ZÉ-POVINHO

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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 10:48 pm

UM POVO RICO QUE VIVE NA MISÉRIA E O SEU PAPEL NA DEMOCRACIA

Imagem Zé Povinho é uma personagem de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro e adoptada como personificação nacional portuguesa. É também conhecido como João Bítor, grande amante de binho e xixas.

Apareceu pela primeira vez no 5º exemplar de A Lanterna Mágica a 12 de Junho de 1875, num desenho alusivo aos impostos, onde se representava Fontes Pereira de Melo vestido de Stº António com o "menino" D. Luís I ao colo, enquanto Serpa Pimentel (Ministro da Fazenda) sacava o dinheiro do Zé, que permanecia boquiaberto a coçar a cabeça vestido com um fato rural gasto e roto. Ao lado, o comandante da Guarda Municipal, observa de chicote na mão, para prevenir uma eventual resistência.

Nos números seguintes, o Zé Povinho continuou a surgir de boca aberta e a não intervir, resignado perante a corrupção e a injustiça, ajoelhado pela carga dos impostos e ignorante das grandes questões. O próprio Raphael Bordallo-Pinheiro diz: "O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e... fica como sempre... na mesma".

Apesar de simples, o Zé Povinho é uma figura cheia de contradições, tal como foi referido por João Medina em "O Zé Povinho, caricatura do «Homo Lusitanus»": "Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente..."[1].

Tem como característica principal o gesto do manguito (como se pode ver na figura ao lado), representando a sua faceta de revolta e insolência. Tornou-se uma figura identificativa do povo português, criticando de uma forma humorística muitos dos problemas sociais e políticos da sociedade portuguesa, e caricaturando o povo português na sua característica de eterna revolta perante o abandono e esquecimento da classe política, embora pouco ou nada fazendo para alterar a situação.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 10:57 pm

Querem acabar com o “Zé Povinho”!
Imagem A Indústria Cerâmica das Caldas da Rainha atravessa um período de dificuldades económicas e poderá ser encerrada. Rafael Bordallo Pinheiro, extraordinário ilustrador e soberbo ceramista foi o seu mentor e estratega, sendo dele os desenhos da produção que ainda hoje se realiza na empresa, juntando as artes decorativas à ironia, são do que melhor se encontra no Mundo pela beleza cromática e pela cuidada modelação hiper-realista.

Para encontrar ajuda neste tempo difícil foi criado no “Facebook” um grupo de amigos para a causa da salvação da Empresa do “Zé Povinho”, pois parece que “Vista Alegre” e “Visabeira” já não serão bastantes para a manter.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 10:58 pm

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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 10:59 pm

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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 11:00 pm

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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 11:01 pm

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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 11:04 pm

BONS-DIAS MEUS SENHORES...
Imagem Ainda não se deram bem conta da minha existência. E sou personagem importante, o meu nome é Zé Povinho. Lá mais para o fim do século hei-de ser bem representado mas quem me vai dar vida ainda não nasceu.

O país anda às voltas. Parece que não se entendem. Isto do Rei ter fugido para o Brasil veio trazer grandes complicações. Ora uns, ora outros, todos querem o poder.

Como se não bastasse a política, juntou-se-lhe uma guerra de irmãos - D. Pedro (o Liberal) , D. Miguel (o Absolutista). E o poder vai saltando de mãos durante algum tempo até que as coisas se estabilizem.

No meio cá ando eu. Lá vou observando o que se passa. Não sou político, mas vou tirando as minhas conclusões. Não é que elas valham muito agora, mas há-de chegar um dia que todos encherão a boca com o meu nome. Aguento como posso, e quando as coisas me irritam, encho-me de força. Arreda que vai tudo em frente. Não acreditam? Pois bem, eu vos conto.

Lá por volta de 1842, estava tudo mais sereno quando um camponês, vindo da Beira, faz um golpe de direita que o leva ao poder. Não, não é o tal, este chama-se Costa Cabral e é formado em Direito e o outro será em Finanças. Só que às vezes, com homens da mesma laia, a história repete-se...

