PROVÍNCIA DO HUÍGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

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PROVÍNCIA DO HUÍGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Mensagempor em Terça Out 06, 2009 11:54 am


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CAPITAL: UÍGE
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Municípios

Maquela do Zombo, Quimbele, Damba, Bungas,
Santa Cruz, Sanza Pombo, Alto Cauale, Puri, Bungo, Mucaba, Uíge, Negage, Quitexe, Ambuila, Songo, Bembe.

Clima: Tropical de Savana

Superfície: 58 698 Km2

População: 1 908 347 Habitantes

Distâncias em km a partir do Uíge: Luanda 345 - M'Banza Congo 314;

Indicativo telefónico: 033.
Principal produção

Abacateiro, Algodão, Ananás, Batata Doce, Amendoim, Cacau, Café Robusta, Cola, Ervilha, Feijão Cutelinho, Goiabeira, Mamoeiro, Mandioca, Mangueira, Palmeira Dendém, Vielo, Feijão, Milho, e madeiras
Minérios

Cobre, Cobalto, Calcário Dolomite, Enxofre, Talco, e Zinco.
Indústria

Materiais de Construção, Alimentar, Bebidas e Tabaco.

As boas condições naturais e o estabelecimento de populares contribuíram largamente à valorização dos recursos naturais localizados na região para o sustento das comunidades locais e para a sua participação na economia do país. Assim desenvolveram-se na Província os seguintes sectores.

O enquadramento topográfico da província e as suas condições ecológicas caracterizam-na de vocação agrícola, pecuária, silvícola, e piscícola, proporcionando as seguintes actividades principais:

Na agricultura: café, mandioca, batata doce, feijão, ervilha do Congo, banana e palmeira de dendém; na pecuária a criação do gado bovino, caprino e suíno e ainda a produção de aves. A piscicultura nas suas diversas lagoas e, a pesca artesanal ao longo de rios. Na exploração florestal, a produção de madeira é baseada no corte de essências rústicas e na transportação de toros dentro e fora da província para serração.

As actividades produtivas são desenvolvidas principalmente por agentes agrícolas constituídos em 58.741 empresas agrícolas familiares, 8 cooperativas, 92 associações e 722 pequenos agricultores registados no ano 2000 nos Municípios de Uíge e Negage. Foram concedidos no mesmo ano, 3.017.309,6 ha de terras agricultáveis para 446 fazendas.

As características ecológicas e a abundância de água, além de proporcionar condições ideais para a cultura de café, conferem à província por um lado vastas possibilidades de atingir um nível de ampla diversificação agrícola em todo o seu território, desde que haja um apoio substancial.

A pecuária, relativamente ao gado bovino, suíno e caprino é exercida em todo o território, principalmente nos municípios de Negage, Bungo, Alto Cauale, Puri, Kangola, Sanza Pombo, Songo, Damba e Maquela do Zombo. Nos municípios de Uíge e Negage destaca-se a avilcultura. A piscicultura está patente numa área total de 217.400 m2 nos municípios de Uíge e Negage. A pesca artesanal é desenvolvida ao longo do rio Cuango, no município de Quimbele.

A Silvicultura, os recursos rústicas são explorados principalmente nos municípios de Ambuila, Bembe, Songo e Quitexe de forma pouco sistematizada. Não se verifica actuação relativa à manutenção da vegetação.

As potencialidades industriais da província verificam-se não exploradas na sua plenitude. Contou, a mesma, com varias unidades agro-industriais. São registadas presentemente 199 unidades de distintas actividades de pequenas dimensões (Descasque de café, torrefacção de café, serração de madeiras, serralharia, carpintaria, marcenaria, padaria, pastelaria e alfaiaria).

A indústria extractiva limita-se à extracção artesanal de diamantes nos municípios de Sanza Pombo, Quitexe e Buengas.

O comércio é exercido sistematicamente nos municípios de Uige, Negage, Sanza Pombo e, Songo. Conta com 1376 estabelecimentos, sendo 575 lojas dos quais 472 em funcionamento. O comercio rural exercido de forma informal e não controlada completa a actividade comercial.

