagens e para facilitar a ocupação humana e imobiliária. Estes procedimentos, ao longo dos anos, levaram à extinção de várias espécies vegetais e animais e à erosão mais acentuada do solo.
A procura de novas propostas energéticas renováveis valorizou a biomassa como um grande potencial energético que resultou numa preocupação mundial, primeiro devido à chamada crise do petróleo e agora com a preocupação das alterações ambientais que já atingem todos os continentes.
Uma acção concertada
No despertar do interesse de superação da dependência externa de açúcar, o ProCana estabeleceu como objectivos de projecto – além da produção de açúcar e da co-geração de energia com a queima do bagaço e da palha – a sustentabilidade do projecto com matas ciliares e reservas florestais naturais, respeitando e protegendo o ambiente.
Ao desenharmos as fronteiras para o desenvolvimento agrícola do projecto visualizamos os vínculos negativos da queima do material desmatado em relação à gestão ambiental. Por outro lado ponderamos uma outra visão do problema na forma de alguns créditos positivos, em relação ao material a ser desmatado na região eleita do Lonhe, tanto na forma de aproveitamento da melhor madeira, quanto na redução da emissão de gases, principalmente o CO2, e decidimos incluir dois aspectos que se tornariam essenciais ao desenvolvimento sustentável do ProCana, como estratégia exemplar de respeito ambiental em África:
1. A eliminação da tradicional queima da massa vegetal do desmatamento que aumenta a emissão de gases tóxicos para atmosfera;
2. O inventário do património biológico;
1 – Eliminação da tradicional queima
A massa florestal desmatada para a preparação das terras agrícolas, em vez de queimada será aproveitada de diversas formas que dependerão da espécie e padrão desejável ao tipo de aproveitamento. A massa restante seguirá para unidades de secagem para ser transformada em carvão vegetal.
Culturalmente o carvão vegetal ainda tem um grande uso energético, não só entre as populações rurais como nas vilas e grandes cidades angolanas. O maior problema causado por este consumo é a matéria-prima utilizada, proveniente da destruição desordenada da mata nativa e sem reposição.
Um outro aspecto negativo é que a recuperação da carbonização em forma de carvão não passa de 40% e os restantes componentes são lançados para a atmosfera na forma de vapor de água, CO2 e gás metano, principalmente.
Para ganhar produtividade e eliminar a emissão de gases decidimos buscar nova tecnologia de carbonização da madeira e o aproveitamento da fumaça por pirólise e queima de gases para secagem acelerada da madeira.
As vantagens do novo sistema traduzem-se por uma maior qualidade e maior poder calorífico do carvão; redução de perdas por finos (ticos); economia de madeira; e maior relação custo x benefício.
a) - Créditos de Carbono
Na medição de compostos orgânicos voláteis, como alcatrão solúvel, tolueno e metano, avaliados por uma empresa fiscalizadora no Brasil, observou-se que numa produção de 800 toneladas de carvão vegetal, pelo sistema de carbonização, há a emissão de apenas 59,56 quilos de metano e fixação de 77% de carbono, e 7.600 kgcal/kg num tempo de carbonização de 9 horas e produção de 4.000 m3/mês, contra 40 toneladas de emissão de gás metano e perda de 74% da CO2 pelo processo tradicional, com um tempo de carbonização de 12 dias.
2 – Inventario do património biológico
Sem medidas sustentáveis, o frágil ecossistema florestal não resistirá. Com ele estarão perdidas, para sempre, comunidades inteiras de plantas, animais e microrganismos, muitos dos quais de valor incomensurável para nós.
Há séculos que os homens das florestas têm usado as propriedades químicas de muitas espécies de plantas para obter drogas e medicamentos. A própria ciência moderna reconhece hoje o valor dessas ervas medicinais, algumas para o tratamento de doenças graves como cancro, leucemia, problemas musculares e doenças cardíacas, etc., e outros ingredientes básicos para o fabrico de harmónios controladores da natalidade, estimulantes e tranquilizantes, além da extracção de componentes químicos insecticidas.
Na agricultura, fungos, bactérias e alguns tipos de nemátodos já estão a ser utilizados no controlo biológico de pragas e doenças da cana-de-açúcar e de muitas outras culturas como soja, milho e frutas, economizando milhões de dólares em agrotóxicos e garantindo um ambiente ecologicamente limpo e sustentado.
A teoria do desenvolvimento sustentado, que defende o crescimento económico de acordo com políticas que visam a preservação do meio ambiente, é cada vez mais usada e aproveitada e é defendida não apenas por ambientalistas como também por técnicos, empresários, cientistas e políticos, que entendem que a deterioração ambiental tem uma relação directa com a pobreza e a queda no nível e qualidade de vida da população.
Neste sentido, este trabalho pioneiro em Angola de implantação sustentável é bastante importante, pois só a consciência humana será capaz de preservar o meio ambiente e, consequentemente, a implementação de um sistema sustentável deverá ser estabelecido pelo ProCana, exemplificando para outros projectos agrícolas que se estabelecerem no nosso país e no mundo.
O controlo biológico de pragas tem-se intensificado nos últimos anos em todo o mundo, com exemplos significativos no maneio de pragas. O principal interesse no desenvolvimento de medidas biológicas de controlo tem sido por causa do efeito danoso dos insecticidas químicos ao meio ambiente, contaminando água e solos, prejudicando a vida silvestre (Cruz & Oliveira, 1997). O controlo biológico é realizado principalmente por predadores e parasitóides.
O trabalho tem o objectivo de fazer o levantamento populacional de insectos, fungos, bactérias, pequenos animais como batráquios, etc., nas regiões onde se implantarão as áreas de produção industrial de cana-de-açúcar do Projecto Aldeia Nova, ProCana, na província de Cuanza Sul, verificando também a influência dos tratamentos obrigatórios com insecticidas de solo sobre a população de pragas e inimigos naturais.
Assim deve-se:
1 - Inventariar as principais pragas que atacam a cana e, principalmente, documentar a riqueza de espécies de himenópteros parasitóides presentes na área de instalação do ProCana, na comuna do Lonhe, município da Quibala, destacando os inimigos naturais da Diatraea saccharalis, principal praga da cana-de-açúcar.
2 - Contribuir para o reforço teórico de profissionais que trabalham com grupos de parasitóides a nível técnico, superior e pós-graduação.
3 - Contribuir para o conhecimento da sistemática de himenópteros parasitóides tropicais.
4 - Ampliar o conhecimento sobre os grupos de himenópteros parasitóides que ocorrem em Angola, com informações sobre distribuição geográfica e hospedeiros.
5 - Buscar grupos de espécies na região que permitam futuras análises filogenéticas.
6 - Listar as espécies vegetais existentes na área de estudo.
7 - Listar os insectos-praga e os parasitóides encontrados na área de estudo directamente relacionados com a cana-de-açúcar.
8 - Buscar exemplares de Diatraea saccharalis.
9 - Conservar amostras dos inimigos naturais associados à Diatraea saccharalis.
10 - Monitoramento populacional do pão de galinha (Migdolus fryanus).
11 - Iniciar a colecção científica de insectos do centro experimental e de desenvolvimento técnico da cana-de-açúcar na província do Cuanza Sul.
Vantagens directas
Produção e maneio da cana-de-açúcar sustentável; preservação e inventário da artropodofauna e flora das áreas naturais adjacentes ao futuro campo de cultivo de cana-de-açúcar; uso racional de agroquímicos garantindo lucros económicos e ambientais; preservação da qualidade dos mananciais de água e do solo da região do Lonhe; manutenção e promoção de serviços ecossistémicos, garantindo a valorização económica da área e do entorno.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:57 pm