A ditadura não é do meu agrado. Em 1846 vem a proibição de enterrar os mortos nas igrejas. Mais me faz desconfiar a história dos registos de propriedades. Só me faltava agora virem mandar nas nossas terras, e ao que consta querem vendê-las aos estrangeiros. Eu rebento. Pego nas forquilhas, nas enxadas, e vou em frente. Não é o governo que se vem meter agora nos meus assuntos. A revolta é geral. Depressa se espalha pelo país. Começo lá no Norte e vou descendo por aí abaixo. Chamam-lhe Maria da Fonte. Mas eu acho que sou apenas eu - o povo. Repito: o meu nome é Zé Povinho, pois então!
Tudo se complica, depressa a revolta se transforma em guerra civil - é a Patuleia.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 11:06 pm

Imagem

QU'INDA AGORA AQUI CHEGUEI...
Ali para os lados de Alcolena, na casa de Manuel Bordalo Pinheiro a vida vai rolando. Sempre foi uma família que teve o seu canto próprio. Têm gosto pelas artes. Não é que não se preocupem com o reboliço a que assistem. Mas há também outras preocupações. Isto de não se ter mordomias sei eu bem o que é. Ainda para mais quando há bocas a sustentar, não se pode esquecer o trabalho. A filha Maria Augusta é ainda pequena e em Março chega mais um rebento. Rafael, de sua graça.

Que tem a criança a ver comigo? Tende calma que lá iremos, pois então!

Rafael vai sendo criado junto do pai. Já assim houvera sido com a irmã, que cedo ganhou o gosto pelas artes. Do trabalho que se lá faz, Rafael vai conhecendo os segredos. Desenha, brincando. Não é que o rapaz tem piada... Bem humorado e sempre pronto a dizer graças. Destes é que gosto - espertalhão como eu.

Quando chega à idade arranjam-lhe trabalho como amanuense na Câmara dos Pares. Não é coisa que vá durar muito tempo. O rapaz gosta do teatro. Em 1860 inscreve-se no Conservatório. Ao pai não lhe agrada a ideia. Isso é lá futuro para alguém... Mas o rapaz é persistente e faz estreia no Teatro Garrett. Não fará carreira, mas a paixão será para sempre.

No ano seguinte será a Academia de Belas Artes. Os desenhos lá vão surgindo, mas nem sempre nos sítios mais próprios.

Não querem vocês saber que nas paredes dos claustros do edifício onde dá aulas o Professor Jaime Moniz apareceram agora, desenhados a ponta de charuto, as caricaturas dos mestres. E bem feitas que elas estão. Já lhe conhecem o jeito, e ali no Martinho da Arcada já se trocam os desenhos.

Vejam lá bem que neste mesmo ano vai o Rafael casar. Elvira Ferreira de Almeida é o nome de sua mulher. Não é o casamento que o acalma. Afinal aos vinte anos, a paródia não é coisa que se largue assim...

Durante a lua de mel aproveita para fazer as caricaturas de diversas figuras. Guarda-as, pois alguns podem não gostar. Parece bruxo o moço. Não é que o Castilho, quando sabe da sua intenção de as publicar, faz valer os seus direitos da amizade com pai... É das poucas cedências que faz na vida. Mas Castilho acaba por mudar de opinião. Se bem que não ache que seja arte aquilo que Rafael faz, acaba por lhe dar autorização para publicar a caricatura. Isto de amizades verdadeiras é bem bonito de se ver. Não é como o resto. Passo a explicar.
Em 1868, Rafael tenta obter uma bolsa de estudo que lhe permitisse ir a Roma. Pois não lha dão. Justificações também não. Entretanto vai publicando as caricatura de alguns políticos . Alguém mais atento decide então lembrar-se de lhe oferecer a tal bolsa. Sempre o calava por uns tempos. Ai valha-me Deus que não sabem com quem lidam! Como se agora a fosse aceitar. Decide partir. Não para Roma, mas para o Brasil.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 11:07 pm

