WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

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WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor Tundavala em Segunda Nov 02, 2009 8:47 pm

WM_1.JPG


Por se tratar de espécie única no mundo, esta planta merece, na minha opinião, ter o seu nome registado num tópico próprio.

Frederic Welwisch.jpg


A 3 de Setembro comemora-se o dia da "welwitschia mirabilis", planta desértica, descoberta naquela data, no ano de 1859, pelo botânico explorador austríaco Frederich A. Welwitsch (1809-1878) que foi para Lisboa em 1839.
Obteve autorização para se deslocar a Angola, para onde embarcou a 8 de Agosto de 1853.
Fez demoradas explorações botânicas e descobriu a Welwitschia Mirabilis no deserto actualmente com o nome de Namibe.

wm_3 .jpg


WM_2.jpg


Quando se tornou uma "celebridade" nos meios botânicos, mereceu os mais variados comentários, alguns até cheios de romantismos nada científicos... Deliciemo-nos com alguns:

«A "welwitschia mirabilis", descoberta nas vizinhanças do Cabo Negro, da costa odicental africana, é a mais curiosa das gnetaceas e talvez que de todas as dicotiledoneas. Este bizarro vegetal é conhecido entre os indígenas pelo nome de TUMBO.»
(Dr. José Dalton Hoecker, Presidente da Socidade Real de Londres e sócio da Academia das Ciências de Paris)

«Uma das curiosidades do deserto de Moçâmedes é a célebre "welwitschia mirabilis", planta estranha, verdadeiro aborto do reino vegetal. O caracteres aberrantes do seu aparelho vegetativo, conferem-lhe um lugar de destaque no conjunto das formas vegetais.»
(Dr. Luís Wittnich Carrisso, Professor de Botânica da Universidade de Coimbra.)

«A "welwitschia mirabilis" é uma das maiores maravilhas que tem produzido a natureza.»
(Dr. Augusto Henriques Rodolfo Griesbach, Professor de Botânica da Universidade de Göttingen)

«É sem sombra de dúvida a planta mais maravilhosa e também a mais feia que jamais trouxeram a este país.»
(Regius Keeper, do Royal Botanic Gardens, Kew - 1863)

«Foi nos anos de 1858/59 que o botânico austríaco Dr. Welwitsch, contratado pelo governo português, descobriu e classificou a "welwitschia mirabilis". Os caracteres desta notável planta são de tal modo desconcertantes que, vindo a ser estudada há perto de 80 anos pelos mais eminentes botânicos, ainda hoje se discute qual o lugar que lhe compete na escala botânica, como se pode ler nos trabalhos de Baines, Anferson, Júlio Henriques, Hallier, Chodal, etc..
A "welwitschia mirabilis" por consenso geral é tida como a maior descoberta botânica do século XIX e, em todo o globo, é o distrito de Moçâmedes o único lugar em que ela vegeta, havendo centenas de milhares na parte desértica, desde os minúsculos exemplares, até aquelas que, pelo seu porte, demonstram uma existência multissecular.»
(M. A. de Pimentel Teixeira)
Wm_4.jpg

Fonte: "PrincesadoNamibe" em:

... (cont)
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBO

Mensagempor anabela em Segunda Nov 02, 2009 9:09 pm

Olá Tundavala. Parabéns pela abertura deste tópico. Aprendi mais qualquer coisa hoje. Obrigado
anabela
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WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBO

Mensagempor Tundavala em Segunda Nov 02, 2009 10:37 pm

Vejamos mais um pouco, agora o singular aparelho reprodutor desta raridade:

wm_5.jpg

wm_6.jpg

wm_7.jpg

wm_8.jpg

wm_9.jpg


As suas flores são unisexuadas.

Os estames masculinos atingem aproximadamente 6 cm (antenas com 3 divisões) localizam o óvulo estéril envolto pelo periano.

