PROVÍNCIA DE MALANGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

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PROVÍNCIA DE MALANGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Mensagempor Vitor Oliveira em Terça Out 06, 2009 2:45 pm

CAPITAL: MALANJE
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Municípios

Malange, Mucuso, Kalandula, Caculama, Kangandala, Kambundi-Katembo, Quela, Cahombo, Kiwaba-Nzoji, Massango, Marimba, Luquembo, Quirima, Kunda-Dia-Base;
Clima

O Clima é tropical húmido mesotérmico. Tem temperaturas médias anuais entre 20° C e 25° C. O mês mais frio é o de Junho com uma média anual de 21°C e os meses mais quentes são os de Março e Abril, com uma média de 25° C. Ao longo do ano registam-se duas estações: Chuvosa que abarca cerca de nove (9) meses (15 de Agosto/15 de Maio) e a outra é a estação do Cacimbo que vai de 15 de Maio a 15 de Agosto.

O território está subdividido em duas grandes áreas de relevo:

1 - Uma depressão de abatimento (Baixa de Cassange) no Nordeste da Província NW - SE, que é uma vasta planície confluênciada nos rios Cambo e Cuango. Tem limites naturais bem definidos com os pontos extremos nas coordenadas de 7° 38' e 10° 5' de latitude sul e 16° e 18° 38' na longitude Este;

2 - Uma zona planáltica com orientação N - S, onde os limites na parte Norte atingem a linha divisória da escarpa da Baixa de Cassange e no Sul, prolongase até ao planalto do Bié. A Leste dilui-se nas extensas planícies arenosas do Kalahari, com coordenadas extremas de 9° 38' e 13° 38' de latitude Sul e 16° 14' e 18° 38' de longitude Este.

Em todo o território da Província encontra-se uma variedade de solos próprios de zonas tropicais, hidromórficos, oxialíticos, ferralíticos, psamo-ferráliticos, paraferraliticos, litossoles, Calsialíticos, fersialiticos e fracamente ferrálicos sobre uma vegetação de florestas abertas com matas de panda, savanas, arbustivas e de prado palustre com bosquedo.

Superfície: 98 302 Km2

População: 911 000 Habitantes, densidade 224 hab/km2
Principal produção

Abacateiro, Algodão, Amendoim, Ananás, Batata Doce, Cana de Açúcar, Ervilha, Mandioca, Mangueira, Maracujá, Feijão Macunde, Feijão Cutelinho, Milho, Girassol, Arroz, Sisal, Rícino, Plantas
Aromáticas, Pastorícia, Produtos Hortícolas, Soja, Tabaco, Vielo, Eucalipto, pinheiro,

Recursos Madeireiros: (Floresta tropical Seca)

Pecuária: Bonivicultura de Carne, Bonivicultura Leiteira.

Minérios: Fosfatos, Diamantes, Urânio, Calcário-Dolomite, Cobre e minerais radioactivos

Indústria: Materiais de Construção, Alimentar, bebidas e Tabaco.

A Província possui vários minerais, tais como: manganês, cobre, ferro, diamantes, granito, ca1cário e minerais radioactivos. É rica em recursos hídricos visto que é banhada por muitos rios e riachos de caudal permanente, além de inúmeros lençois de águas profundas. Possui ainda muitos lagos, e lagoas.
Cultura

Complexo Sócio-Cultural Ambundu

Existem na Província diferentes grupos etno, linguísticos tais: como (Kimbundo, Bangalas, Bondos e Songos), que ocupam a parte Centro e Sul da Província e os Gingas que ocupam a parte Norte de Malanje. Existem também outros grupos etno, linguísticos nomeadamente Umbundos, Kiokos, Suelas, que ocupam a parte planáltica da Província.