D'ABALADA P'RÓ BRASIL
Imagem Ai senhores que grande ano este... Que gosto me deu o rapaz... Eu cá sabia que nos havíamos de encontrar. Não é que o malandro me fez o retrato? Não acreditam? Pois vejam A Lanterna Mágica. Lá estou eu. E que bem que me apanhou. Baixo, um pouco forte, bigode, chapéu. Bonacheirão, sem deixar de fazer críticas. Mas que ternura meus senhores, não é que me chama Zé Povinho? É isso mesmo que eu sou - um Zé do povo. Mas agora com retrato. Nunca alguém mo tinha feito. Como é que possa largar este rapaz?

Não é que agora todos falam em abalar o Brasil? Talvez seja aquela mania que temos de ser marinheiros. E depois sempre se pode ter a vontade do regresso. Até a nossa terra fica mais bonita.

O meu amigo também quer ir. Oferta de trabalho já tem. E que rico pagamento, 50 libras! Não se pode deitar fora uma coisa destas. Ainda para mais que tantos colegas seus também vão neste ano de 1875. Olha, lá vai o paquete que os leva .....

Mas “qu’é” do Rafael? Onde anda? Deixa que o hei-de o encontrar, já lhe conheço os segredos.

Corre por aí que o Rafael é supersticioso e não quis embarcar no paquete em que segue um corcunda - dizem que dá azar!! Histórias, que eu cá não vou nelas. Os motivos são outros... Pois sim senhor, eu vos digo, mas chiu, que é segredo.

Ouvi-o falar com amigos. Todos lhe dizem que é melhor levar carta de recomendação. Sempre se safará melhor nas Terras de Vera Cruz. Não vos preocupeis que sabe onde bater.

Há um grupo de gente, com tradições e segredos, que têm membros por todo o mundo - chamam-lhes maçons. Ajudam os seus companheiros, e lá darão uma carta a Rafael. Mas para isso é preciso que seja membro, e quando entrou já o paquete dos seus amigos tinha partido. Como é que eu sei? Mas não houvera eu de ler o documento, com data de 16 de Agosto? Não me perguntem como, que eu não sou homem de traições.

Mas deixai-me ir depressa, que se não fosse o jornal ainda lhe perdia o rasto:

Parte hoje para o Brasil, Rafael Bordalo Pinheiro, afasta-se de nós um artista notável, talento originalíssimo e fecundo, de quem a nossa folha saudou os primeiros trabalhos, e indicou ao público o merecimento, e que tanta influência tem tido no desenvolvimento das publicações ilustradas. Que ele seja feliz e que volte à Pátria, com fartos produtos do seu trabalho, é o nosso voto de amigo sincero.

Pois chegamos ao Brasil, que eu agora não o ia deixar sozinho. Ainda para mais que deixou mulher e filhos em Portugal.

Trabalho já cá tem. N’ O Mosquito. Não se ficará por aí, pois até ao regresso ainda irá publicar o Psit!!! e O Besouro.

Quem não ficou contente foi o italiano que foi forçado a ceder-lhe o lugar n’ O Mosquito. Cá para mim isto ainda vai dar problemas. Cheira-me, e não me costumo enganar...

Ao fim de um ano no Brasil é tempo de vir a mulher e a filha. O filho, o Manuel Augusto ficou em Lisboa, pois já tem estudos para fazer.

Podia ficar rico aqui, mas que não é homem de se vender já eu vos disse. Então não é que alguém lhe ofereceu um cheque em branco para lá pôr o que quisesse. Basta que se cale com aquela história do ministro conservador estar metido com os contrabandistas. Olha lá, era só o que faltava!

Como se não bastassem os políticos, aquele italiano também lhe anda a dar que fazer. Eu não vos disse ? Cá o Zé pode ser do povo mas não é parvo. Eu logo vi que aquele Angelo Agostini de anjo não tinha nada. Há três anos que não larga a perna do meu rapaz. E caramba, um homem também se enche.