Fonte (e merecidos agradecimentos) a:
"PrincesadoNamibe" em:
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBO

Mensagempor Tundavala em Terça Nov 03, 2009 9:32 am

Frederic Welwisch2.jpg

"A uns oito quilómetros de Moçâmedes, e numa extensão considerável, encontramos muitos exemplares duma planta disforme, com duas folhas de aspecto fibroso, longas, rijas e achatadas, de cor verde-escura, atingindo alguns metros de comprimento, quando adultas.

É uma planta rara.

O tronco de onde saem as folhas é uma espécie de receptáculo, bastante duro, com formas variadas, mas normalmente desenhado em duas metades que se afastam para os lados, a partir do centro, deixando uma concavidade mais ou menos profunda, no sentido do comprimento. É muito rugoso e como que mirrado pela sede.

Daquele receptáculo nascem umas flores unissexuadas, em plantas femininas e masculinas, de cor grená-velho, apresentando-se algumas agrupadas em cachos e outras em forma de curiosas pinhas, da mesma cor.

Esta planta é a "welwitschia mirabilis" , descoberta pelo naturalista austríaco, dr. Frederico Welwitsch que, ao serviço de Portugal, fez explorações botânicas na Província de Angola.

O dr. Welsitsch foi encontrar, no Deserto de Moçâmedes aquela raridade botânica, que havia de imortalizar o seu nome.

No cemitério de Kensul-Green, em Inglaterra, na placa que cobre o seu mausoléu, está desenhada aquela estranha planta que, em certo dia de 1858, portanto há um século, o eminente botânico encontrou, quando seguia a caminho do Cabo Negro.

wm19.jpg


A dado momento, "na terra árida, apenas cruzada pelas zebras e pelas cabras de leque, deteve-se extasiado ante um ser vegetal, que era a materialização da própria sede; uma planta maravilhosa, nascida na areia escaldante do deserto e abrindo, como súplica dolorosa, as longas folhas metálicas para a luz. Ajoelha junto dela para a observar, apalpa-a jubilosamente".
(Prof. Cecílio Moreira)

Terá sido assim que o dr. Frederico Welwitsch contemplou o primeiro exemplar deste vegetal, que em todo o mundo somente existe no Deserto de Moçâmedes, em grande quantidade. Há notícias de apenas alguns exemplares no interior de Walvis Bay, para o Sul da Baía dos Tigres.

Adaptado de:

wm20.jpg

wm21.jpg

Fonte: Universidade de Coimbra (HENRIQUES, Julio Augusto 1838-1928 - Tumboa Bainesei Hook [18--].)

Outros sites com interesse:
1. B & T World Seeds
2. Enciclopédia Britânica
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBO

Mensagempor aferreira em Terça Nov 03, 2009 9:43 am

Belo tema amigo Tundavala. Parabéns
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RE: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII

Mensagempor Tundavala em Terça Nov 03, 2009 8:16 pm

Imaginem!

Fui encontrar esta foto na sala do Kunene... e como é a mais empolgante de todas as (muitas) que já vi, achei que merecia estar também aqui...

Com agradecimentos à LILI
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBO

Mensagempor anabela em Terça Nov 03, 2009 9:09 pm

Olá tundavala. bom tópico, bem documentado. parabéns
anabela
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBO

Mensagempor Tundavala em Terça Nov 03, 2009 11:24 pm

Obrigado Anabela e Aferreira!

Ainda há mais matéria... Quanto mais investigo, mais encontro. E nem fazia ideia da "guerra" que esta "plantinha" gerou desde a sua "descoberta". Ponho descoberta entre aspas porque os Bosquimanes é que a descobriram e até deram nome... Mas, quanto a isso, pouco há a fazer.

Agora a minha pesquisa está dirigida a tentar perceber porque é que os nomes "TUMBO" (autóctene) e "TUMBOA BAINESII" dado inicialmente - e muito bem - foram votados ao esquecimento...

Ou seja, bem à minha moda, ainda a procissão vai no adro...

E fico contentíssimo pelo interesse manisfestado por este assunto!
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WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor Tundavala em Quarta Nov 04, 2009 11:26 pm

Como já disse anteriormente, achando estranho que a planta tivesse dois nomes, resolvi proceder a alguma investigação.