Existem para a cobertura do ensino e assuntos administrativos, na Província um total de 3.020 professores, o que é irrisório para o número de alunos que se encontram dentro do sistema de ensino, distribuídos conforme ilustra o quadro:

Neste momento a Cultura sobrevive de algumas iniciativas, com a aparição de grupos musicais, de teatro e de danças tradicionais, (marimbeiros, muquixes e batuque).
Existem 4 (quatro) monumentos históricos classificados e 4 (quatro) sítios:
Monumentos
Forte de Cabatuquila

Localizado no Morro de Cabatuquila sitiado ao Poço mais antigo de Malange no Bairro da Vila;
Ruínas de Duque de Bragança

Ruínas de Duque de Bragança no Município de Calandula sitiado em Matari ya Ginga no Município de Malanje;
Igreja Metodista Unida

Localizada em Quéssua sitiada em Poço da Sé Catedral na Igreja Católica Central.
Antigo Palácio na Cidade de Malanje

Sitiado em Manivela Mais Antiga no Bairro da Quizanga.
Lazer

Quanto ao lazer, é de realçar o facto da natureza, nesta Província ter proporcionado aos seus habitantes pontos turísticos bastante atraentes, tais são os casos das famosas cataratas de Kalandula, as sempre naturais Pedras Negras de Pungo Andongo, a convidativa Baixa de Cassange, os parques nacionais do Bembo e Luando, onde pode-se encontrar a imponente Palanca Negra Gigante, assim como as cataratas do Porto Condo em Kangandala.
Saúde

Existem na Província 13 Hospitais (1 funcional), 36 Centros de Saúde e 97 Postos de Saúde que pelo movimento migratório das populações urge cuidados e reabilitações.

Parceiros do Governo como o UNICEF< OXFAM, VISÃO MUNDIAL, OIKOS, CRUZ VERMELHA, etc., têm levado a cabo um trabalho valioso, junto das populações peri-urbanas e rurais, fruto da sua organização em Grupos de Água. Pontes e estradas estão sob a Direcção Provincial do INEA.

Distâncias em km a partir de Malanje: Luanda 423 - N'Dalatando 175;

Indicativo telefónico: 051.

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A Terra da Grandiosa Cascata e da Palanca Gigante tem uma superfície de 97.602km e toca no Kwanza Norte a oeste, no Uíge a norte, na RDC a nordeste, na Lunda Norte a leste, na Lunda sul a sudeste, no Bié a sul no Kwanza Sul a sudoeste. Tem clima tropical húmido com chuvas durante os meses de Outubro a Abril. Desenvolvem-se as culturas da mandioca, arroz, milho, batata-doce, abacateiro, amendoim, ervilha, feijão, girassol, goiabeira, mangueira, abacaxi, banana, citrinos, maracujá, sisal, soja, eucalipto e pinheiro.

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As culturas do algodão, tabaco e cana-de-açúcar são significativas e servem a indústria local. A indústria é dominada por unidades transformadoras nos sectores alimentar, das bebidas e do tabaco. Uma das regiões mais ricas em diamantes, dispõe também de fosfatos, urânio e calcário. A riqueza de Malanje não está contudo, somente nos seus belíssimos diamantes. Aqui, a Natureza foi pródiga e atinge o seu ponto alto nas Quedas de Kalandula. No Parque Nacional da Cangandala (600km') encontra-se a Palanca Negra ou Gigante, exem­plar magnífico, de grande raridade.

Fonte:
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Vitor Oliveira
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Re: PROVÍNCIA DE MALANGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Mensagempor tozé em Terça Out 20, 2009 11:52 am

MALANJE
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A Província de Malanje situa-se no planalto norte de Angola e tem como capital a cidade de Malanje.

Está limitada a norte pela Província do Uíge e pela República Democrática do Congo, a sul pela Província do Bié, a oeste pelas Províncias do Kwanza Norte e Kwanza Sul e a leste pelas Províncias da Lunda Norte e Lunda Sul.



A Província subdivide-se em três zonas Geo-Economicas: O planalto de Malanje, a Baixa de Kassanji e a Zona do Luando. Possui uma grande variedade de recursos turísticos, dos quais se destacam: o Parque Nacional de Cangandala, a Reserva Natural do Luando, a Palanca Negra Gigante, as Quedas de Kalandula, as Pedras Negras do Pungo-Andongo, os Rápidos do Kwanza, a Barragem de Kapanda.



Malanje possui altitudes variáveis entre 500 e 1500 metros. Os níveis pluviométricos variam entre 1000 e 1750 mm, enquanto que as temperaturas medias anuais variam entre 20 e 24ºC. O clima é tropical húmido. A vegetação da Província compõe-se de florestas abertas, savanas, mosaicos florestas-savana e mosaicos de balcedo-savana.