As coisas começaram a azedar, e nada melhor que umas intrigas para fazer romance. Andam por aí umas histórias que as divergências tiveram origem por ocasião da exibição de duas óperas Guarany - italiana e Eurico - portuguesa. Mas aqui para nós sabemos bem que o motivo foi outro.

Depressa, o italiano começa a atacar Rafael. Como armas o desenho, as publicações. Rafael vai aguentando até onde pode, mas já não pode muito mais:

“.... não estamos filiados em nenhum partido; se o estivéssemos, não seríamos decerto conservadores nem liberais. A nossa bandeira é a VERDADE. Não recebemos inspirações de quem quer que seja e se alguém se serve do nosso nome para oferecer serviços, que só prestamos à nossa consciência e ao nosso dever, - esse alguém é um infame impostor que mente.”
( O Besouro, 1878)

“Verdade” e “consciência”! “Infame impostor”! Ora agora é que a arranjaste bonita Rafael. E nem sonhas com quem te metes. Não te esqueças que o italiano não está sozinho. Ou não tivesse saído ele d’O Mosquito por causa dos compadrios políticos. Tu tem cuidado homem. Não me ouves dizer tantas vezes “quem te avisa teu amigo é”?

E pronto, aconteceu. Primeiro foi um que tentou apunhalá-lo. Depois safou-o o vizinho que denunciou o homem que o esperava perto de casa para lhe bater na cabeça. Quem lhe pagou para desempenhar a tarefa não se sabe ao certo. Mas as ameaças continuam.
D. Elvira, a mulher de Rafael, já há muito que lhe pede para regressarem a Portugal. E agora com estas ameaças é mais fácil tomar decisões. Pois regressemos que se faz tarde, e lá também há que fazer.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 11:09 pm

...E UM DIA REGRESSEI...
Imagem "A Política: a Grande Porca", caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro.



































"Encerramento da Câmara", caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro.












Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se. Ainda há algum tempo em conversa com Rafael falámos sobre isso. E que a política é como uma “grande porca”, ambos concordamos. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta.

Ao saberem do nosso regresso já vieram oferecer-lhe novamente o lugar de amanuense na Câmara dos Pares. Rafael tem outros projectos. Não é agora que vai largar as publicações. Ainda para mais já há um capitalista para o ajudar no projecto. Vamos ao trabalho que o primeiro número de António Maria ainda tem que sair este ano.

Ainda é mais cedo do que pensávamos. Pouco barulho que o Rafael já está a fazer a apresentação do jornal:

“Fará todas as diligências para ter razão, empregando ao mesmo tempo esforços titânicos para, de quando em quando ter graça. Possuído destas duas ambições, claro está que o António Maria não tem outro remédio, na maioria dos casos, senão ser oposição declarada e franca aos governos e oposição aberta e sistemática às oposições ...”

Os colaboradores dos jornal são gente conhecida, entre eles estão Ramalho, Guilherme Azevedo, Junqueiro e eu, claro! Sim, porque agora nunca nos separamos. Ás vezes parecemos um só. Partilhamos opiniões e vamos tecendo comentários. Ainda para mais temos os mesmo ideais políticos - uma república. É isso que queremos para o nosso país. Que é difícil já o sabemos, pois parece que este país teima em avançar a passo de caracol. Pudera, da forma que as coisas estão... Os políticos discursam sem nada dizer. A Igreja vai vivendo dos rendimentos, e bem bons que eles são. E cá o Zé vai continuando ora com “albarda” às costas, ora a apertar o cinto.

O jornal começa a incomodar. O capitalista que o financia decide cortar as verbas como represália contra o facto de se terem metido com o seu partido. Mas amigos é coisa que não nos falta. Todos juntos conseguem reunir o dinheiro necessário para as despesas. Não é agora que vamos perder a independência.

Em 1885 as coisas complicam-se ainda mais. O governo estabelece medidas censórias. Chamam-lhe a “Lei da Rolha”. Não será esta a única que vez que a instituem.