Ela levou-me até ao Professor Júlio A Henriques. Recomendo vivamente a leitura de uma sua nota biográfica que encontrei e cujo link incluo mais abaixo. Não transcrevo aqui a nota biográfica por ser muito extensa. Vou transcrever apenas os parágrafos que permitam ter ideia de quem estamos a falar.

"Júlio Augusto Henriques, nasceu em Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto), no distrito de Braga (Portugal), no dia 15 de Janeiro de 1838.
...
Em 1854, foi para Coimbra, fazer os preparatórios para Direito. Entra como aluno interno no colégio de São Bento (edifício onde se encontra o Departamento de Botânica da FCTUC), onde lhe é destinado um quarto, que veio a conservar como morada até ao dia da sua morte. Matricula-se *****rso de Direito em 10 de Setembro de 1855, que conclui em 22 de Junho de 1859, tornando-se Bacharel em Direito. Complementa a sua formação com um curso de Direito Administrativo, que lhe vem a ser muito útil na execução de tarefas de gestão inerentes os vários cargos executivos de que se ocupou ao longo da vida. Nesta época, o curso de Direito incluía as cadeiras de Química, Física, Mineralogia, Zoologia, Botânica e Agricultura, da Faculdade de Filosofia, que, por certo, alimentaram o interesse que já detinha pelos estudos científicos.
...
Entre 1866 e 1873, Júlio Henriques exerce o cargo de Secretário da Faculdade de Filosofia. Em 17 de Janeiro de 1873 é nomeado lente catedrático e o Conselho da Faculdade de Filosofia entrega-lhe a regência da cadeira de Botânica e Agricultura e, posteriormente, a direcção do Jardim Botânico.
...
Identificou e classificou e descreveu muitas dos exemplares botânicos que foram colectadas por si e por toda a comunidade botânica que disseminou pelo mundo – chegou a comunicar ao mais alto nível, com ministros, para libertar ou deslocalizar funcionários para as colectas no ultramar. Distribuiu e deu a classificar muitos exemplares a grandes especialistas botânicos, seus contemporâneos, que lhe dedicaram muitas espécies.
...
Durante 40 anos foi o 14º director Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, tendo-se jubilado em 16 de Março de 1918. Aposentou-se como professor e director do Jardim em 1918, já com 80 anos, mas continuou a trabalhar como Naturalista e Director do Herbário, praticamente até à sua morte, em 15 de Janeiro de 1928, com 90 anos, em Coimbra."

Autor: Jorge Guimarães
Fonte:

Continua
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor Tundavala em Quarta Nov 04, 2009 11:52 pm

Continuação

No link ... Items.html já anteriomente citado e do qual me limitei a retirar as descrições explicativas da planta, fui agora analizar o processo de classificação, aquele que não compreendia...

Ficha bibliográfica:
HENRIQUES, Julio Augusto 1838-1928.
Tumboa Bainesei Hook : (Welwitschia mirabilis Hook, F.) / por Julio A. Henriques. - [S.l. : s.n., 18--]. - pp. 91-95 : il.; 23 cm.
Trabalhos da Academia de Ciências de Portugal.

Portanto, como se vê, este tema é abordado nas páginas 91 a 95 de uma obra apenas identificada por “Trabalhos da Academia de Ciências de Portugal”.

Assim o primeiro elemento que me chamou à atenção é o facto deste extracto de uma obra académica não ter data. Sabe-se que é anterior a 1900 e nada mais. Um trabalho da Academia de Ciências de Portugal, sem data? Não é normal nem plausível...

Pg91.JPG


Veja-se na reprodução acima como os passos do Dr. Welwitsch estão datados:

“De tão notável descoberta deu notícia o Dr. Welwitsch ao sábio botânico inglês Sir William Hooker, em carta “escrypta em Loanda a 16 d’Agosto de 1860.”

“N’uma notícia publicada pelo distincto explorador, no Gardener’s Chronicle, em 1861, denominou a nova planta – Tumboa – derivando este nome de Tumbo, designação porque é conhecida na região.”