A rede inclui o comercio grossista (213 agentes), retalhista (872 agentes), prestação de serviços (78 agentes) e cantinas (133 agentes) espalhados nos municípios que compõem a província.
Cultura

Complexo Sócio Cultural Bakongo, são locutores do Kikongo.
Energia e Águas

Pela Província do Uíge passam bastantes rios e a estratégia do passado permite fazer alusão de que possuía 8 pequenas hidroeléctricas com uma potência de 1.223 KVA e 147 centrais com uma produção de 6.181.129 KWH. Até a data a Província é alimentada parcialmente através de 2 (dois) grupos geradores, 1 (um) de 1.225 KW, e de 200 KWH.
Turísmo

O ramo dispõe de: 8 hotéis, 8 pensões, 75 restaurantes, 4 centros recreativos, 5 baites, 23 lanchonetes e, 1 dancing.

As potencialidades turísticas da província do Uíge encerram belezas naturais e inúmeros sítios históricos tais como:

A Flora e Fauna com espécies de animais e plantas raras e típicas - Pedras denominadas agulhas do Zalala - Morros do alto Cauale - Quedas do Massau de Camulungo - Lagoas e Rios em savanas abertas - Verdadeira paisagística Artesanatos em junco, madeira e marfim - Pontes de lianas (cordas) - Mascaras de vários tipos - Instrumentos musicais típicos - Cafezeiros em flores e a Lagoa com o mesmo nome - as ricas Serras e Savanas bem como as ruínas da fortaleza do Bembe - Velhos monumentos da cidade do Uíge e belíssimas Vilas - Pinturas rupestres da Cabala - Complexo piscina da cidade do Uíge - locais históricos de ocupação colonial e, fortins.
Transportes - Correios - Comunicações

A província tem vindo a beneficiar de remessa de veículos visando a corrigir a carência no sector que carece, ainda reabilitações das estradas e pontes.

O transporte aéreo de, e para a província do Uíge conta com 78 pistas espalhadas nos diversos municípios, comunas, aldeias e fazendas, estando em funcionamento as de Uíge, Negage, Maqueia do Zombo e, Sanza Pombo em estado não abonatório a operações de grande porte.

Os serviços dos correios actualmente limitados à cidade do Uíge. As comunicações são asseguradas por telefone com rede Internet (na cidade de Uíge), radio de telecomunicação administrativa (entre todos os municípios), telegrafia possibilitando as ligações interna e externas.
Sistema Financeiro e Bancário

Caracteriza-se o sistema financeiro e bancário na província, o BPC com operações limitadas.

Programada Expansão de raios de acção das instituições financeiras para o desenvolvimento existentes, tais como o FAS (Fundo do Apoio Social) e o FDES (Fundo de Desenvolvimento Económico e Social). Ministério da Agricultura, com o objectivo de enquadrar os agricultores e criadores de animais, as explorações florestais afim de relançar o sector agrário, proporcionando aos agentes económicos locais uma assistência técnica devida. No programa está previsto o reforço institucional através da reabilitação das infra-estruturas rurais de apoio à produção, a mecanização agrícola e a engenharia rural.
Uíge

Outra Província do Norte. o Uíge confina com o Congo Democrático a norte e a leste, a oeste com a Província do Zaire, a sul com o Bengo e o Kwanza Norte e a a sudeste com Malanje.
São 15 os municípios: Zombo. Quimbele. Damba, Mucaba. Macocola, Bembe, Songo, Buengas, Sanza Pombo, Ambuíla, Uíge. Negage, Puri. Alto Cauale e Quitexe. A sua capital, Uíge, está a 345km de Luanda.
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O clima é tropical húmido com médias entre 20°C e os 22°C. época das chuvas entre Setembro e Maio (maior precipitação em Novembro e Abril); e época seca de Julho a princípios de Setembro, sem chuva. porém com altos índices de humidade. A vegetação apresenta formações de florestas densas e húmidas e mosaico de balcedo-savana na região mais a oeste:O solo é do tipo ferralítico e paraferralítico. É uma região extremamente favorável à actividade agrícola.

Grande produtora de café (principal actividade no tempo colonial) produz também mandioca. arroz, feijão. Paimeira de dendém, ananás, batata doce, cacau, ervilha, mamoeiro, goiabeira, abacateiro e mangueira. Criações de gado caprino e suíno, essencialmente.

O sector industrial é marcado pela existência de pequenas indústrias que complementam a actividade de produção de café e 61 e o de palma. Existem várias indústrias de bebidas, alimentares, materiais de construção e tabaco.