Aqui os rapazes decidem expressar o seu descontentamento. Rafael sugere que todas as publicações se suspendam por oito dias como medida de protesto. Para alguns a ideia é aceite. Outros não perdem a oportunidade de criticar o meu rapaz: “Ó Bordalo, a ti não te faz diferença. O António Maria só sai uma vez por semana....”

Ora bolas! Ele há coisas que nos ofendem! Pois sim senhor! Para que não haja dúvidas quanto ao que pensamos o António Maria deixará de ser publicado, mas umas palavrinhas terão que ser ditas:
Eu não pertenço ao ajuntamento dos jornalistas, por isso que estou sozinho e não há ajuntamentos só de uma pessoa; eu não pertenço ao grupo monárquico, porque este me chama de revolucionário; eu não pertenço ao partido republicano, porque este me alcunha de vendido. Nestes termos, não podendo ser nem político, nem jornalista vou fazer-me simplesmente operário, o que talvez venha a ser alguma coisa.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor Vitor Oliveira em Segunda Jun 21, 2010 11:12 pm

BOAS NOITES MEUS SENHORES, VOU-ME EMBORA POIS ENTÃO

Se o disse há que fazê-lo. Rafael vai ser operário. Já há algum tempo que a cerâmica lhe desperta o interesse.

Nas Caldas da Rainha existe uma antiga tradição na cerâmica, embora as coisas estejam agora um pouco paradas. Ora aqui está mais um desafio. Bom sítio para Rafael fundar uma fábrica.

As peças que cria são inovadoras, embora de inspiração naturalista. Já sei, até parece que o Rafael se acalmou. Mas vocês acham que era agora que isso ia acontecer.... nem pensem. A cerâmica vai também servir para aparecerem tipos característicos da nossa sociedade. E eu, claro que também estou no meio, e exprimindo o que faço com um gesto bem simbólico: o manguito (à portuguesa), a banana (à brasileira). Muitos não me conhecerão de outra forma. É mesmo um brincalhão o meu rapaz. Nem com a idade lhe toma o jeito. Não perde a oportunidade de fazer uma brincadeira.

Ainda noutro dia ao saber que um médico, que em tempos não lhe cobrara consulta apreciava um peça sua, decidiu enviar-lhe um cão de cerâmica. No bilhete escreveu: “Preguei-lhe o cão!”

Mas se pensam que foi agora que deixou as publicações estão muito enganados. Tinham passado três meses do encerramento do António Maria quando apareceu Os pontos nos ii. Rafael vai estando com um pé nas Caldas, outro em Lisboa. De qualquer forma sempre tem o filho Manuel Augusto no jornal. Este já lhe segue as pisadas.

Olha que esta agora!! Não é que a Inglaterra decidiu meter-se nos nossos assuntos? Diz que temos de tirar as tropas do centro de África - um ultimato!!! É no que dá a história das “velhas amizades”. O que eles querem é acabar com o nosso sonho de criar um grande império. Aqui já não há partidos, que somos todos patriotas... Anda daí Rafael, que temos que estar mais tempo em Lisboa.

Que governo que temos... tanto barulho que se fez e acabaram por ceder aos ingleses. Isto de monárquicos é o que dá. Ai que lá vou eu outra vez.

Lá no Porto, a 31 de Janeiro de 1891 a coisas azedaram. Mas a tentativa falhou. Não que não se tivesse lutado. De qualquer forma ganhamos mais força. Não podemos ficar indiferentes. Fialho de Almeida escreve o artigo “A Glória dos Vencidos” n’Os Pontos nos ii. Pronto! Lá se acaba outro jornal que a censura não é para brincadeiras. Pois que renasça o António Maria por mais alguns anos.

Rafael continua a desenvolver a sua fábrica. Ao lado de peças de cerâmica elaboradas surgem também figuras de costumes.

Chegamos a 1900. Rafael lança agora A Paródia. “A caricatura ao serviço da tristeza pública “ diz ele. Será que eu sou um Povo triste?

Mas não desanimemos que o Rafael continua a trabalhar. Olha lá vai ele para o Porto. Desta vez tem a seu cargo a decoração dos Fenianos para os festejos de Carnaval.