Com uma superfície de 97.602 km2, tem uma população estimada em cerca de 900.000 habitantes. Fazem parte da Província os municípios de Malanje, Massango, Marimba, Cunda dia Baze, Caombo, Kalandula, Cacuso, Kiwaba Nzogi, Mucari, Quela, Cambundi-Catembo, Quirima, Cangandala e Luquembo.



Sob o ponto de vista econômico, a zona mais desenvolvida em termos agrícolas é a entorno à cidade de Malanje, onde são cultivados entre outros produtos o algodão, a cana de açúcar, o milho, a mandioca, jinguba, batata doce, banana, feijão, arroz, milho, eucalipto, pinheiro, tabaco. Faz também uma discreta produção de carne bovina, leite e derivados de leite.



Possui diamantes, urânio, calcar e fosfato, para além de outros recursos em madeira. Em termos industriais salientam-se materiais de construção, produtos alimentares, vinhos e tabacos.
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Re: PROVÍNCIA DE MALANGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Mensagempor tozé em Terça Out 20, 2009 11:54 am

A CIDADE DE MALANJE NA HISTÓRIA DE ANGOLA

Incluído no programa das Festas da Cidade de Malanje, aconteceu dia 13.02.07, em Malanje, o lançamento do livro A CIDADE DE MALANJE NA HISTÓRIA DE ANGOLA, ­dos finais do séc. XIX até 1975, da autoria de António Egídio de Sousa Santos, sob a chancela da Editorial Nzila.



O Autor


António Egídio de Sousa Santos, Historiador, nasceu em Kalandula, Província de Malanje. Infância e ensino primário e secundário nas cidades de Negage, Sanza Pombo e Uíje. Licenciado em Filologia, pela Escola Superior Político-Militar de Lvov, da ex-URSS (1985), e em Ciências da Educação pelo ISCED do Lubango (1990), em 1994 concluiu o curso de Mestrado obtendo o Diploma de Estudos Aprofundados (DEA) em História de África Negra pela Universidade de Paris I, Panthéon ­ Sorbonne. Em 2004. obteve o grau de Doutor (PhD) em Historia e Civilização pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS) de Paris, tendo defendido a tese que dá título a este livro, merecendo do júri a menção “Très Honorable”. Com uma vasta e longa experiência no ensino da História, membro investigador do Arquivo Histórico de Angola, e, actualmente, professor de História de África na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.


Malanje nasceu sob uma nova conjuntura. Os sistemas políticos africanos, vigentes à volta da cidade, deviam criar um elemento de novidade, agindo de modo a suscitarem produções originais, solicitadas aliás pelo comércio europeu. A procura europeia era reconhecida pelas instâncias de poder e pelos produtores africanos, o que autorizava a transformação e sobretudo a modernização dos sistemas. A cidade colonial nunca foi uma cidade totalmente africana, nem sequer pela sua organização espacial. Com efeito a cidade colonial assinalou sempre uma separação nítida entre a cidade europeia e a cidade africana. Essa separação concretizou-se através de dois fenómenos distintos e complementares: o território e o centro de direcção. Na grande maioria das cidades coloniais, os europeus concentravam-se na micro-cidade europeia, à imagem de uma grande aldeia (com excepção de algumas cidades como Luanda ou Benguela onde se podiam encontrar alguns brancos na cidade africana), ao passo que os africanos se instalavam massivamente na cidade africana. No final da colonização portuguesa, Malanje sofre a sua última mutação.



Ainda que a separação física entre a cidade europeia e a cidade africana permanecesse visível a sua população aparece novamente confundida nas duas cidades: a independência tornou possível aos africanos autóctones residirem na cidade “branca” e utilizarem os espaços que eram outrora reservados aos europeus.

Texto:EditorialNzila
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Re: PROVÍNCIA DE MALANGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Mensagempor tozé em Terça Out 20, 2009 11:55 am

A Origem e datas importantes
MALANJE - A Origem e datas importantes



A Origem do nome da cidade

1ª versão

Os nomes das cidades africanas, com algumas excepções, são de origem africana, isto é, são puramente africanos, pertencendo a línguas africanas. Esses topónimos servem também para sublinhar a origem africana das aglomerações urbanas. Geralmente, resultam de uma má pronúncia de uma palavra africana por parte dos europeus devida a uma incompreensão no decurso dos primeiros contactos com os africanos.