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Re: PROVÍNCIA DO HUÍGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Mensagempor em Domingo Jul 04, 2010 7:35 pm

Uíge: um novo tempo aos 93 anos
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Parece sempre um lugar-comum a celebração dos dias de anos de uma municipalidade, uma urbe, uma vila, de tanto se repetirem no tempo e os programas, amiúde, se igualarem ao dejá-vu que retira expectativa aos acontecimentos.

Parece que se vai ter de dizer, no papel muitas vezes difícil do jornalista, mais do mesmo cada vez que o tema nos cai sobre a mesa e se torna imprescindível dar-lhe conteúdo.

Parece que, aos próprios gestores das políticas públicas, os administradores, os governadores e, num futuro que oxalá seja breve, os autarcas, também afecta por igual essa recorrente falta de ideias novas, abordagens frescas, de tão pachorrenta ser, às vezes, a marcha da recuperação, do progresso, da mudança.

Parece, enfim, que as festas das cidades, os tais marcos comemorativos da fundação dos lugares ou da sua elevação formal ao estatuto que hoje ostentam, são momentos de notória seca administrativa, a cuprir porque o hábito manda que se faça.

Dir-se-á, nos casos em que a governação se confunde com um frete despido da útil paixão pelo serviço público ou em que a ligação dos munícipes aos lugares não tem carga emocional a conferir-lhe densidade, que todos aqueles “pareces” têm objectivamente razão e consistência.

Lavrar em erro será com certeza inevitável se a cidade de que se fala é a velha Carmona, fundada nos finais da década segunda do séclo XX, no exacto ano de 1917, pois esta foi capaz de criar com os seus habitantes uma relação de proximidade e empatia que a manterá sempre a salvo de desamores. Dito de modo mais curto: a hoje cidade do Uíge, Carmona até à data da Independência pátria, cultivou ao longo do tempo com os seus munícipes um romance perfeito, que faz com que filhos na diáspora sintam eternamente orgulho do seu velho berço e a ele queiram retornar vezes sem conta, nem que seja apenas no abstracto plano do pensamento e da nostalgia.
A “invasão” dos turistas

Todas as vezes, no frio de Julho, logo no começo do mês, a cidade capital da província do Uíge sofre a previsível invasão de milhares de turistas, que se mobilizam para a comemoração de mais um aniversário da urbe, dia 1. O programa festivo estende-se sempre até ao dia 7, transformando o período curto de uma semana num dos momentos mais coloridos e fervorosos de todo o percurso anual, só comparável, na verdade, à euforia da quadra natalícia, que também faz deslocar à terra natal muitos daqueles que um dia abalaram em busca de mais mundo para as suas vidas.

Este ano os que fizeram o caminho de volta encontraram uma cidade absolutamente distinta. Grata surpresa, de facto, com as ruas recuperadas na sua bela imagem que os quarentões e todos os que lhes estão acima na conta do tempo se recordam com toda a certeza.

Ao contrário das poeirentas e deconfortáveis estradas citadinas, que ainda há um ano lembravam a todos o rigor e o mau gosto da acidentada paisagem lunar, agora o Uíge tem uma estampa luminosa a mostrar a quem a visita: cheira a asfalto novo, lancis cuidados, esgotos reabilitados. Está, na verdade, uma cidade para exibir com orgulho aos turistas, replicando a mesma alegria que se experimenta quando se percorre, por exemplo, o Huambo, as suas ruas, a sua fabulosa Granja Pôr-do-Sol.
Para lá da nova cara

É líquido que reconforta sempre encontrar uma cidade com novo alinhamento, as ruas menos maltratantes, os passeios mais transitáveis para os peões e, sobretudo, o ambiente menos agressivo para a saúde pública.

Há um pacote imenso de ganhos com o novo tempo. Para já, baixou a níveis comportáveis o pico das doenças respiratórias, uma consequência directa do pó que, em quantidades excessivas, se levantava das vias de asfalto carcomido ou simplesmente revestidas de barro vermelho.

A própria vida fora de casa, as andanças ditadas pela procura do pão ou do saber para milhares de trabalhadores e estudantes, torna-se bem menos sofrida. Caminhar é, agora, uma boa fonte de prazer para os habitantes do Uíge, salvo nas situações em que os muitos quilómetros se transformem em factor de desgaste e incómodo.