É de reter que ficamos sem saber muito bem qual a pessoa que se identifica por “distincto explorardor”

Logo em seguida diz-se que:

“Quasi pelo mesmo tempo, Sir W. Hooker recebeu desenhos representando uma planta encontrada por um outro viajante, Th. Baines, não longe da região na qual o Dr. Welwitsch tinha descoberto a singular planta, de que déra notícia. Sir W. Hooker considerando-a espécie distincta da primeira, denominou-a – Tumboa Bainesii (1)”

Repare-se que neste último parágrafo não há nenhuma data e que, ao nomear Th. Baines sem mais detalhes de identificação, excepto como “um outro viajante”, donde se infere o claro objectivo de desvalorização deste personagem neste processo. Não esquecer que aqui se afirma ainda que esta é “espécie distincta da primeira”, quando, como veremos já a seguir, é exactamente ao contrário.

A nota (1) em rodapé é por demais evidente… Não se trata da data da classificação da planta, mas da “publicação” dessa classificação numa crónica da especialidade, as quais, como é sabido, são elaboradas e publicadas muito mais tarde. No caso, em 16 de Novembro de 1861.


Continua
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor Tundavala em Quinta Nov 05, 2009 12:01 am

(Continuação)

Como se pode confirmar pela imagem abaixo, na página 92 volta a aparecer o nome de Baines nesta composição exemplar: “Este sábio botânico (Hooker), sabendo por informação de Baines que o termo – Tumbo – não era aplicado unicamente à planta encontrada por Welwitsch e por elle, mas sim ainda a outras e que esta tinha nomes differentes em diversas localidades, de acordo com o Dr. Welwitsch substituiu – Tumbo – por Welwitschia – e designou a nova espécie – Welwitschia mirabilis.”

Quanta hipocrisia! De acordo com o Dr. Welwitsch? Ou com a conivência de?

Será de acreditar ter sido o próprio Baines a dar semelhante “tiro no pé”, desvalorizando assim, totalmente, a sua descoberta já registada e publicada?

Pg92.JPG


Não vale a pena preocuparmo-nos com cogitações… É o próprio autor que tudo esclarece, quase diríamos que desmente tudo quanto tentou esconder e deturpar. Vejamos:

“Como porém a designação específica – Tumboa Bainesii é mais antiga, é esta adoptada segundo o principio ou lei da prioridade, embora haja n’isso certo grao de injustiça.”

Ou seja, assume-se que a descoberta de Baines é anterior, mas “acha-se” injusto que seja o nome de Baines que fique associado à planta e à descoberta.

De Baines nada sabemos: nacionalidade, grau académico, data da descoberta... ou da sua comunicação!

Depois de estudar atentamente a nota biográfica de Júlio A. Henriques, a única explicação que encontro para tal conduta é a “patriótica”. Com efeito, o Dr. Welwitsch é “um homem da casa”. Já havia feito trabalhos nas Ilhas dos Açores e em Cabo Verde e foi convidado a deslocar-se a Angola, para onde foi em 1853. Nada espantaria que fosse exactamente para trazer para Portugal os louros da descoberta já anunciada… Os meios científicos estão cheios de casos deste tipo...

Resumindo e para concluir:

Para a história e para as academias ficou o nome do Dr. Frederic Welwitsch e a sua “descoberta” da “WELWITSCHIA MIRABILIS”.

Em termos de precedência da descoberta e, para mais, pelo respeito demonstrado pela denominação local, fica clara a legitimidade de Th. Baines e da denominação “TUMBOA BAINESII”

Parece que esta história em vez de “mirabilis” é mais um enredo “mirabolante”…

Já que as autoridades de Angola tiveram o cuidado de mudar o nome a muita coisa – em alguns casos muito bem – ficamos com a ideia de que esta deveria ser mais uma…
Mais vale tarde que nunca!
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor Vitor Oliveira em Quinta Nov 05, 2009 8:00 am