Examinemos primeiramente o sentido etimológico da palavra Malanje no contexto do kimbundu antigo. As primeiras partições do termo mostram o seguinte:

MA-LANJI (as pedras) – MA-TADI (pedras) – DI-LANJI (a pedra) – DI-TADI (pedra) – HA-LANJI (nas pedras)

Nesta estrutura morfológica das palavras, distinguem-se três tipos de prefixos: “Ma-“, “Di-“ e “Ha-“ que são colocados prefixando a raiz “lanji”. O primeiro designa o plural “Ma-lanji = as pedras), o segundo o singular (Di-lanji = a pedra), enquanto o terceiro indica um locativo (Há-lanji = sobre a pedra), mas deve sublinhar-se que este terceiro sentido locativo “Ha” corresponde a um som frequentemente muito difícil de pronunciar pelos europeus, devido à sua entoação que deve provir do fundo da garganta retraindo as cordas vocais para produzir um “a” (Ha) suave que precede a palavra “lanji” que assim significará “sobre a pedra”. A pedra à qual se faz referência aqui não é uma pedra qualquer. Trata-se de pedras utilizadas para bater e moer tubérculos de mandioca secos ou milho para os transformar em farinha.

Muito antes da chegada dos portugueses, o rio Malanje chamava-se Kadianga (Carianga para os portugueses), como no-lo relata o reverendo pastor Santos Kaywala(*).

Quando chegaram, os comerciantes portugueses e os exploradores atravessaram o rio em Kapopa, perto da actual “Padaria PARMA” (Padarias Reunidas de Malanje), onde a travessia se fazia facilmente passando sobre as pedras, pois, nessa época, ainda não havia nenhuma ponte. Uma vez do outro lado do rio, encontraram as mulheres que estavam a esmagar os tubérculos de mandioca sobre as pedras (Ma-lanji) e os portugueses perguntaram-lhes o nome do rio que tinham acabado de atravessar. Dado que elas não compreendiam a língua portuguesa, julgaram que os forasteiros lhes perguntavam o que era aquilo, ao que responderam prontamente: “Ma-lanji Ngana” (São pedras, Senhor), pensando adivinhar pela expressão e pelos gestos que os portugueses se interessavam pela sua tarefa.

(*) Santos Kaywala, reverendo pastor protestante da cidade de Malanje, entrevistado pelo Autor em Março de 1994.

(in “A Cidade de Malanje na História de Angola” de Egídio Sousa Santos, Editorial Nzila – 2005)



2ª versão

A cena passa-se sobre as margens do rio Malanje, ou seja, naquela época, o rio Kadianga (Carianga). Segundo os conhecimentos africanos, quando uma expedição portuguesa, composta por comerciantes e cientistas e dirigida por Rodrigues Graça (1843), chegou às margens daquele rio, terá encontrado mulheres a moer mandioca sobre as grandes pedras que aí estão.

Os portugueses teriam colocado a questão seguinte: “O que é que vocês estão a fazer?”. As mulheres, por seu turno, teriam respondido em kimbundu: “Twamuzuka anji o mikamba yetu um ndandji”, que significa: “Estamos (ainda) a moer mandioca”.

Esses europeus, que admiravam imenso o facto de encontrarem uma multidão de mulheres sentadas sobre aquelas grandes pedras, teriam ainda perguntado: “Então não há homens nesta terra?”. As mulheres teriam respondido novamente em kimbundu: “Mala hanji”, que significa literalmente em português: “Também há homens”.

Para tentarem fixar-se na região, os europeus enviaram emissários ao mwen’exi (soba, guardião, protector) para o prevenir de que eles ocupariam a região pela força no caso de os autóctones resistirem à sua instalação naquele planalto. Então o protector daquela área teria respondido: “Malaji?” (em português: “São malucos?”) e teria continuado a mostrar o seu espanto pronunciando em kimbundu as frases seguintes: “Eze, etu tu mala hanji ué!” que se traduz em português por “Nós também somos homens!” (*). Portanto é a partir dessa conversa com o senhor das terras de Malanje, que resulta a origem desse nome, designando igualmente o rio que aí corre.

(*) Versão comunicada ao Autor em 1995 por Simão Malowa, delegado para a Cultura na província de Malanje.