Cozinha com "chef" da terra
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Francisco Fulano é o responsável pela cozinha dos viveiros ProCana no município da Cela. Assumiu a função nas vésperas da inauguração do refeitório mas, no pouco tempo de exercício, já se sente como se sempre lá tivesse estado. É o que se chama estar como peixe na água. Para conhecer o responsável por esta importantíssima área que é a alimentação humana, fomos procurá-lo no local de trabalho depois de ter servido mais uma refeição e fechado a cozinha.
Como começou a sua carreira de cozinheiro?
Já venho a trabalhar há muito tempo. Comecei a aprender o ofício no Huambo no Hotel Almirante, depois passei para o Excelsior. Mais tarde mudei-me para o Lubango onde trabalhei muitos anos na ainda Importel e depois fui dirigir a cozinha dos pilotos da Força Aérea, a FAPA/DAA. Quando acabaram os confrontos na Cela mudei-me para cá com a minha família.
Porque veio para o Waco Cungo?
Sou natural daqui. Já tinha trabalhado nos hotéis da Cela ainda na época colonial. Então neste mês de Dezembro comecei a trabalhar para o ProCana da Aldeia Nova.
Com esse curríclo já está habituado a cozinhar para muita gente. Quantas pessoas comem aqui neste refeitório?
O número de refeições tem variado muito mas a média está entre as 80 e 90 pessoas.
Qual é a ementa que costuma fazer?
É sempre um só prato e depende do dia da semana. Mas as variações não são muitas porque os comensais são pessoas do campo e o que mais gostam é mesmo de funge de milho com carne. Esse é o prato favorito. Para variar, uns dias reforçamos com feijão de óleo de palma. Outros dias fazemos a carne com massa, ou com arroz de feijão. Mas mesmo assim sempre preferem o funge.
O pessoal tem gostado da qualidade da comida?
Por caso tem gostado. Muito mesmo. Estão a comer muito bem.
A cozinha está bem equipada?
Bom, os equipamentos são suficientes mas o espaço é um bocado pequeno para a quantidade de refeições que servimos. O fogão é bom e tem boa capacidade…
Qual é a maior dificuldade aqui para cozinhar?
Não tem nenhuma especial. Mesmo nos temperos, somos sempre bem abastecidos e tudo tem decorrido com normalidade.
Desde o dia da inauguração até agora não pararam mais?
Não. Todos os dias de trabalho nós estamos a servir refeições das 12 em ponto até às 13 horas.
E quando tiverem de fazer refeições para convidados ou visitas oficiais?
Essas refeições não são feitas aqui. São na outra cozinha que está na área de serviços que é diferente.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:58 pm