Porém, percebe-se que não é necessariamente o bom estado das ruas que faz a felicidade de uma cidade inteira. Contribui para tal estado mas não o esgota nas suas multiplicidades de escolhas. Até porque a dimensão da felicidade para o ser humano passa muito pela capacidade de solução dos problemas existenciais ligados à sobrevivência, como a alimentação, o vestuário, a saúde. E o Uíge, admitase, apresenta gravíssimos problemas de oferta de emprego, pelo que o dinheiro e as chances de crescimento e realização pessoal andam severamente à míngua na região, o que é um verdadeiro tormento para a juventude.

Encontrar uma legião de rapazes e raparigas com idades entre os 20 e os 40 anos sem absolutamente nada para fazer, porque faltam as indústrias, as empreitadas da construção civil, as explorações agrícolas em acção, tornou-se numa das imagens de marca do Uíge, quer se fale da sua geografia enquanto província, quer se fale do espaço definido da sua cidade capital.
O tónico das festas

Em dias de folia como os que movimentam os uigenses nesta celebração dos 93 anos da fundação da urbe pelo capitão português Tomás Berberan, um manto de abstracção parece abafar por tempo delimitado os sérios e profundos problemas ligados ao progresso das pessoas.

As festas, como se sabe, têm sempre esse condão, ainda quando a sua promoção não tenha esse alcance como meta deliberada. Na verdade, as mágoas, as angústias e as frustrações de quem sonha com um emprego encontram como que um hiato de falsa serenidade enquanto as doses generosas de cerveja, de maruvu, vinho ou outros animadores do espírito vão goela abaixo, mas mal acaba essa euforia sazonal, ressurge o cair na real que mostra o mundo à volta com as suas cores opacas, entre elas o cinza da miséria.
O futuro que se quer

É por certo o reconhecimento de todo este quadro de macro-deficiências e grandes vazios que faz da governação do Uíge uma missão desafiadora. Sabe-o o governador da província, Paulo Pombolo, que não caiu na tentação de organizar uma celebração apenas inundada de fogos de artifícios, shows de música ou cerveja a rodos.

Muito pelo contrário, suplantou-se na sua visão da terra que gere e fez do marco comemorativo da principal cidade da província – a outra chama-se Negage, que teve dias atrás, também, a sua festa – um pretexto para pensar o futuro.

Assim, logo no segundo dia do calendário de eventos (hoje, sexta-feira 2 de Julho), acontece um debate de forte tendência inclusiva, sobre as perspectivas de desenvolvimento do Uíge. A ideia é sentar à volta de uma mesma mesa todos os que se sintam em condições de reflectir em torno da situação actual do Uíge, marcada por uma gritante necessidade de progresso e desenvolvimento.

O acto, que gera expectativas óbvias, vai realizar-se no mais importante anfiteatro da cidade, o Cine Ginásio, com a participação de todos os que se achem detentores de ideias válidas para alavancar o progresso da região: membros do Governo, académicos, estudantes universitários, autoridades tradicionais, entidades eclesiásticas, empreendedores, etc.


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Re: PROVÍNCIA DO HUÍGE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA

Mensagempor em Domingo Jul 04, 2010 7:37 pm

Tomessa na rota

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O desenvolvimento do Uíge, nos seus mais diversos domínios, é a grande preocupação das autoridades locais e sua população. Assim, as ideias passam pelos mais distintos fóruns e caminhos, sendo certo que o potencial agrícola de uma terra abençoada pelos poderes da Natureza (solo hiper fértil, chuvas abundantes e clima ideal para a maioria das culturas) acaba sempre por assumir a linha da frente.

Desta vez, está pensada a abertura de um Centro de Empreendedorismo Rural, para formar homens do campo com sonhos de enriquecer com o trabalho da terra. O ponto escolhido é a aldeia de Tomessa, habitada por pouco mais de 3 mil habitantes e que dista 2 km da cidade do Uíge.

Como a maioria das comunidades rurais da região, o Tomessa dispõe de uma população que tem o seu quotidiano preso à agricultura de subsistência, trabalhando as famílias as pequenas lavras que produzem o feijão, a mandioca, o milho, a ginguba, a batata e outros tubérculos e legumes que compõem o essencial da sua cultura alimentícia.

A abertura do Centro de Empreendedorismo Rural tenta incutir nos aldeões conceitos que deixem para lá a visão redutora de trabalhar a terra apenas para garantir a sobrevivência, e passem a um uso mais intensivo e ambicioso do potencial que os rodeia, para que as famílias se enriqueçam e saiam do ciclo vicioso da pobreza secular.

 
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