Não o largo desde que chegou. Não lhe fizeram bem os ares do Norte. Não sei o que tem. Desde o dia 29 de Janeiro de 1905 que adormeceu. Descansa amigo que eu cá vou continuando. Daqui a cinco anos vem a República. Um dia irei contar-te. Essa e outras histórias que me ensinaste a viver.

Tá na hora de partir
pois não posso cá ficar.
Quando de mim precisarem
estou em qualquer lugar.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor almeida51 em Domingo Jun 27, 2010 5:04 pm

Mário Soares

- Quem é Mário Soares para criticar politicamente seja quem for?
- Depois do 25 de Abril apareceu como o desgraçadinho refugiado político com saudades da Pátria para desbaratar toda a fortuna que o Salazar amealhou durante dezenas de anos!
- Como se não chega-se, lá fez uma negociata e vendeu o Ultramar aos comunistas sem se importar com as desgraças de tudo o que aconteceu especialmente aos naturais daquelas Províncias Ultramarinas!
- Repararam na campanha das últimas Presidenciais!
- Será que esse homem não tem um pingo de vergonha?
- Já para não falar naquelas presidenciais em que ele foi eleito!
- Viram aquela cena dele a gritar «Ó Sr. guarda desaparece daí! Vá dizer aos seus colegas que não queremos polícias»!
- Mas não dispensa a guarda policial na sua residência na praia do Vau no Algarve! São estes os políticos do meu País, que se atrevem a dar palpites!
- UE: Mário Soares critica mediocridade dos líderes.
- Este 14% está xexé há muito tempo. Claro que ele só se refere aos políticos estrangeiros porque no partido dele há boa gente. Honesta e competente.
- Com a lei 26/84, cozinhada por ele e pelo seu amigo Tito de Morais, está hoje a viver uma reforma altamente choruda num pequeno País onde há mais de 2 milhões a viver no limiar da pobreza. Ele diz que está preocupado, mas não vale a pena, porque qualquer dia vai para o Inferno fazer companhia ao Cunhal e a quem ele deve a presidência da República durante a qual fez 53 viagens ao estrangeiro e esbanjou o erário público.
- Não satisfeito com isso ainda quis repetir já com 81 anos. É por causa destes "socialistas", que de socialistas nunca tiveram nada, que o País está de tanga. Eles só se dizem socialistas para ganhar votos e ir para o poleiro, porque a prática deles é do mais selvagem capitalismo.
- Ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres. Quem foram os presidentes de república durante 20 anos?
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor almeida51 em Domingo Jun 27, 2010 5:13 pm