Inauguração do refeitório
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Com uma ementa elaborada para cada dia da semana, servindo almoço de segunda a sexta-feira, o refeitório do Centro de Produção do Projecto Cana-de-Açúcar começou a funcionar a partir do dia 5 de Dezembro. Esta estrutura do ProCana no Waco Cungo, construído de raiz, é composta por um salão de meias paredes com mesas e bancos em alvenaria e por uma cozinha que comunica directamente através de dois guichés.
Com esta iniciativa, o ProCana pretende, dentro da realidade e com produtos locais, pôr à disposição dos seus trabalhadores e convidados, que sempre vão aparecendo, uma dieta alimentar equilibrada e saudável, contribuindo assim para a diminuição do absentismo por doenças devidas a alimentos deteriorados e/ou mal confeccionados. Interessante é que se está a fazer uma horta para produção que não só suprirá as necessidades de verduras como será um factor didáctico, face à tecnologia utilizada totalmente ecológica.
Para além das 99 refeições servidas logo no primeiro dia (frango estufado com repolho, funge de milho e feijão de óleo de palma), na ocasião foi também distribuído equipamento de trabalho a todos os trabalhadores do ProCana em cores diversas, consoante a função exercida. Macacões laranja para os tractoristas, verdes para os guardas e um conjunto azul-escuro para os trabalhadores de campo, todos eles com o logótipo do ProCana e da Aldeia Nova. Com esta policromia, o verde dominante dos campos da cana fica salpicado de coloridos pontos nos seus cerca de 115 hectares, já plantados.
É bonito de ver! À hora da refeição, todos uniformizados e alegremente em fila, dirgindo-se ao guiché onde, por cima e em coloridas letras, está escrito “Bom apetite”. É aí que recebem o prato já servido, a caneca e os talheres. De seguida, instalam-se nas grandes mesas de bancos corridos e, sob a benção de um Cristo pintado na parede do fundo, degustam com dignidade a ementa do dia. Depois de sossegarem o estômago e recuperarem as energias, encaminham-se para o outro guiché, que tem inscrita a dedicatória “Bom trabalho”, para devolverem as “ferramentas” utilizadas. Segue-se um merecido descanso a contemplar a bela paisagem da cana plantada, onde antes tinham, como trabalhadores dedicados, derramado um louvável suor e, quem sabe, pensado nas centenas de milhares de hectares e fábricas futuras.
Com estas iniciativas, que são algumas de outras que se seguirão, nomeadamente um posto médico, uma escola para educação de adultos e actividades desportivas apoiadas e incentivadas, o Projecto pretende privilegiar a produção, sem esquecer o bem-estar e envolvimento dos seus trabalhadores no caminho traçado.
Distribuição de brinquedos
Pensando nos festejos natalícios que se aproximavam, e aproveitando o espaço do refeitório agora inaugurado, no dia 18 de Dezembro foram distribuídos aos trabalhadores, de acordo com o número e sexo dos filhos, até aos 12 anos, cerca de trezentos brinquedos diversos, mais ao gosto da petizada dessa faixa etária, como bonecas, bolas, carrinhos, etc. Ainda que este ano, por dificuldades logísticas, não tenha sido possível entregar os brinquedos directamente às crianças, neste ambiente de confraternização estava bem patente a surpresa e alegria de quem os recebeu em seu nome e a emoção solidária de quem os distribuiu. Para o próximo Natal, fica a promessa que será diferente. Palavra do ProCana!
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 7:59 pm

Promoção da Mulher expande cursos de formação feminina
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O sector da Promoção da Mulher continua a levar a cabo cursos de capacitação dirigidos às beneficiárias dos aldeamentos do Projecto Aldeia Nova no Waco Cungo. Estas actividades, que têm sido realizadas com regularidade desde o início do povoamento dos aldeamentos, são compostas por vários temas. No último curso, realizado entre os dias 16 e 18 de Dezembro, quatro professoras ministraram aulas teóricas e práticas a 22 moradoras na Aldeia 6 sobre culinária, pastelaria e padaria, práticas de higiene, saneamento do meio, arrumação e organização do lar, puericultura e DST/HIV-Sida e suas prevenções.
O programa é coordenado por Glória Lutuka que cedeu algumas informações ao nosso jornal. De acordo com esta responsável, os cursos – que começaram por ter lugar na Aldeia 1, nos primeiros seis meses do ano, e depois se estenderam para as aldeias 2, 3 e 4 – têm registado também a participação de meninas com mais de 15 anos, filhas dos agricultores. Em alguns casos, os homens também marcam presença quando os temas em debate requerem a presença masculina.
Filomena Justino, moradora na Aldeia 4, conversou com o jornal ECOS sobre a sua participação no .curso de culinária.
Que novidade retirou das aulas de culinária?
A novidade para mim foi a oportunidade que tive de cozinhar pratos que não fazia desde que deixei o colégio das madres. Era lá que morava antes de me casar.
Reteve alguma coisa das aulas?
Ficámos satisfeitas pela paciência das nossas formadoras. Dantes não vinham muitas mães, mas depois de ouvirem falar sobre as aulas o número aumentou, consoante os turnos. Em nome de todas quero agradecer ao Projecto Aldeia Nova por esta iniciativa. Desde que cheguei aqui, há um ano, já participei num outro seminário do qual obtive um certificado.
Qual é o destino dos pratos que cozinham?
Quando terminam as aulas práticas somos nós próprias que comemos as refeições. Algumas vezes também estão as coordenadoras sociais que nos acompanham.
Só tiveram aulas de culinária?
De momento estamos só na culinária, mas já vimos como tratar da casa, dos filhos, do marido, como devemos receber visitas e vimos como economizar dentro do lar.
Só participaram senhoras nesta formação?
Não. Para além das esposas de agricultores, participaram também as nossas filhas de 15 anos.
Os homens também participam das aulas?
Sim. Participam quando falamos de puericultura e outros conselhos importantes para a boa conduta no lar.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 8:01 pm

Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência
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Não é fácil a vida para uma pessoa portadora de deficiência. Se, para as que não têm esse tipo de problemas, o dia-a-dia está cheio de entraves e incómodos, muito maiores são as dificuldades dos que dependem de adaptações ou da ajuda de terceiros para se locomoverem. Isto para além dos obstáculos de ordem social, política, económica e cultural. Ainda há muito caminho a percorrer até se atingir o ideal da "Participação Plena e Igualdade" proclamado pelas Nações Unidas.
A questão está na forma inadequada como a sociedade, em geral, trata os limites e as diferenças do outro que não pretende nenhum tipo de paternalismo ou piedade, conduta considerada negativa por acentuar o preconceito e estimular a exclusão, em vez de promover a inserção social. Em consequência são vistos como um problema e não como cidadãos que possuem o seu potencial criativo ou de produção. Pelo seu lado, não desejam mais da sociedade que oportunidades e tratamento iguais.
Foi para garantir a dignidade, os direitos e o bem-estar das pessoas portadoras de deficiência que Organização das Nações Unidas instituiu, em 1998, o 3 de Dezembro como o seu Dia Internacional. A data visa sensibilizar o mundo para os assuntos relacionados com este tema, despertando a consciência das pessoas para os benefícios que a integração dos portadores de deficiências pode trazer em todos os aspectos da vida comum.
Em Angola os números atingem dimensões dramáticas. O país tem cerca de 150 mil pessoas portadoras de deficiência, a maior parte das quais são amputadas do sexo masculino, cujas deficiências resultam de acidentes com minas e outros engenhos explosivos. Os restantes são deficientes visuais, auditivos, surdos-mudos, paralíticos e deficientes mentais. Deste total calculado, mais de 89 mil recebem apoio do ministério da tutela, o MINARS. Segundo André Zinga Nkula, director nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, adstrito ao MINARS, a maior parte dos amputados concentra-se nas zonas do Centro e Sul onde a guerra atingiu proporções mais violentas.
No acto central da celebração deste dia, realizado no Kuanza Sul sob o lema “Promovamos a acessibilidade pela participação plena da pessoa portadora de deficiência”, Nkula recordou que a Comissão Nacional Inter-sectorial de Desminagem, as Forças Armadas e os ministérios da Educação, da Saúde e do Interior possuem serviços de apoio às pessoas portadoras de deficiência. No quadro do Programa do Governo existem várias acções, onde se destaca o Programa de Inclusão Social das Pessoas Portadoras de Deficiência, vocacionado para apoiar a criação de cooperativas e microempresas que proporcionam emprego. Outro programa existente, o de Reabilitação baseado na comunidade, leva os serviços onde a pessoa reside e conta com a participação activa dos governos provinciais. Ainda segundo Nkula, “o programa, além de fazer a identificação da pessoa portadora de deficiência, faz o levantamento das suas necessidades. Se precisa de ir à escola encaminhamos o caso para o Ministério da Educação, se precisa de reabilitação física é enviado ao Ministério da Saúde”. Caso o deficiente necessite de emprego, é levado às entidades empregadoras ou frequenta a formação profissional para posteriormente receber instrumentos que lhe permitam desenvolver uma actividade.
Vítima de um projéctil de RPG-7 que lhe fez perder uma perna quando tinha apenas dezoito anos, Domingos João Pereira é uma dos beneficiários do projecto de aldeamentos portadores de deficiência física. Recusa-se a sentir pena de si próprio e aconselha outros deficientes a seguirem o mesmo caminho na luta por uma vida melhor.
Para assinalar a passagem do 10º Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência, o Ecos procurou saber como Domingos tinha encarado e ultrapassado a dramática situação por que passou e quais são actualmente as suas condições de vida.
O que significa para si o dia 3 de Dezembro?
A data de hoje tem um significado muito importante para mim porque é o dia em que costumo reflectir sobre a minha deficiência. É também um dia em que se pode pensar nos esforços e reconhecimento, por parte do Governo, em relação à comunidade de deficientes do país.
Como aconteceu o acidente que o levou à deficiência?
É um dia que eu nunca vou esquecer. Aconteceu a 9 de Fevereiro de 1987 no munícipio do Ebo, aqui no Kuanza-Sul, quando fui atingido por um projéctil de RPJ-7. Depois do acidente fui levado para o bloco operatório e só depois de recuperar da anestesia é que fiquei a saber que tinha sido amputado e que ficaria assim para o resto da vida. Chorei durante muito tempo, porque ainda estava na flor da vida. Só tinha 18 anos.
Pensou que a vida para si tinha acabado?
Não esperava mais nada da vida. Recordo que pensei em suicidar-me com um frasco de veneno. Para mim a vida tinha acabado, porque ainda era solteiro e não tinha a esperança de encontrar uma mulher no futuro.
Como é que se livrou desse pensamento?
Ultrapassei essa situação graças ao acompanhamento feito por alguns conselheiros, naturais aqui do Waco e que estavam nas mesmas condições que eu. Eles já tinham ultrapassado essa fase difícil. Estava eu ainda hospitalizado quando, numa das visitas que me fizeram, conversaram comigo e contaram-me as suas histórias. Deram-me amparo suficiente e encorajamento. Disseram-me que a deficiência não era motivo para terminar com a minha vida, mas sim para iniciar uma nova. Que seria difícil mas que era possível vencer. Graças aos conselhos daqueles homens aceitei que tinha perdido um membro e que tinha de aprender a viver com essa condição. Acreditei que o que restou de mim dava para criar novas forças para lutar pela minha vida.
Alguma vez se sentiu discriminado?
Sim. Recordo-me de um episódio que vivi no munícipio da Gabela. Aconteceu que um certo jovem ofendeu-me moralmente e fisicamente em público, dizendo não ter culpa da minha deficiência e que ninguém sabia a origem desta minha deficiência. Naquele momento correram-me lágrimas pelo rosto porque a ofensa me atingiu no coração. Recordo-me também da altura em que frequentei o curso de agro-pecuária no Instituto de Investigação Agronómica. Devo dizer que o deficiente é muito desconfiado. Eu não me sentia à-vontade entre os outros colegas porque eu apenas fazia trabalhos administrativos, ao passo que eles iam para o campo. Qualquer palavra que me dissessem eu tratava de interpretar à minha maneira, chegando ao ponto de dizer-lhes que era eu o único culpado por me ter integrado num grupo de gente sã.
Como é que lida com a sua deficiência actualmente?
Quero dizer que realizo as minhas actividades normalmente. Quando entrei para o PAN eu próprio fazia todos os trabalhos como, por exemplo, cuidar das galinhas poedeiras que o Projecto me confiou. Mas devido ao esforço sentia-me fraco e com muitas dores no coto e vi-me obrigado a arranjar mão-de-obra. Empreguei dois trabalhadores que neste momento me ajudam no campo. O dinheiro que faço com os ovos e com as hortaliças é suficiente para remunerar os homens. E a família também me tem dado apoio em todos os aspectos, assim como a sociedade.
Muitos deficientes afirmam que nada mais podem fazer a não ser esperar por gestos de caridade. Concorda com afirmações desta natureza?
Reprovo categoricamente. Há muitos deficientes em Angola e se ficarmos todos à espera do Governo ou dos gestos de caridade, quando chegar a nossa vez será demasiado tarde. Nada se compara ao que alcançamos graças a nós mesmos, ao nosso esforço e ao nosso trabalho. Se o Governo disponibiliza alguma ajuda, temos de ser capazes de desenvolver os nossos próprios projectos. Reprovo a atitude de alguns deficientes que andam pelas ruas a pedir esmola. É certo que perdemos alguns dos nossos membros mas não perdemos o essencial que é a vida. A minha sina é trabalhar como toda a gente. É contribuir para o bem-estar da minha família e para a sociedade.
Como tem sido a vida aqui no Projecto?
Tem sido razoável. Existem poucos deficientes por aqui, mas acredito que outros poderão ter a mesma sorte que eu tive. Estar aqui no PAN é uma grande oportunidade que me foi dada pelo Governo. Foi sorte de Deus que o meu nome tenha saído nas listas do IRSEM. Afinal Deus tem muitas formas de ajudar e o Governo tem também várias maneiras de dar oportunidades. Não posso abusar desta grande oportunidade que Deus me deu e que o Governo me confiou.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 8:03 pm