(in “A Cidade de Malanje na História de Angola” de Egídio Sousa Santos, Editorial Nzila – 2005)



Datas Importantes



1852/53 - Cerca de duzentos anos após a criação do Presídio de Pungo-Andongo ( 1671 ) para responder ao poder do comércio Jaga a partir de Cassanje, numa sanzala, naquilo que hoje é Malanje, o Soba aceitou a presença dos primeiros comerciantes com o estatuto de “moradores”. O reforço da presença portuguesa para este, foi também apoiada pela criação do Presídio de Calandula em 1838 e a deslocação de um destacamento militar para o Lombe em 1843.

1857

SUPLEMENTO AO N.º 597 DO BOLETIM OFICIAL DO GOVERNO GERAL DA PROVINCIA D’ANGOLA

QUINTA FEIRA 12 DE MARÇO DE 1857

GOVERNO GERAL

REPARTIÇÃO CIVIL

PORTARIA N.º 487 - O Governador Geral da Província de Angola em Conselho determina o seguinte:

Sendo repetidas as queixas das pessoas que fazem o commmercio entre Loanda e Cassange, por causa dos roubos que sofrem as caravanas além de Ambaca, no longo espaço que dali há até Cassange, sem autoridades nem força pública:

Sendo certo que o remédio para este mal só pode vir do estabelecimento daquellas autoridades, com a força necessária para manterem a segurança dos caminhos, e proverem ao serviço das caravanas, de modo tal que todas sejam escoltadas na ida e no regresso; resultando daqui também a vantagem de se tornarem regulares as epochas da partida e da chegada das remessas - como o commercio tanto o requer:

Merecendo as transacções com Cassange a maior attenção, pois que ellas absorvem a maior parte da importação, e fornecem quasi toda a exportação, que se fazem no porto de Loanda:

Convindo egualmente que se vão creando novos centros de população, sob as formas civilizadoras, entre as populações indígenas mais afastadas , a fim de promover o seu adiantamento, como no resto do paiz; e devendo resultar de tal creação, sobre o caminho de Ambaca a Cassange, o apoio de que esta ultima localidade muito carece:

Por todos estes motivos, tendo consultado as pessoas directamente interessadas, e ouvido o Conselho de Governo, hei por conveniente determinar o seguinte:

Artigo 1.º É creado um novo Presídio no logar denominado Malange, sobre a estrada de Ambaca a Cassange.

Art.º 2.º A jurisdição deste novo presídio terá por limites: para o lado de Ambaca, o rio Lutete: para o lado do Presídio do Duque de Bragança, os limites actuais da Divisão do Lombe, que fica pertencendo ao novo Presídio: para o lado do Presídio de Pungo-andongo, os limites da Divisão de Malange, que até agora era daquele Presídio: para o lado de Cassange, até Sanza.

Art.º 3º O Presidio de Malange constituirá um Concelho, dependente do Distrito Administrativo, e da circumscripção municipal do Golungo-alto .

Art.º 4º Haverá em Malange uma Companhia de Infantaria de Linha, conforme o plano que vae em seguida a esta Portaria; tendo as suas praças os mesmos vencimentos que tem as das outras Companhias de Linha do interior.

Art.º 5º Servirá de casco para esta Companhia, a Companhia móvel da Divisão do Lombe, que pertencia ao Presídio do Duque de Bragança.

Art.º 6º É especialmente destinada a Companhia de Linha de Malange, para dar escolta às caravanas de commercio entre Ambaca e Cassange, segundo o Regulamento que ao diante vae transcrito .

As Auctoridades e mais pessoas, a quem o conhecimento desta competir , assim o tenham intendido e c umpram.

Palácio do Governo em Loanda, 10 de Março de 1857. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador Geral.

1867/68 - Malanje como sede do Concelho

1895 a 1921 - Foi capital do Distrito Malanje-Lunda

1910 - Chega a linha do Caminho de Ferro de Angola, iniciada em Luanda em 1895

1933 - É concedida a Malanje a categoria de Cidade

Bem diferente é a imagem da Malanje do anos 70, com cerca de trinta mil habitantes. Hoje, diz-se ter entre 200 mil e 300 mil. A título de curiosidade, de Leste a Oeste e de Norte a Sul são respectiva e aproximadamente 8Km e 5Km.

Fonte das imagens: Aida Freudenthal, José Manuel Fernandes e Maria de Lurdes Janeiro, Angola no séc. XIX - Cidades, Território e Arquitectura; João Loureiro, Memórias de Angola
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