Cidadania

- É o conjunto de direitos, e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive.
- O conceito de cidadania, tem origem na Grécia clássica, sendo usado então para designar os direitos relativos ao cidadão, ou seja, o indivíduo que vivia na cidade e ali participava activamente nos negócios e das decisões políticas. Cidadania, pressupunha, portanto, todas as implicações decorrentes de uma vida em sociedade
- Assistimos todos nos dias, que as torrentes opinativas e que sugeriam ideias e causas para debate, foram sendo gradualmente, substituídas por assuntos para confronto e que utilizam o direito de Cidadania, para seu interesse pessoal e que de debate societário, tem muito pouco a ver com o espírito, que os Gregos utilizavam para mudarem e debaterem a sua estrutura de sociedade e de postura societária.
- As teorias da cidadania são importantes porque as instituições democráticas desmoronar-se-ão se os cidadãos carecerem de certas virtudes, tais como um espírito cívico e boa-vontade mútua. De facto, muitas democracias sofrem com de apatia por parte dos eleitores, de intolerância racial e religiosa, e fuga significativa aos impostos ou às políticas ambientais que dependem da cooperação voluntária. A saúde de uma democracia depende não apenas da estrutura das suas instituições mas também das qualidades dos seus cidadãos: por exemplo, das suas lealdades e de como eles encaram identidades nacionais, étnicas ou religiosas potencialmente rivais; da sua capacidade para trabalhar com pessoas muito diferentes de si; do seu desejo de participação na vida pública; da sua boa-vontade para serem moderados nas suas exigências económicas e nas suas escolhas pessoais que afectem a sua saúde e o meio ambiente.
- A afirmação de que a sociedade civil é a fonte da virtude cívica é discutível. A família ensina a civilidade e a moderação, mas também pode ser "uma escola de despotismo" que ensina o domínio masculino sobre as mulheres. Analogamente, as igrejas ensinam muitas vezes a deferência perante a autoridade e a intolerância relativamente a outras fés; os grupos étnicos ensinam muitas vezes preconceitos contra outras raças, etc.
- Algumas afirmações sobre o conceito de Cidadania, que reflectem formas diferentes de abordagem ao tema e consequentemente opiniões diversas e enquadradas no contexto "pretendido":
-Os defensores da teoria da sociedade civil, centram as suas atenções no modo como aprendemos a ser cidadãos responsáveis
-Os defensores da teoria da virtude liberal sublinham a importância da capacidade dos cidadãos para o discurso público.
-Os defensores da teoria da virtude liberal, sugerem muitas vezes que é nas escolas, que se deve ensinar as crianças a distanciar-se das suas próprias tradições culturais, quando se entregam ao discurso público e a ter em consideração pontos de vista diferentes.
-A saúde de uma democracia depende não apenas da estrutura das suas instituições mas também das qualidades dos seus cidadãos. -Na verdade, é por vezes difícil distinguir a cidadania, enquanto tópico filosófico, da democracia.
-A cidadania não é apenas um estatuto, definido por um conjunto de direitos e responsabilidades. É também uma identidade, uma expressão da nossa pertença a uma comunidade política. Além disso, é uma identidade partilhada, comum a diversos grupos na sociedade.
-De acordo com os pluralistas culturais, a cidadania tem de reflectir a identidade sócio-cultural distinta destes grupos — a sua "diferença".
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor almeida51 em Domingo Jun 27, 2010 5:16 pm

É tudo a 200

- Com preservativo, oferecemos a borrachinha. Sem preservativo, habilitas-te a 200 euros. Como é que vai ser? E se eu conseguir fazer gémeos? Tenho direito a bónus?

- Este governo pensa a longo prazo. Tem um rumo estratégico. Uma visão de futuro. De tal maneira que até anuncia medidas que só têm efeito daqui a duas décadas. Em 2029 vais receber 200 euros

- 200 Euros novas oportunidades.
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Re: ZÉ-POVINHO

Mensagempor almeida51 em Sexta Jul 02, 2010 8:41 pm

Sou homem para fazer 1800 a 2000 euros por dia.

- O povo sente-se motivado. Está com vontade de fazer filhos, se isto do pacote de motivação à natalidade correr bem, o governo ainda tem de reabrir as maternidades que fechou durante esta legislatura.
Portugal não é somente do Sr. Sócrates. Mas, num ápice, o homem mudou, mais manso, tolerante, com outra postura, mais quebrado, não tão áspero e crispado. Os portugueses às vezes surpreendem pela positiva, com o voto nas eleições. O homem parece outro! Ele, Sócrates queria mudar os portugueses e os portugueses são quem o acabaram por mudar.
- Na moção de censura apresentada, ainda teve alguns laivos e tiques de quer pode e manda, pondo em causa a própria moção de censura. O nosso Primeiro-Ministro, em democracia, tem que perceber que uma moção de censura é um instrumento que pode ser usado pela oposição. Depois de ver o debate, foram importantes as questões levantadas por toda a oposição.
- Já na entrevista à SIC N, ainda foi mais surpreendente: um Sócrates humilde, complacente, implorador, eu sei lá...Passou de lobo mau a cordeiro.
- A política travestida vai suceder à política autoritária. Este novo disfarce com um novo papel a tentar convencer os portugueses. Esta nova adopção de comportamento, no fundo este mascarar de posições e atitudes deixam-me estupefacto. O homem é um verdadeiro actor cujo papel é manter o poder.
- Vamos ver como reagem os portugueses.
almeida51
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