Angola: Projecto Aldeia Nova, com 600 fazendas familiares, inaugurado hoje
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Luanda, 30 Nov
O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, inaugura hoje o projecto Aldeia Nova, um empreendimento agro-industrial orçado em 70 milhões de dólares, que envolve a criação de 600 fazendas familiares, disse ontem fonte oficial em Luanda.
O projecto, que ocupa uma área de 22 quilómetros quadrados no município do Waku Kungo, na província angolana do Cuanza Sul, é uma iniciativa do governo angolano, estando a administração a cargo do grupo israelita LR.
A produção de bens alimentares e a criação de postos de trabalho são os principais objectivos desta iniciativa, lançada pelo governo em Dezembro de 2003, que alia os sectores agrícola e industrial.
Os promotores do projecto estimam que, no final de 2007, a produção deverá atingir cerca de quatro milhões de litros de leite, três mil toneladas de carne de frango, mil toneladas de carne de porco e 280 toneladas de carne bovina, além de mais de 22 milhões de ovos.
O projecto prevê a criação de 600 fazendas familiares, recebendo cada família uma casa, mobília, instrumentos de trabalho e animais para produção, além de um terreno de 30 hectares.
Neste terreno, três hectares serão utilizados por cada família para o cultivo de hortas e a criação de animais, enquanto os restantes 27 hectares, que também estarão a seu cargo, serão integrados numa grande lavra colectiva que produzirá milho, soja e girassol, entre outros produtos.
O sustento de cada uma das famílias envolvidas no projecto será assegurado pela venda dos produtos animais e agrícolas, mas também por uma percentagem da produção da lavra colectiva.
A produção agrícola utilizará modernas tecnologias, incluindo um sistema de irrigação gota-a-gota, o que permitirá a utilização intensiva das terras, estando assegurada a assistência técnica permanente aos agricultores por um grupo de especialistas.
O projecto Aldeia Nova está integrado na recuperação da antiga Bacia Leiteira da Cela, que chegou a produzir anualmente quatro milhões de litros de leite no tempo colonial.
A Bacia Leiteira da Cela, situada no actual município do Waku Kungo, no interior da província do Cuanza Sul, teve origem num grupo de emigrantes portugueses oriundos da ilha da Madeira que ali se instalaram na década de 60.
O nome «Cela», atribuído por Salazar numa referência a uma aldeia de Santa Comba Dão, onde nasceu, deixou de existir depois da independência angolana, passando o município a ser designado como Waku Kungo, numa homenagem a duas personagens da tradição local.
Nesta primeira fase, que será inaugurada hoje, além da preparação das terras para cultivo, foram também recuperadas algumas das infra-estruturas deixadas pelos portugueses, especialmente os 15 canais de irrigação que permitem distribuir a água por todo o perímetro da bacia leiteira.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Set 06, 2010 8:04 pm

Convite a Investidores a Apostar na Produção de Leite
A única empresa de lacticínios de Angola, Lacteangol, diz-se com capacidade para absorção de todo o leite que venha a ser produzido no país, mas lamenta o facto de este ser bastante deficitário nesta matéria, o que leva a empresa a recorrer à importação para garantir a produção de alimentos lácteos.

A indústria angolana de lacticínios vive um problema que, mais uma vez, coloca o país em situação de dependência do exterior: o de matéria-prima para alimentar as unidades fabris dedicadas a produção de leite e seus derivados.

A Lactiangol, a única em Angola com alguma produção de lacticínios, reconheceu esta semana que o fornecimento deficiente de leite é, na verdade, uma das dificuldades com que a empresa se debate, o que, segundo o seu director-geral, força aquela unidade industrial a ter a sua produção dependente, em 85 por cento, de matéria-prima adquirida do mercado externo.

Para José César Macedo, o ideal e menos oneroso para a empresa era que a principal matéria-prima viesse de leiteiras nacionais que, de acordo com os cálculos do empresário, neste momento correspondem com apenas 15 por cento do total de leite usado pela empresa.

Assim, o mercado é deficitário nesta matéria, algo também reconhecido pelo vice-ministro da Agricultura, depois de ter visitado a fábrica de lacticínios, em companhia do ministro português da Agricultura, Jaime Silva. «Por enquanto ainda somos importadores de leite», disse Amaro Taty. E não podia ser de outra forma, na medida em que o país dispõe de apenas uma bacia leiteira em funcionamento – a da Cela – a partir da qual a Lacteangol se tem abastecido, embora as quantidades sejam ainda insignificantes perante aquilo que são as necessidades do mercado.
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«É necessário existirem mais unidades noutros centros do país», pensa o empresário, desafiando, por isso, os investidores nacionais e estrangeiros a investirem no surgimento de novas bacias, a pensar na cobertura da crescente procura deste produto essencial para a dieta alimentar dos angolanos. A Lacteangol garante para já mercado para todo o leite que vier a ser produzido localmente.

«Estamos completamente preparados», assegurou Macedo, para se aludir às capacidades da empresa que, na sua avaliação, está à altura de absorver toda a produção «que fosse surgir em qualquer espaço nacional».