Belo tópico Tundavala. É realmente interessante e valoriza o forum.
Continua. Eu sou um dos seguidores deste tema. Um abraço Kamussel
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor Tundavala em Quinta Nov 05, 2009 8:54 am

Continuando as minhas "explorações" à volta desta polémica fui encontrar:

1.
Science or Sentiment: The Welwitschia Problem

R. A. Dyer and I. C. Verdoorn
Taxon, Vol. 21, No. 4 (Aug., 1972), pp. 485-489
(article consists of 5 pages)
Published by: International Association for Plant Taxonomy (IAPT)
Stable URL:

Como se vê, a própria comunidade científica não se entende...
e este texto dá conta do problema gerado pela mistura entre ciência e sentimentalismos

2. Gralhas, quem as não tem...
Por outro lado, um novo detalhe veio chamar-me à atenção:
Se digitarmos "BAINESII" para pesquisa no Google, aparece um infindável número de items.
Se digitarmos "BAINESEI" consta apenas uma entrada, a da já citada obra de Júlio A. Henriques!
Porque terá o respeitável Professor utilizado uma designação exclusiva? Estranho, no mínimo...

3. Thomas Baines

Quanto ao tal "outro viajante", no dizer do Professor, também vale a pena fazer uma pesquisa no Google, para ficarem perdidos no meio de uma enormidade de temas que comprovam o reconhcimento artístico e científico de Thomas Baines...

Portanto, vamos aqui "dar vida" ao ilustre desconhecido:
Thomas_Baines.jpg

Síntese biográfica
Thomas Baines nasceu em 27 de novembro de 1820 no King's Lynn, Norfolk.
Estudou na Horatio Nelson’s Classical and Commercial Academy.
Em 1845 estava na África do Sul onde se dedicava a pintar paisagens e motivos locais que foram publicados em 1852 sob o título "Scenery and Events in South Africa"
Em 1855 vai para a Austrália como Artista Oficial da "A. C. Gregory’s North Australian expedition".
A sua produção de esboços e aguarelas da paisagem do norte da Austrália estão agora arquivados na Royal Geographical Society, em Londres.
Descobre uma nova espécie de besouro que recebe o nome de Bolbotritus bainesii.
No norte da Austrália foi dado o seu nome a um rio e uma montanha (Baines River e Mount Baines).
Em 1857 Baines volta para a Inglaterra, para regressar pouco depois à África do Sul, onde permanece até à sua morte em 8 de Maio de 1875.

Será curioso referir que, nas várias biografias que consultei, não haja uma única referência à
TUMBOA BAINESII...
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor anabela em Domingo Nov 08, 2009 5:25 pm

Olá Tundavala
Nem sei onde tem descoberto tanto sobre a WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK
Gostei. Parabéns
Anabela
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Re: WELWITSCHIA MIRABILIS - TUMBOA BAINESII HOOK

Mensagempor Tundavala em Domingo Nov 08, 2009 6:47 pm

Obrigado Anabela!

Mas repare que tenho indicado os "links" em tudo... e ainda não acabei.

Tenho um texto que achei interessante mas que está em inglês e já pedi à Manuela Ribeiro se o traduz ou se arranja quem traduza.

Por outro lado contactei uma catedrática de Coimbra a pedir mais informações. Estou a aguardar que me responda...

Do último texto que inseri poderá deduzir-se que Thomas Baines, perante tanta confusão, se tenha desligado da questão e, como morreu pouco depois, terá deixado o campo livre...

Há um outro detalhe curioso que ainda estou a tentar obter documentação fundamentada:
Ao que parece, a planta (já nem ponho o nome, para evitar polémicas) na zona angolana do deserto do Namibe tem 2 ou 3 folhas, ao passo que as da Namibia são de 5 folhas. E isto vem ao encontro da opinião dos especialistas, principalmente Sir Hooker pai e seu filho, que achavam estar perante duas variantes da mesma espécie.

Portanto, ainda tenho muito que investigar... Mas não estou a queixar-me, pelo contrário, adoro este tipo de coisas e adoro mais ainda quando vejo que há mais quem se interesse!

Abraços
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