Perante o desafio lançado, o ministro português da Agricultura encorajou os empresários do seu país a aproveitarem as oportunidades que o mercado angolano oferece, sobretudo no sector do agro-alimentar. Ele vê em Angola grandes potencialidades para desenvolver a agricultura, a julgar pelos seus bons solos e suas extensas áreas agrícolas, que permitem gerar riqueza e divisas.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Quinta Dez 02, 2010 8:19 pm

Banco Sol disponibiliza dois milhões de dólares para crédito agrícola
Imagem Sumbe - O banco Sol disponibilizou quinta-feira, na cidade do Wako Kungo, província do Kwanza Sul, um crédito agrícola no valor de dois milhões de dólares norte-americanos, para os camponeses nos municípios da Cela, Kilenda e Kassongue.
Em declarações à imprensa a gerente do Banco Sol na Cela, Roberta Miapia, disse que as condições estão criadas e o objectivo é ajudar os camponeses a melhorar a produção agrícola e terem os seus rendimentos, no quadro do combate à fome e à pobreza.
O representante da União das Associações dos Camponeses Agro-pecuária da Cela, Silveira Matias, fez saber que estão seleccionados 15 associações de camponeses e o crédito vai ajudar os integrantes a adquirirem os instrumentos de trabalho e as sementes, para a campanha agrícola 2010/2011.
“Recebemos com muita alegria o anúncio do Banco Sol e estou certo que até à próxima semana receberemos os valores,” frisou.
Apelou aos camponeses a ser beneficiados no sentido de honrarem os compromissos de forma que o banco continue a disponibilizar valores, tendo em vista o combate à fome e à pobreza, principalmente nas zonas rurais.
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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Segunda Jan 10, 2011 6:21 pm

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Re: PROJETO ALDEIA NOVA - Ex. Colonatos da Cela)

Mensagempor em Sexta Jan 14, 2011 7:37 pm

Cana-de-açucar na alimentação das vacas leiteiras do PAN
Porque a cana-de-açúcar é uma planta que tem uma elevada capacidade para transformar energia luminosa (luz solar) em energia química, principalmente em sacarose que atinge 18 a 25% da matéria seca (rico em fibra), e porque a maturação acontece nos meses coincidentes com a época do cacimbo -quando as condições ambientais tornam as pastagens mais escassas e deficientes em energéticos e proteínas - a cana assume-se como um importante suplemento de volumoso e de energia para o gado bovino durante o período seco. Está a ser bastante usado em muitos países tropicais, onde o seu uso se está a generalizar. O Centro de Transferência de Tecnologias de Raças com Aptidão Leiteira da Embrapa, no Brasil, recomenda o tratamento do gado com a cana-de-açúcar triturada “porque, além de eficaz, é mais simples que outras técnicas”. "A grande vantagem do uso da cana-de-açúcar não é armazenar em silo, e sim, armazenar em pé", afirma o veterinário e pesquisador Moacir Saueressig, coordenador daquele centro de pesquisa (Agronegócio de 26/07/2008). A cana-de-açúcar tem ainda vantagens na alta produção de matéria seca (média entre 60 a 150 t/ha); é uma planta com ciclo semi-perene (a renovação necessária, faz-se em ciclos de quarto ou cinco anos); mantém valor nutritivo por períodos longos após a maturação; é bem aceite e consumida pelos animais (volumes de cerca de 6% do peso vivo de matéria fresca/dia); e é de relativo baixo custo de produção. Por saber disto passamos a estimular o uso forrageiro e, já durante o cacimbo de 2008, o ProCana promoveu o fornecimento gratuito das pontas verdes da cana da propagação das sementes a alguns criadores interessados das fazendas médias e aldeias da região do município da Cela. Em 2009 ampliou-se o número de interessados, ao ponto de virem criadores da Quibala pedir as sobras do corte, e recebermos solicitações e informações de diversos lugares do Cuanza Sul e Huambo. Neste começo de 2010, e com a chegada das vacas leiteiras ao aldeamento 12, os técnicos responsáveis pela zootecnia, os directores do sector e da logística do Projecto manifestaram interesse na cana picada para o uso diário a todas as 800 vacas leiteiras das aldeias PAN, com um consumo diário de 5 toneladas/dia de cana picada.Com altos teores de açúcar (energia) que conferem digestibilidade acima de 60%, a cana-de-açúcar apresenta, no entanto, teores baixos de proteína bruta e de alguns minerais como enxofre, fósforo, zinco e manganês. Para suprir a deficiência desses minerais, basta o produtor fornecer aos animais um sal mineral de boa qualidade e, para corrigir os baixos teores de proteína, utiliza-se a ureia pecuária (sem biureto) que é uma fonte de nitrogénio não-proteico (NNP) para suprir com nitrogénio os microrganismos que convertem NNP em proteína microbiana. Os resultados das pesquisas recomendam a adição à ureia de uma fonte de enxofre (sulfato de amónia ou de cálcio) na proporção de nove partes de ureia e uma parte de sulfato de amónia (50 quilos de ureia + 5,5 quilos de sulfato de amónia ou de cálcio) para melhor resposta animal.Utilizando um quilo da mistura de ureia com enxofre para cada 100 quilos de cana-de-açúcar picada, o teor de proteína bruta na forragem é aumentado de 2 a 3% para 10 a 12% na matéria seca. Porém, o uso de ureia para ruminantes deve ser feito de forma adequada, caso contrário poderá levar à intoxicação por amónia e até perda do animal. Como usar A cana-de-açúcar pode ser usada como fonte forrageira na alimentação de bovinos confinados ou em pastoreio; neste caso, como uma forma de resolver problemas relacionados à baixa disponibilidade de matéria seca da pastagem. Em ambos, a cana deve ser picada e não triturada, para efectivamente reduzir o comprimento da fibra e melhorar o seu consumo. Para pequenos plantéis, a colheita pode ser feita manualmente e a cana transportada em carretas ou carroças para ser picada, em picadeiras estacionárias, próximo do local de fornecimento. No caso de um número maior de animais, usam-se máquinas forrageiras que cortam, picam e carregam numa única operação. A limitação mais séria ao uso da cana reside, como observado acima, no seu baixo teor de proteína bruta e degradabilidade da fibra, resultando em baixo consumo. Nessas condições, o uso isolado da cana-de-açúcar não é capaz de atender nem mesmo às necessidades de manutenção do animal. Mas o uso, associado com uma fonte proteica, tal como a ureia + sulfato de amónio, pode resultar em ganhos de até 300 g/cabeça/dia. A mistura recomendada é de 9% e 1 a 1,5% de sulfato de amónio ou de cálcio.Poderá fazer-se uma fase de adaptação de uma semana. Nesta fase de adaptação, usar apenas 0,5 kg da mistura para os mesmos 100 kg de cana picada. A mistura ureia + sulfato de amónio pode ser preparada e guardada. A aplicação da mesma sobre a cana é feita da seguinte forma: - Para cada 100 kg de massa de cana picada, já distribuída na manjedoura ou no campo, aplicar a mistura ureia + sulfato de amónio diluída em 3-4 litros de água, com a ajuda de um regador. Essa distribuição deve ser a mais uniforme possível; - Para ganhos na faixa de 500 g/cabeça/dia, há necessidade de se acrescentar, à cana tratada, concentrados proteicos de origem vegetal. - Para animais em confinamento, com ganhos entre 600 e 700 g/cabeça/dia, há a necessidade do uso de misturas proteico-energéticas (por exemplo, 80% de milho e 20% de farelo de soja) fornecidas na base de até 2,5 kg por animal/dia. Neste caso, atenção especial é necessária em termos de retorno económico, visto a baixa conversão alimentar normalmente obtida quando se usa cana. Talvez esta forma deva ser usada apenas como uma estratégia para explorar a alta no preço do boi ao final da entre-safra, confinando animais com peso vivo médio acima de 400 kg. Como misturarTecnologia cana-de-açúcar + ureiaA mistura recomendada é nove partes de ureia e uma parte de sulfato de amónio ou oito partes de ureia e duas partes de sulfato de cálcio.A tecnologia é simples e envolve, basicamente, os seguintes passos:- Preparo da mistura ureia e fonte de enxofre.- Prepara-se a mistura de ureia e sulfato de amónio do seguinte modo:Numa área cimentada e seca, despeje 9 quilos de ureia; acrescente 1 quilo de sulfato de amónio e misture bem - para outras quantidades, use pesos proporcionais; ensaque a mistura e guarde em local seco, fora do alcance dos animais.- Colha a cana cortando-a rente ao solo.- Retire as folhas secas e passe a cana na picadeira, aproveitando também as pontas.- Junte a mistura de ureia e sulfato de amónio à cana da seguinte maneira:Na 1ª semana ou período de adaptação:Dissolver meio quilo da mistura num regador contendo quatro litros de água; com essa quantidade, regue cada 100 quilos de cana picada que foi colocada no cocho; misture bem, e a cana estará pronta para ser consumida pelos animais.- Uma vez preparada, a mistura ureia + fonte de enxofre deve ser guardada em sacos plásticos em local seco e fora do alcance dos animais.Esta mistura pode ser preparada em quantidades suficientes para alimentar o rebanho por vários dias.Exemplo: 1 parte de sulfato de amónio + 9 partes de ureia ou 2 partes de sulfato de cálcio + 8 partes de ureia. · Primeira semana (período de adaptação): 0,5% de ureia na cana. Ex: Para cada 100 kg de cana picada, adicionar 500 g da mistura ureia + fonte de enxofre, diluída em 4 litros de água. · Segunda semana em diante: 1% de ureia na cana-de-açúcar. Ex: Para 100 kg de cana picada, adicionar 1 kg de ureia + fonte de enxofre, diluída em 4 litros de água.Obs: A diluição da mistura ureia + fonte de enxofre em água é indicada para facilitar e assegurar a incorporação uniforme de ureia à cana-de-açúcar.A solução de 4 litros de água + 1 kg de ureia + fonte de enxofre é distribuída por um regador sobre os 100 kg de cana picada e incorporada, visando uma mistura homogénea antes de fornecer aos animais, evitando os riscos de intoxicação pelo aumento de ureia em alguma parte do cocho Cuidados na utilização da ureiaÉ importante lembrar alguns cuidados recomendados para utilização de ureia para ruminantes.1. Os animais devem ser inicialmente adaptados ao consumo de ureia. Não usar em quantidades superiores às recomendadas anteriormente;2. A ureia deve ser misturada de forma homogénea aos alimentos, a fim de se obter uma ingestão regular desse alimento;3. Deve ser fornecida misturada ao alimento diariamente, sem interrupções;4. Usar manjedoura cobertos e com furos para dreno de água;5. Uma boa suplementação mineral quando se usa ureia é extremamente necessária para se obter um bom desempenho dos animais;6. Nunca use ureia dissolvida em água de beber dos animais ou em bebedouros;7. É importante um acompanhamento técnico para escolha e adequação de um método que se adapte às condições de cada propriedade. Sintomas de intoxicação por ureiaOs sintomas de intoxicação por ureia apresentados pelos animais são os seguintes:· Agitação· Salivação em excesso· Falta de coordenação· Tremores musculares· Micção e defecção frequentes· Respiração ofegante· TimpanismoNo caso de intoxicação, utilizar como antídoto duas garrafas de vinagre por animal, logo aos primeiros sinais, da seguinte maneira:· Coloque o bico da garrafa no canto da boca do animal e deixe o vinagre descer goela abaixo;· Movimente o animal quando estiver dando vinagre;· Não puxe a língua do animal para dar o vinagre; com isso, se evita que o vinagre vá para os pulmões do animal e o asfixie.Obs: Deve-se recorrer ao veterinário da fazenda, caso necessário.Importante:· Se for adequadamente utilizada, conforme as recomendações técnicas mencionadas, a ureia não causa intoxicação. Essa só ocorrerá em caso de ingestão em períodos curtos ou em quantidades acima das recomendadas.

Como plantar
A área a ser plantada é calculada em função do peso e número de animais a serem suplementados, do número de dias de suplementação, da produção de massa esperada por hectare e da quantidade diária a ser fornecida por animal. Supondo-se: - produtividade esperada de massa verde de 120 t/ha. - número de animais - 100 - período de suplementação - 150 dias - peso médio/cabeça - 300 kg - fornecimento diário - à vontade (6% do peso vivo/cabeça/dia de massa verde) Tem-se: 100 animais x 300 kg/cabeça x 0,06 x 150 dias = 270.000 kgAssim dividindo estes 270.000 kg pelos 120.000 kg de massa verde/hectare calcula-se 2,25 hectares. Considerando-se uma margem de segurança de 10% tem-se: 2,25 x 1,1 = 2,5 hectares, aproximadamente. Solo - Os mesmos usados para cultivos de soja ou milho são apropriados, corrigidos com calcário segundo o mesmo critério adoptado para essas culturas. O solo deve ser bem preparado com arações e gradagens, para permitir uma boa operação de plantio. Correcção do solo/adubação - A calagem, quando necessária, deve ser feita no mínimo 60 dias antes do plantio. Plantio - O plantio é feito no início das águas (Outubro/Novembro) ou mais tardiamente (Janeiro/Março). No primeiro caso, a produção estará disponível para corte na estação seca a seguir, mas, no plantio tardio, esta só poderá ser usada no ano seguinte. O solo já preparado e com calcário deve ser sulcado à distância de 1,20 m, com sulcos de aproximadamente 25 cm de profundidade. Os adubos necessários para plantio são aplicados no fundo do sulco e a seguir, também no fundo do sulco, são colocados os pedaços de colmos com três a quatro nós (um após o outro em número de dois). Alternativamente, pode-se dispor canas inteiras em número de duas, cruzadas, pés com pontas e cortá-las posteriormente com uma catana, dentro do próprio sulco. Para o plantio de áreas extensas, pode-se usar máquinas que sulcam, adubam e plantam numa mesma operação e, neste caso, os colmos devem ser cortados antes. Os colmos devem ser cobertos com uma camada de terra de 5 a 10 cm. Usar sempre mudas sadias, maduras (oito a doze meses) e de variedades reconhecidamente produtivas e bem adaptadas. Para melhor distribuição da produção ao longo do período de suplementação, recomenda-se, sempre que possível, usar uma variedade precoce (por exemplo, NA 5679) e uma variedade tardia (por exemplo, CB 45-3). Para plantio de 1 hectare, são necessárias de oito a doze toneladas de cana, ou cerca de 0,1 hectare de viveiro para cada hectare plantado. Adubação - Por ocasião do plantio, todo o fósforo, potássio e, eventualmente, algum nitrogénio recomendado para ser usado nesta fase, devem ser aplicados no fundo do sulco. Sugere-se, na ausência de alguma indicação técnica mais precisa, aplicar de 700 a 900 kg/ha da fórmula 04-14-08, ou 500 a 600 kg de 05-25-20 ou similar, considerando sempre uma aplicação de 120 a 150 kg de fósforo por hectare no plantio.Mas o ideal, porém, é proceder a uma adubação com base numa análise de solo, específica para cana, e assistida por um técnico da área. Cerca de 60 dias após a germinação, aplicar de 50 a 60 kg/ha de nitrogénio, em cobertura, ao longo das linhas de plantio. Para garantir boa persistência do canavial, entre quatro a cinco anos, adubações anuais com nitrogénio, fósforo e potássio são importantes. Recomenda-se usar 80 kg/ha de nitrogénio dividido em três parcelas durante o período de chuvas; 45 kg/ha de P2O5 e 90 kg/ha de K2O, numa única aplicação no início das chuvas em cobertura. Retorno do esterco dos currais e das áreas de confinamentos para a cultura é altamente recomendável.
Recomendações gerais- Usar a mistura de ureia com sulfato de amónio nas quantidades recomendadas e observar o período de adaptação.- Não fornecer a mistura de cana e ureia à vontade aos animais que estiverem em jejum.- Não armazenar a cana cortada por mais de dois dias.- Picar a cana e fornecer logo aos animais. Não aproveitar as sobras do dia anterior; usá-las como adubo orgânico.- É absolutamente necessário fornecer sal mineral e água à vontade aos animais.- Evitar acúmulo de água de chuva nas manjedouras. A ureia dissolve-se com facilidade na água, e o seu acúmulo na manjedoura pode intoxicar e matar os animais.- O uso de milho, na forma de fuba, e de farelos, como os de soja, de algodão e de arroz, contribui fornecendo mais nutrientes, faz aumentar o consumo de cana e, consequentemente, os ganhos de produtividade, seja o aumento da produção de leite e o ganho de peso dos animais. Com este acordo de fornecimento diário estabelecemos o valor do custo operacional e de produção que beneficiará a construção e desenvolvimento do Jardim de Infância a ser criado este ano para os filhos dos trabalhadores que totalizam actualmente 296 crianças entre 0 e 12 anos, no viveiro do Waco Cungo e acrescenta mais um serviço de parceria e acção social. Bibliografia consultadaGONÇALVES, C. C. M.; TEIXEIRA, J. C.; OLALQUIAGA PÉREZ, J. R. et al. Desempenho de bovinos de corte a pasto suplementados com ureia e amireia 150S no período seco. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 40., 2003, Santa Maria, RS. Anais... Santa Maria: SBZ, 2003.LOPES, H. O. S. Suplementação de baixo custo para bovinos: mineral e alimentar. Brasília: EMBRAPA-SPI, 1998. 107 p.LOPES, M. A.; SAMPAIO, A. A. M. Manual do confinador de bovino de corte. Jaboticabal: FUNEP, 1999. 106 p.TORRES, R. A.; COSTA, J. L. Uso da cana-de-açúcar na alimentação animal. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGEM, 2., 2001, Lavras, MG. Anais... Lavras: UFLA, 2001. p.1-14.PETROBRAS. Ureia pecuária Petrobrás: informações técnicas. [Rio de Janeiro]: Petrobrás, [199-]. 23 p.
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Escrita por: Antonia Onofre


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